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Daniel do Digitaria em entrevista exclusiva!
Wednesday, 14 January, 2009 - 10h05
Créditos: MySpace / Foto por: Bruno Mooca
O Digitaria é um duo formado pelos mineiros Daniel Albinati e Daniela Caldellas. Eles são os únicos brasileiros a fazerem parte do casting do renomado selo Gigolo Records do DJ Hell, junto com nomes fortíssimos da música eletrônica como Tiga, Miss Kittin and The Hacker, David Carreta, Fischerspooner, Vitalic, Oliver Huntemann, entre outros.
As vésperas de lançar seu segundo álbum pelo selo alemão, Daniel nos concedeu essa entrevista antes de vir para São Paulo, onde o duo se apresenta nessa quarta-feira às 21hs na rádio online Drop Kick e depois no projeto Valeta! no Vegas Club.
Confira abaixo um pouco da história e o que podemos esperar do Digitaria em 2009.
!ObaOba: Qual foi a inspiração que vocês tiveram para montar o Digitaria?
Daniel Albinati: Acho que a idéia é mais ou menos a mesma de qualquer pessoa ou grupo de amigos que resolvem criar um projeto musical... Éramos apaixonados por música e já tínhamos experiência com outras bandas, tínhamos todo o equipamento à disposição e resolvemos começar algo novo. Na época tinha muita coisa acontecendo de legal no mundo da música e a tecnologia estava mudando muito rapidamente, era muito excitante! Começamos experimentando devagarinho e quando vimos já tínhamos várias faixas em andamento... Aí foi só achar o nome pra coisa se tornar oficial.
!ObaOba: A cena de BH cresceu bastante, mas como estava essa cena na época do surgimento da banda? Foi muito difícil conquistar um espaço?
Daniel Albinati: Foi como para qualquer banda ou DJ. Começamos tocando em lugares pequenos, em festas de conhecidos, e aos poucos fomos nos tornando um pouco mais importantes na cena, o que nos deu novas e melhores oportunidades. Trabalhamos muito sério desde o início, tudo que aconteceu de lá pra cá foi um resultado disso.
!ObaOba: Dois anos depois de surgir o Digitaria vocês foram convidados para fazer parte do casting do renomado selo alemão Gigolo Records que tem artistas de peso como Miss Kittin, the Hacker, Vitalic, entre outros. Como surgiu o convite? Pegou vocês de surpresa ou já estavam esperando de alguma forma?
Daniel Albinati: Bem, sempre pensamos em mandar material para vários selos, imaginávamos que alguém no planeta talvez se interessasse pelo nosso som, mas nunca imaginamos que esse selo seria a Gigolo, porque era um selo grande e importante demais, com muitos artistas de quem éramos grandes fãs. Na época o Fabiano, que hoje não faz mais parte do Digitaria, encontrou o Hell numa festa na Itália e deu um CD demo para ele com algumas músicas. Dois meses depois o Hell veio para o Brasil e nos escreveu, falando que queria nos encontrar e ouvir mais material. Passamos uma semana com ele no Rio de Janeiro, depois ele veio para BH, tocamos juntos e ele gostou muito de tudo. Falamos para ele que estávamos gravando um álbum, e ele disse que se fosse bom tinha interesse em lançar pela Gigolo. Ficamos quatro meses finalizando o disco e então foi lançado.
!ObaOba: Como funciona o processo criativo de vocês? Rola o famoso brainstorming ou cada um já vem com uma ideia própria?
Daniel Albinati:Não tem nenhuma regra, e sempre fizemos questão de que fosse assim. Muitas vezes a Daniela já chega com uma música totalmente estruturada, e muitas vezes eu desenvolvo uma canção sozinho também. Com as ideias já claras, nos juntamos para começarmos a refinar mais a música, dando opiniões, mudando timbres, pensando em letras...
!ObaOba: Qual foi a impressão que tiveram na primeira tour que fizeram? Estavam muito nervosos?
Daniel Albinati: Bem, na época tinha acontecido tanta coisa com o Digitaria que pareceu natural irmos pra Europa, já que a sede da Gigolo é em Berlin. Alugamos um apartamento lá por três meses e era nossa casa nos dias de semana quando não estávamos viajando para tocar. Fizemos muitos amigos, tocamos muito e foi excelente para nós. Certamente vamos fazer a mesma coisa após o lançamentos do novo material.
!ObaOba: Quando lançaram o primeiro álbum pela Gigolo, o Digitaria, as faixas eram do electro rock até o experimental. O que mudou nas produções de lá para cá, já que estão para lançar o próximo álbum?
Daniel Albinati: Bem, eu acho que esse rótulo de electro-rock era mais no palco do que no disco em si. Nas músicas nunca tivemos muitas idéias pré-definidas do que íamos fazer, fazíamos o que estávamos com vontade na hora. Mas como a banda tinha um baixista e um guitarrista, na hora de passar pro palco acabava que passava essa aura de electro-rock. Atualmente o Digitaria é só eu e a Daniela, e as coisas fluem bem melhor assim que antes, a comunicação é muito mais fácil, e a estrutura de shows também. Ao vivo direcionamos o som bem mais para as pistas, mas em estúdio a filosofia ainda é a mesma, fazer música eletrônica livre, usar vocais, letras, instrumentos, ruídos. Acho que o que fazemos atualmente não se encaixa em nenhum sub-rótulo da música eletrônica, iríamos ficar muito entediados se ficássemos presos a uma fórma ou um estilo sempre.
!ObaOba: Onde você faz suas pesquisas musicais atrás de sons que podem ser utilizados nas produções já que a responsabilidade só cresce quando se lança um álbum anterior que fez sucesso mundialmente?
Daniel Albinati: Nunca sentimos uma responsabilidade dessas nos ombros, acho que isso não é bom para nenhum artista. Se tentássemos fazer um outro hit como foi ´Teen Years´, certamente iria dar errado. O que fazemos é continuar tocando o que gostamos da forma que gostamos, fazendo novas músicas, aprimorando nossa técnica de produção e criação. Nossa pesquisa musical é bem ampla, gostamos de uma infinidade de coisas que acabam que influenciam muito nosso som, e isso é um processo que não para, já que sempre estamos conhecendo novas bandas e linguagens.
!ObaOba: O que podemos esperar desse novo álbum e do Digitaria para 2009? Vem surpresa por aí ou mantiveram a linha das produções anteriores?
Daniel Albinati: O disco está um pouco menos experimental e um pouco mais voltado para as pistas, mas sempre tentamos colocar novas idéias e conceitos na mistura. Também acho que evoluimos muitos como compositores e programadores. No final das contas, são as músicas que criamos e lapidamos desde que voltamos da Europa. Estamos muito satisfeitos com os resultados, e espero que as pessoas gostem também.

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