Foi só sair a programação da Virada Cultural 2008 que o pânico tomou conta de mim. A única solução que eu podia encontrar seria me clonar umas 50 vezes! Mas, como isso ainda não é possível, o jeito foi tentar conciliar os shows mais importantes.
Itinerário definido, estabeleci meu quartel general: um apartamento estrategicamente localizado a poucos metros dos principais palcos. Depois de algumas horinhas de sono, meticulosamente programadas já de olho na maratona acordada, começou a real preparação para a aventura. Vestindo roupas confortáveis, com uma mochila carregada de todas as quinquilharias que garantiriam minha subsistência por um dia, me joguei.
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Depois de encontrar uma amiga, minha companheira na empreitada, seguimos para nossa primeira parada: o palco da Avenida São João.
O clima era de festa. E a animação não estava apenas concentrada nos palcos, mas em todos os caminhos entre eles. A cidade tinha outra cara, estava viva, com gente alegre e empolgada pra todo lado. Era uma emoção diferente ver São Paulo com outros olhos.
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Além de valorizar seus aspectos urbanísticos, a Virada ressaltava a heterogeneidade tão característica de São Paulo. Cada palco, separado por poucos quarteirões, separado tribos e sons diferentes.
O ponto alto da noite foi o show dos Mutantes. Ou seria melhor dizer o Mutante? Afinal, o único membro da formação original da banda era Sérgio Dias... Bom, o que interessa é que estava lotado! No meio do empurra-empurra, as pessoas enlouqueciam aos sons psicodélicos do grupo.
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Nas apresentações, pessoas subiam em árvores, penduravam-se em postes... Valia tudo para ter uma boa visão do palco no meio da multidão! Sortudos aqueles que conseguiam ter vistas privilegiadas nos apartamentos próximos aos palcos. O problema seria dormir com aquela barulheira toda. Mas quem ia querer dormir? Eu que não!
Ao longo da madrugada, entre um show e outro, deu pra fazer um tour pelas redondezas. Vimos o Viaduto do Chá colorido por apresentações de dança, o Teatro Municipal imponentemente iluminado, e seguimos para a Praça do Patriarca. Os corredores escuros daquela redondeza - fedendo a xixi e cheio de figuras estranhas encostadas em seus cantos - nos deixaram um tanto apreensivas. Meia volta, volver!
E assim, nessa maratona que ainda estava longe de acabar, vimos o sol nascer. Pausa para um cochilinho (confesso!), porque ninguém é de ferro. Menos de uma hora depois, e um pouco mais revigoradas, cobrimos as olheiras com óculos escuros e voltamos pro agito!
No caminho, outros (não) sobreviventes amontoavam-se no show, saldo da bebedeira e da festança que rolaram ao longo da madrugada. O dia seguiu solto enquanto passeávamos pelos palcos das redondezas, vendo de tudo um pouco – mas sempre com foco em nosso itinerário (seguido à risca, diga-se de passagem).
Não houve melhor escolha pra fechar um acontecimento desses do que ver Jorge Ben Jor. Neste ponto, todos os amigos - que tinham se espalhado pelos diversos palcos - se encontraram. Não houve alma viva que não estivesse pulando e cantando num clima de puro carnaval. Que show! De Magnólia a Jorge da Capadócia, o homem mostrou porque é o rei do suingue.
Mas, antes mesmo de acabar a apresentação, a multidão foi se dissipando. O medo dos metrôs e ônibus lotados e do trânsito preocupava grande parte do pessoal. Uma pena, pois quem saiu antes perdeu os fogos de artifício que marcaram o final da 4ª edição da Virada Cultural.
Evento acabado, todos rumaram para suas casas. O cansaço dominava, mas em nossos rostos estava estampado o sorriso de “missão cumprida”. Cumprida? Talvez em 2008. Pode acreditar que neste final de semana, estarei lá novamente, de mochilinha nas costas, acompanhada de meus fieis escudeiros!
Que venha a Virada Cultural de 2009!