Se é pra falar de bandas independentes em Brasília um dos melhores exemplos atuais é o Móveis Coloniais de Acaju. Se você se perguntou “Acaju? Mas não era de Brasília?” aí vai a resposta: o nome é uma homenagem à Revolta do Acaju, um conflito que rolou no século XVIII entre índios e portugueses na Ilha do Bananal, no atual Tocantins. E outra, também não estamos falando de Aracaju...
A banda começou em 1998. Segundo Esdras Nogueira, o saxofonista do Móveis, eles eram “uma molecada que estudava junta, dai foi pra faculdade junto e acabou tocando junto”. Eles só queriam tocar um som diferente e, quem sabe, fazer sucesso. Ao contrário do que muitos podem achar, eles são mais inspirados no rock brasiliense dos anos 90 (em bandas como Raimundos e Maskavo Roots) do que no som de bandas oitentistas como Legião Urbana e Capital Inicial.
Aliás, depois do “boom” dos anos 80, o rock da capital federal ficou meio esquecido. Mas, para Esdras, “hoje as pessoas estão retomando seus olhos para Brasília”. Estão aparecendo por lá produtoras novas, bandas novas, e entre elas o Móveis Coloniais de Acaju.
Quanto à independência, o músico comenta que, apesar de terem produzido o
CD Idem em parceria com a Trama, eles permanecem fazendo suas coisas. No site, além do download do CD, os fãs têm acesso a produtos da banda. Como disse Esdras, “O Móveis não sabe o que é existir sem internet”. Eles cresceram conforme a internet foi se estabelecendo como forte disseminador de músicas e utilizam diversas ferramentas (
MySpace, Orkut, Site,
Twitter e outras redes sociais) para fazer “um trabalho de formiguinha”, usando esses recursos menores para criar uma coisa grande.
Como deu pra ver, a banda é bem organizada. Para Esdras “é coisa do passado a banda colocar nas mãos da gravadora todas as coisas. A gravadora deve ser apenas um suporte, um braço, e a banda é que deve estar bem estruturada.”
Eles estão fazendo muito sucesso pelo Brasil inteiro: participaram de festivais como o Brasília Music Festival (2003), Curitiba Rock Festival (2005), Bananada (2003 e 2004), Porão do Rock (2000, 2005 e 2007), MADA (RN), Festival Indie Rock (RJ e SP), Festival No Ar (PE) e muitos outros. Além disso, já tocaram ao lado de Alanis Morissette, Weezer, Simply Red e alguns outros artistas internacionais. No entanto, o saxofonista lembra que não é fácil para as bandas conseguir divulgar seu som. “Bandas novas sempre encontram barreiras. Os donos das casas muitas vezes têm que apostar na banda e as bandas têm que, acima de tudo, “dar a cara a tapa” e correr atrás de oportunidades”.
Para ajudar as outras bandas nesta tarefa, o Móveis toca o projeto “Móveis Convida” – um festival com curadoria da própria banda que dá oportunidade aos novos talentos e que busca promover o intercâmbio entre bandas de diferentes lugares.
Ambição é o que não falta pra banda: gerenciando seus próprios negócios, organizando projetos e divulgando seu som por todo o Brasil, os dez integrantes do Móveis Coloniais de Acaju são um grande exemplo de que essa história de ser independente funciona!
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