Entrevista: Edson & Hudson
São Paulo, 24 de março de 2009
Por: Jade Petronilho
Por: Jade Petronilho
Divulgação

Ao anunciar a separação, a dupla Edson & Hudson surpreendeu a mídia e seus fãs. Após 28 anos juntos, atribuíram a decisão à "incompatibilidade musical": Hudson quer reforçar seu lado roqueiro e Edson, além de cuidar da carreira de seus filhos, vai permanecer no meio sertanejo. Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (24/03), os veteranos falaram sobre a trajetória da dupla e o lançamento oficial dos novos CD e DVD, captados na turnê Despedida.
Composto por 15 faixas inéditas, o CD não poderia ter um nome melhor, afinal, marca a nova fase dos músicos.
Por que vocês vão se separar?
Hudson: Porque a gente tem pensamentos diferentes. São 28 anos juntos, saturou um pouco e cada um quer seguir uma coisa.
Edson: É uma questão de incompatibilidade musical. A importância é como isso vai acontecer: eu vou poder mostrar meu trabalho e ele o dele. As pessoas vão ganhar E&H, separadamente, mas entre a gente continua tudo igual. Nossa despedida é como se um pai falasse tchau para um filho que passou na faculdade e vai morar nos EUA. A liberdade de não ter o Hudson para encher meu saco e nem eu pra encher o dele é algo que não tem preço! É uma questão de liberdade, pois estamos que nem carrapato no c* de égua, estamos muito grudados! Risos.
Como pensaram no disco para marcar despedida?
Edson: Não estava nada certo. Deus é tão grande que parece que o disco ficou com essa cara, ele se encaixou na nossa despedida.
Hudson: Foi programado, mas foi programado por Deus. O lance de pensar na despedida partiu junto com o trabalho.
Vocês viveram no circo e vieram de uma família humilde. Lidar com a fama foi muito difícil?
Edson: Não. Foram 22 anos de muita luta até sermos E&H. Por isso, acho que administramos muito bem.
Hudson: O bom do sucesso foi que pudemos ter tudo aquilo que não tínhamos antes. Foi bacana poder ajudar nossa família e acreditar que um sonho tão difícil de ser realizado pudesse acontecer como aconteceu. Foi um trabalho de formiguinha mesmo, um por um... a fama veio aos poucos e isso foi bom!
Por que vocês quiseram ser artistas?
Hudson: Nosso pai cantava música sertaneja com a nossa mãe . Quando ela morreu, ficamos no circo e tinha aquela coisa de duplas sertanejas se apresentarem lá. Ficamos com aquela coisa de artista na cabeça. Eu comecei cantando antes e, naturalmente, passamos a duetar. Aliás, tudo isso foi documentado do nosso DVD de despedida. A gente achava que íamos fazer sucesso quando criança, mas não foi assim.
Quais foram os momentos que mais marcaram a carreira de vocês?
Edson: Com certeza foram as conquistas. Não tem como não falar delas. A cada uma delas, vibramos muito. Uma grande conquista foi, por exemplo, a primeira vez que fizemos Barretos com sucessos nossos.
Qual a expectativa da dupla para a nova turnê?
Hudson: Queremos que ela seja maravilhosa, pois nossa intenção é fechar com chave de ouro. Temos grandes projetos para 2010, mas o foco desse ano é Edson & Hudson e vamos fazer tudo de melhor: o melhor show, a melhor turnê, a melhor iluminação...
Hudson, de onde veio a sua paixão pelo metal?
Hudson: Minha paixão pelo rock surgiu por causa da paixão pela guitarra. A primeira tive com cinco anos e não tem como não aprender a tocar se não gostar de rock. Sempre gostei de country rock, Pink Floyd e Led Zepelllin. Nunca fui roqueiro declarado e nem sertanejo declarado, sou isso daqui! Tenho Tião Carreiro & Pardinho e Sepultura em minha casa!
Vocês acham que a utilização da guitarra é um diferencial de vocês?
Hudson: Com certeza. Se não fosse isso, talvez nem fôssemos conhecidos.
O que vocês acham sobre a transformação do sertanejo no país?
Edson: Achamos isso muito bom. Apesar de todas as duplas atuais serem chamadas de universitário, se eu tivesse esse rótulo, eu não aceitaria, pois eles cantam o que sempre foi cantado. Isso não é legal pra música sertaneja; ser rotulado é sempre ruim. Estão aí Victor & Léo fazendo sucesso! Dá orgulho pegar um CD deles para ouvir, por exemplo. Tem que saber administrar isso e ter cuidado com o que fala pra não se ferrar no futuro.
Hudson: É! Senão, se f*! Risos.
E qual conselho vocês dariam para as duplas que estão começando?
Edson: O verdadeiro segredo é o repertório. Se a música for meia boca, você está perdido!
Quais gêneros musicais vocês mais escutam em casa?
Hudson: Com tanto trabalho, não tenho ouvido muita coisa, mas rola uma seleção de rock e pop. Gosto muito daquela coisa dos anos 80 e 90 e de dance. Gosto de um flashback! Já ouvi tanto rock, que só ouço quando dá saudade. A gente também tem que ouvir o que está rolando para não ficar fora do mercado...
Edson: Ah, eu sou sertanejo sempre! Gosto da música romântica, de Zezé di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone, Chitãozinho & Xororó e dessa molecada nova que está chegando. Sou fanático por música sertaneja!
Para vocês, o que significa sucesso?
Hudson: Trabalho, muito trabalho e muita satisfação. As pessoas querem ser famosas para estar na mídia, mas esquecem que é um trabalho como outro qualquer, com alegrias, satisfações e algumas coisas ruins também...
Vocês pretendem continuar produzindo?
Hudson: Vou trabalhar com locadora e produção artística. Também tenho planos de começar a produzir alguns outros artistas, mas quero mesmo produzir para a minha banda, Rolemax. Eu respeito e gosto muito do sertanejo e se não fosse ele, eu não estaria vestido como estou hoje. Não vou abandonar o sertanejo e também tenho projetos para fazer uma homenagem aos violeiros.
Compor juntos faz parte dos planos mesmo após a separação?
Edson: Quero fazer um próximo CD 100% autoral, mas nós dois compusemos poucas coisas juntos.
O que vocês fariam diferente se pudessem voltar o tempo?
Hudson: Eu tentaria driblar alguns momentos que não gostei. Nosso sucesso não aconteceu estrondosamente. A gente sabe que tudo o que fizemos foi com cuidado, com discos bem gravados e isso foi bom pra gente.
Edson: O passado a gente só lamenta, não tem como mudar. Como Clodovil falava: "você nasce pra fazer uma coisa, não tem jeito". Pasaado é passado, não tem o que fazer.
Quando vai ser o último show da dupla?
Edson: Bom, se tiver um louco que pague os 500 paus... risos.
Hudson: Muitos risos.
Edson: No último show, nós vamos quebrar o palco inteiro e vamos colocar fogo nos músicos! Risos.
Hudson: Inclusive, sou eu que vou levar álcool... risos. Brincadeira, nossos shows esse ano estão mesmo impressionantes! A energia está muito bacana e estou gostando muito. Estamos com uma liberdade maior, posso me vestir como eu quero... ainda não temos uma data definida, estamos com alguns shows a definir ainda.