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Foi com sentimento de raiva que cruzou a porta da casa de seus pais pela última vez. Sentia ódio não só dos pais, mas por si mesma. Sabia que, de alguma forma, estava desistindo de tudo, e por isso se considerava fracassada.
Para não despertar dúvidas, arrumou suas coisas como se fosse para mais um dia de aula. Preparou sua mochila, mas no lugar dos livros pôs roupas que precisaria. Buscava liberdade. Um de seus pensamentos mais fortes neste momento era o de que nunca mais precisaria ler um livro na vida.
No caminho, tudo o que fez foi ligar para um amigo e dizer que, caso os pais dela o procurassem em busca de notícias, avisar que tudo estava bem.
A garota de então dezessete anos, que vinha de classe média alta e tinha no histórico escolar colégios como Bandeirantes e São Luís, duas das mais conceituadas e caras escolas de São Paulo, não demorou muito para chegar a seu destino, uma casa de prostituição na Alameda Franca. Foi lá que passou a trabalhar e morar.
Mudou de nome, abandonou o antigo jeito de ser chamada e, com isso, tudo na vida que representava seu passado. Por um tempo atendeu como Fernanda, mas depois, por sugestão de uma amiga, mudou para Bruna.
De 2002 à 2004 Bruna ainda trabalhou em outra casa, quando alugou um flat em Moema junto com a mesma amiga que sugeriu sua mudança de nome. Desde então, mora e atende lá os clientes. Foi nessa época que começou a escrever um blog, para o qual adotou o pseudônimo de Bruna Surfistinha. O "surfistinha" veio em razão de duas semanas que havia passado no Guarujá poucos meses antes de ter fugido da casa dos pais.
Segundo ela mesma conta, a finalidade inicial do blog era fazer algo pequeno, para os próprios clientes. A divulgação era feita na cama, depois do sexo, como um comentário - então, tem um blog que eu tô escrevendo, dá uma olhada lá -, deixando sempre claro que nunca colocaria os nomes deles, apenas descreveria o que rolava na cama. E o que era para ser uma coisa íntima acabou tomando proporções maiores, e hoje o blog tem média de 100 à 200 mil visitantes por mês. Clique no link abaixo para continuar a matéria...
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