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"Aprendi a dar mais personalidade àquilo que faço"
Verônica Ferriani celebra 5 anos de carreira e lança CD após deixar arquitetura
Monday, 23 March, 2009 - 13h42
Créditos: Divulgação/Dani Gurgel
No momento em que a música brasileira abre suas portas para a nova geração de compositores e intérpretes, surge Verônica Ferriani. Paulista de Ribeirão Preto, aos 30 anos, a cantora já dividiu o palco com artistas como Beth Carvalho, Marcelo D2 e Jair Rodrigues.
Apresentou-se pela primeira vez há cinco anos por meio de uma parceria com o compositor Chico Saraiva e acaba de lançar seu primeiro CD homônimo, que traz entre diversas releituras, clássicos de Gonzaguinha ("Sorriso nos Lábios") e Paulo César Pinheiro ("Bem Feito").
Arquiteta formada pela FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), Verônica também estudou na Groove (escola de música), descobriu o jazz, a música contemporânea e se jogou no samba carioca. Além de seu trabalho solo, ela integra a banda Gafieira São Paulo junto com artistas da nova geração como Cahê Rolfsen, Conrado Goys e Thiago Rabello, entre outros. Carismática e delicada, simplesmente é apaixonada por música e procura fazê-la "de maneira que traga uma verdade", como ela mesma define.
Em entrevista ao !ObaOba, ela contou um pouco sobre suas influências, trajetória e projetou os próximos passos de sua carreira.
!ObaOba: Como a música surgiu na sua vida?
Verônica: A música está presente na minha vida desde criança. Ganhei um violão aos 8 anos, comecei a fazer aula e cantar. Na verdade, minha família é muito musical - ninguém é músico profissional, mas todo mundo gosta e sempre se reúne com ela como motivo; acho que é uma coisa bem da minha casa mesmo.
Como sempre gostei de arquitetura, fui estudar e deixei a música apenas como hobby. Depois, no fim da faculdade, fui para a escola Groove e aí senti mesmo um ímpeto de cantar; conheci o Chico Saraiva e as coisas foram acontecendo.
!ObaOba: Em que momento você decidiu que faria música profissionalmente?
Verônica: Decidi no final de 2002, quando já estava bem envolvida com a música. Eu estava terminando a faculdade de Arquitetura e estudando na Groove, mas a música já estava fazendo parte de quase tudo... Tanto que fiz meu TCC baseado na linguagem visual com a musical.
!ObaOba: Como foi deixar a arquitetura pela música? Você sentiu receio em algum momento?
Verônica: Não tive nem um pouco de receio. Eu já tinha trabalhado como arquiteta (como estagiária) e mesmo sem nunca ter pensado em ter a música como ganha pão, foi algo muito natural. O meio musical foi se abrindo para mim e eu fui.
!ObaOba: Já há quem diga que você é cantora de samba, concorda com isso?
Verônica: Eu fiquei conhecida pelo samba e por cantar com pessoas do gênero. Fui para o Rio de Janeiro e entrei nas rodas! O que acontece na verdade é que o samba é o fio condutor mais forte do meu trabalho. Não nasci nele, mas é algo que eu realmente gosto demais e faço com carinho, aí depois vêm as minhas outras referências musicais.
!ObaOba: Quais são suas influências e os artistas que te inspiram?
Verônica: Sou muito influenciada pela MPB das décadas de 60 e 70. Quando comecei a estudar música na Groove veio o jazz, também o samba, a música latina, européia... Gosto muito de música contemporânea com novas linguagens, novas sonoridades.
Os artistas que me inspiram são muitos, mas tem as clássicas Nana Caymmi, Elis Regina, Clara Nunes e as mais novas como a Mart´nália, a Mayra Andrade, a Camille e a Céu.
!ObaOba: Como rolou sua parceria com Chico Saraiva? Foi ele quem te impulsionou a seguir carreira musical?
Verônica: Eu não conhecia muito do Chico na época, mas ele estava procurando uma cantora para acompanhá-lo em um trabalho e uma professora da escola em que eu estudava me indicou. Nos conhecemos, ele gostou e saímos em turnê.
Com certeza, ele foi o ponto de partida na minha carreira porque foi quem me abriu espaço. Foi cantando com ele que conheci a Beth Carvalho e passei a ser assistida por pessoas importantes do meio musical que começaram a me convidar para tocar. Passei a ser vista por compositores, produtores etc.
!ObaOba: Como tem sido cantar com a Gafieira São Paulo?
Verônica: A Gafieira é uma banda que tem três anos e reúne músicos paulistas da nova geração. É o som da gafieira moderna com releituras e arranjos da própria banda, além de ser super bacana fazer esse trabalho com amigos como o Cahê Rolfsen (violonista, cantor e compositor), a Tatiana Parra (cantora) e outros. Gravamos um disco em 2008 que está para ser lançado logo mais!
!ObaOba: Você compõe? Como é esse processo para você?
Verônica: Componho letra e música, às vezes sozinha, às vezes em parceria. Mas ainda é algo muito novo para mim. Dou muita atenção ao meu trabalho como intérprete, mas chega uma hora em que se sente uma necessidade de colocar algo seu, dar mais personalidade. Mas isso tudo ainda é novidade no meu trabalho.
!ObaOba: Quais mudanças você sentiu no seu trabalho nesses cinco anos de carreira?
Verônica: Esses cinco anos serviram para eu me definir melhor. Fui conhecendo diversos artistas e cada um que você tem a chance de trocar figurinha vai acrescentando mais. Aprendi a me colocar mais como pessoa na música e assim dar mais personalidade naquilo que faço.
!ObaOba: Quais são os próximos passos da sua carreira?
Verônica: Neste ano estou lançando meu CD solo, continuo na Gafieira São Paulo e entro em estúdio com o Chico Saraiva e fico até junho gravando para o Projeto Pixinguinha, além de fazer shows por aí.
!ObaOba: E o que gosta de fazer quando não está fazendo música?
Verônica: Gosto muito de ler, sou muito caseira, gosto de acordar cedo e dormir cedo, aproveitar o dia e, principalmente, estar sempre em contato com pessoas!

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