"Halloween é coisa de gringo". É, na verdade, é mesmo. Mas teve muito brasileiro que adotou, como você pode ver na recheada agenda deste especial. Agora, houve quem não adotou e até se revoltou contra a adoção. É o caso da SOSACI (Sociedade dos Observadores de Saci) que, desde 2003, está em campanha pela valorização do folclore nacional em detrimento da doutrinação estadunidense do "ralouim", como eles preferem chamar. Uma das bandeiras dessa guerra é a instituição de 31 de outubro - não à toa, data do Halloween dos americanos - como Dia do Saci, em que se homenageia aquele moleque negrinho que pula numa perna só sem deixar cair o cachimbo.
E não é que a luta da SOSACI já colheu seus frutos? O Estado de São Paulo, por exemplo, tem o Dia do Saci escrito em lei desde janeiro de 2004. Vitória (ES), Uberaba (MG) e Fortaleza (CE) também já oficializaram seus dias. E houve até uma proposta de instituição nacional do Dia do Saci, de autoria do deputado federal Aldo Rebelo. Bom, o projeto foi arquivado na Câmara, mas a ideia ficou no ar e ganhou tons solenes. Nas palavras do próprio Rebelo, "tem na sua essência a defesa da soberania nacional", uma vez que dá "uma pernada (isso que é trocadilho!) no importado Ralouin de origem Celta".
Mas se a "pernada" de cara remete ao personagem que traz boas memórias a todos os ex-leitores de Monteiro Lobato, o Dia do Saci pretende ser uma congregação de mitos. Pretende mesmo dar um pontapé - sem cair no chão, é claro - nas bruxas, fantasmas, abóboras e travessuras e exaltar nossos Boitatá, Boto, Cuca, Iara, Mula-sem-cabeça... Então, antes de vestir sua roupa de vampiro, lembre-se que o Curupira está bem mais perto de você do que o Drácula. E, se ele não gosta dos caçadores que se aventuram nas matas, que dirá dos imperialistas que o relegam ao esquecimento?
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