publicidade

Adeus ao Samaro

Boteco fecha as portas e marca o fim de uma era

Por: Juliana Diegoli

Thursday, 26 January, 2012 - 10h01

Lanchonete Samaro

Lanchonete Samaro 

Créditos: Ricardo Bozza

Ele poderia ser apenas mais um bar dentre os tantos da Joaquim Floriano, com as clássicas paredes de azulejo, o balcão de chicletes e as mesinhas de madeira. Poderia ser um boteco de uma esquina qualquer, ou até um local de esquenta para tantas baladas da noite paulistana. Ele poderia ser mais do mesmo, claro que poderia. Mas ele não é. Ele é o Samaro.     

Acontece que ele está com os dias contados. A notícia começou como boato, mas o Leo, proprietário, anunciou o veredito: o local foi vendido para um grupo de empresários e será fechado no dia 28 de Janeiro. Foi através de um vídeo no youtube, postado e editado pelo designer de games Fernando Bueno, que o desespero se agravou. Com mais de 11 mil visualizações, o filme quadruplicou a frequência do bar. “Soube que foi vendido por 1.3 milhão, mas ainda acho que é pouco. Pela tradição, o Samaro vale muito mais”, comenta o autor do vídeo.     

 

Fernando Bueno, autor do vídeo. Créditos: Ricardo Bozza
 
O local marcou a geração e a história de um bairro. Segundo Bueno, “todo mundo já teve uma história que começou, passou ou terminou no Samarão”. Dedé, garçom da casa há 20 anos, está aí para comprovar: “gosto de todo mundo aqui. Abraço, beijo, trato bem. Tem vezes que eu xingo, mas como todo mundo me conhece, todos me entendem”. Verdade. Estar na “Lanchonete Samaro” é como estar em casa. Cerveja gelada, petiscos gostosos e bom atendimento... a um preço honesto. Nos dias de hoje, é cada vez mais difícil de encontrar um lugar assim.     

 


Dedé, garçon da casa, trajando a clássica camiseta "Sou + Samaro". Créditos: Ricardo Bozza

Apesar de todo sucesso, a lanchonete não era esse hit todo. Comprada em 1982 pelo português Eleutério da Costa Braga, o conhecido Léo; ela tinha dois balcões e poucas mesas. De dia, o forte era o PF (prato-feito). À noite, segundo Ronei Carelli, motorista de taxi e frequentador das antigas, o bar era meio sinistro: “na época, como muitos prédios ainda estavam sendo construídos no Itaim, a frequência não era tão boa, só peão de obra. Mas íamos mesmo assim, para fazer esquenta para o Lambar, uma danceteria de lambada que ficava onde é, atualmente, a Igreja Universal do Reino de Deus”.    
 


Leo, o proprietário. Créditos: Ricardo Bozza

Com o passar do tempo, ele foi reformado. Tiraram os balcões e colocaram mesas. Depois vieram os telões, atraindo fanáticos por futebol às quartas-feiras e aos domingos. Sua essência, no entanto, continuou a mesma: boteco de esquina, gente conhecida, e o preço da cerveja - um pouco inflacionado – mas ainda assim, justo. 
 
Abandono, saudades ou simplesmente um vazio na cidade cinza. A sensação de perdermos o Samarão é unânime. Órfãos, continuaremos em busca de um novo bar, uma nova casa, um novo espaço. Pode até parecer papo de bêbado, mas existe algo que não teremos dúvida: independente do que apareça, seremos sempre + Samaro.
 

Comentários

Fernando Bueno - Thu, 26/01/2012 - 11h01 -

Sou + Samaro pra sempre! Obrigado por tantos anos de cerveja gelada!

Post new comment

The content of this field is kept private and will not be shown publicly.
 
 
 
links patrocinados
Adeus ao Samaro


Agenda

Maio
sáb
26
dom
27
seg
28
ter
29
qua
30
qui
31
sex
01
publicidade
publicidade