Creamfields Buenos Aires: o que rolou no festival

São Paulo, 11 de novembro de 2008
Por: Cuca Pimentel

Divulgação


Esse final de semana tive a oportunidade de ver de perto a Creamfields em Buenos Aires, um dos festivais mais famosos e aguardados da América do Sul. Já é de praxe vários brasileiros se programarem para passar um final de semana no nosso vizinho só para curtir o evento.

O line-up estava incrível, mas como acontece em grandes festivais, fica sempre difícil de conseguir ver tudo o que a gente gostaria de ver. Mas separei algumas atrações junto aos meus dois amigos Luis Depeche, do site FiberOnline, e Ivi Brasil, da DJ Mag Brasil.

Ainda estava claro quando chegamos ao autódromo de Buenos Aires as 20h. Uma fila quilométrica na entrada, mas andando normalmente. O lugar já estava bem cheio e bem sujo para o horário. Depois notei que o problema era que haviam poucos cestos de lixo espalhados por lá. Vários cachorros vira-latas perambulando no meio do público, meio bizarro.

Primeira parada, main stage com Bajofondo, que mistura tango com música eletrônica e que é bem conhecido por aqui, já que sua música é tema para a abertura da novela das 9. Como ainda faltavam uns quinze minutos para eles começarem, fomos comprar uma cerveja.

As filas estavam insuportáveis. A falta de organização foi clara nessa hora já que cada caixa tinham quatro pessoas, mas ficavam só duas para atender uma pessoa, o que acabava se tornando apenas dois caixas. Um evento desse tamanho deveria dispôr de mais caixas para que não perdessemos tanto tempo na fila. Por incrível que pareça, para ir ao banheiro não havia nenhum problema. Nada de fila.

Só após quarenta minutos conseguimos comprar nossas cervejas e perdemos a maior parte do Bajofondo. Mas conseguimos escutar de longe a música da novela e, quando chegamos lá, amigos e algumas pessoas do público haviam sido convidadas a subir no palco e fazer bagunça com eles. Pelo que pude notar, são muito queridos por lá. Justificável já que talento eles têm de sobra. O fundador ganhou já um Oscar e um Grammy de melhor música.

Depois disso, demos uma corrida na arena 4 onde estava se apresentando o Spitfire, que já se apresentou aqui no Brasil. Um som agressivo, bpm´s altos e muita gente pipocando na pista, Não conseguimos ficar por muito tempo lá, era demais para nossas cabeças.

Corremos de novo ao main stage onde o canadense deadmau5 começava a se apresentar. Remixou "Harder, better, faster, stronger" do Daft Punk e Fatboy Slim, colocou a "cabeça" com as orelhinhas e tocou um tempo com ela. Muita gente saiu correndo de outras tendas para vê-lo tocar no main stage.

Gorillaz Soundsystem começava as 22h30 na arena 1, fomos até lá para ver a abertura. Achei barulhento demais e irônico demais também. No começo do set, para agitar o público, gritaram "Argentina" e, logo em seguida, soltaram um funk carioca cantado por Tati Quebra-Barraco. Não consegui conter as gargalhadas pela ironia. Demos um pulinho também para curtir o Hernan Cattaneo, DJ local, mas nada que nos chamasse a atenção.

Em seguida - um dos mais aguardados por nós - 808 State. Lembro deles logo que a MTV começou no Brasil, em 1990. Eu era fascinada pelo clip "Pacific State" e quando eles começaram a tocar lá, quase desmaiei. A apresentação foi linda demais. Nessa hora, o main stage se esvaziou - provavelmente por que a banda é da "velha geração" e muita gente não tinha idéia de quem eles eram. Mas bastaram algumas músicas para as pessoas que estavam ali por perto chegarem na pista por não aguentar ficar paradas àquele som hipnótico.

Estávamos loucos para ver Crystal Castles. Aliás, não apenas nós como uma grande parte das pessoas ali. Infelizmente, foi uma grande decepção. Um problema no som prejudicou a apresentação, que só durou duas músicas e mesmo assim com muita dificuldade. Muita gente ficou sem entender se tinha chegado atrasada para o show, mas a verdade é que ele nem chegou a acontecer direito.

Fomos ver Apparat, que já estava quase no final do set,. Ele mandou muito bem, a pista já estava cheia quando chegamos e encheu ainda mais, talvez pelo ocorrido com a apresentação do Crystal Castles. Ótimo set do alemão, com um som bastante eclético. Quando ele acabou, vimos um pouquinho só de Simian Mobile Disco, pois estávamos ansiosos para ver DJ T.

A pista não estava muito cheia. Mas com muito carisma e música boa ele fez o povo ao redor se agrupar na tenda até a entrada do M.A.N.D.Y. No começo os três se apresentaram juntos e ficaram assim por um bom tempo. DJ T tirou fotos do povo (inclusive minha!), mandou beijos e depois saiu para que o duo pudesse tomar conta definitivamente da cabine.

Vimos um pouco de Boys Noize, Modeselektor, Unkle, Erick Morillo, Booka Shade e Gui Boratto, só de passagem para outras tendas. Ficamos um pouquinho na tenda do DJ Carl Craig, de Detroit, que não costuma olhar e muito menos interagir com o público. Acabamos perdendo New Young Pony Club e Martin Buttrich.

Em compensação, vimos o melhor set de toda a Creamfields: Cassius. Não conhecia e agora virei fã número 1. Phillipe Zdar e Hubert arrasaram no som, fazendo mash-ups e mixagens perfeitas com 3 pick-ups e mais um monte de equipamentos e samplers que sempre entravam perfeitamente na música. A sintonia do duo era visível e isso que fez com que a pista fervesse ainda mais e todos ficassem em êxtase quando soltaram "Hey boy, hey girl" do Chemical Brothers. Momento memorável da noite, sem dúvida alguma.

Aliás, uma coisa ficou bem clara para todos nós: os ritmos étnicos dominaram a Creamfields. A maior parte dos DJ´s acabou puxando um pouco para esse lado de sons, melodias, percussão, algum elemento onde ficou bem nítida essa tendência.

Para finalizar uma noite incrível, vimos um pouco do Derrick May mas não ficamos por muito tempo. Voltamos correndo pra arena 1 para ver o final do set imperdível do Cassius.

O festival terminou pouco mais de 6 da manhã, como o previsto no horário. As 50 mil pessoas que lá estavam começaram a se dissipar aos poucos e aquela bagunça típica de final de festa que estamos acostumados - lembrou muito os tempos de Skol Beats no autódromo - começou a nos deixar com saudades da noite que havia terminado. Mesmo com todo lixo, com toda a fila, ficou na memória e, com toda certeza, estarei lá ano que vem.