Um dos mais famosos DJs do dubstep lodrino se chama Anthony Williams, mas é muito mais conhecido pelo seu nome artístico: Headhunter. Nascido em Bristol, esse inglês começou cedo (ele tem hoje 25 anos de idade) e faz questão de dizer que entrou para o dubstep “por acidente”. Esse “acidente” foi muito produtivo e hoje ele toca em clubs lotados de vários lugares do planeta. O !ObaOba descolou um tempinho na agenda do DJ para que ele respondesse a algumas perguntas sobre sua carreira e suas influências. O DJ espera poder vir se apresentar e conhecer o Brasil em breve e, para nossa surpresa, também curte muito o som do DJ brasileiro de psytrance Gustavo Manfroni, mais conhecido como Burn In Noise.
Conte como foi o começo de sua carreira.
Eu comecei tocando grime no programa pirata de rádio, junto com meu amigo Witeboy, mas achei que a produção era muito simples. Então decidi começar a fazer algumas produções com a ajuda do meu bom amigo DJ Pinch. O som era bem espaçoso, com muito bass. Isso me levou a abrir um selo com meu amigo Tech Itch e demos o nome de Tempa. Foi quando percebi que o dubstep era um gênero musical de verdade. Artistas como DMZ, Skream, Kode 9 e Benga estavam experimentando o dubstep, era um novo som e eu também achei que teria algo para adicionar.
Quais são suas influências?
Minhas influências sempre foram as mesmas. Escuto muito Old School Hardcore, Jungle e Psytrance. A maioria das pessoas acha engraçado ou estranho o fato de eu gostar de Psytrance. Na verdade, eu estava por dentro das produções do Burn In Noise e aí descobri que eles eram de Brasília! (Risos). Mas por eu ter uma palheta diferente da influência do Skream é que minha música adquiriu identidade própria. Ultimamente eu tenho escutado muito Old School Hardcore, Techno e Funky House. Então, vai saber que música eu vou fazer no futuro! (Risos). Os DJs que me influenciam hoje são o Youngsta por sua seleção e mistura de estilos e o Appleblim porque ele sempre vem com alguma coisa nova, diferente e interessante.
O que mudou na cena desde que você começou?
A maior mudança para mim foram as gigs. Antes eu tocava para um público pequeno e agora toco para um grande público, com o club lotado. Na cena, uma das maiores mudanças tem sido a música: os sons estão mais rápidos. Continua com o mesmo “tempo”, mas tem muito mais energia e a produção musical melhorou. Os DJs pagam suas coisas, raramente querem tentar e tocar algo mais profundo. Mas enquanto tiver pessoas empurrando coisas novas, a música poderá se tornar algo bom e saudável. Eu não perco nada da cena. Talvez você precise perguntar sobre isso novamente em cinco anos e aí eu te falo! (Risos).
Como você vê essa rápida transição de estilos na cena eletrônica? Em algum nível essas mudanças têm influenciado sua música?
Claro que me influenciam, mas é importante não copiar esses novos sons e ideias. Eu sempre mantenho um olho grudado no que acontece na cena techno e a progressão do techno na minha música, mas nunca tentei copiar nada. Eu apenas ouço e aprendo a técnica e então faço do meu jeito. Espero que os DJs da cena techno possam ouvir minhas músicas e se inspirem. É como uma re-influência.
Quais seus planos para 2009? Algumas novas produções vem por aí, eu imagino.
Uma das maiores coisas para mim esse ano é meu live show onde eu toco com meu laptop e com um artista audiovisual. Isso tem me deixado muito animado e eu espero que eu possa fazer mais (disso) no futuro. Eu estarei em turnê pelo mundo e espero que, em algum ponto da minha viagem, eu possa visitar o Brasil! Existem também outros planos de lançamento, mas agora eu estou mantendo esses planos apenas para mim. Todos serão revelados em breve.