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Digão e a expectativa de tocar no SWU
Vocalista do Raimundos fala sobre o show e a nova fase da banda
Thursday, 10 November, 2011 - 15h46
Digão e outros integrantes do Raimundos
O Raimundos, uma das grandes bandas surgidas no Brasil na primeira metade dos anos 1990, sofreu um grande baque após a repentina saída de Rodolfo, em 2001. Desde então, a banda, agora com o guitarrista Digão nos vocais, tenta angariar novos fãs e manter o público de outrora. Sem gravadora e tocando em locais menores, o Raimundos foi pego por uma grata surpresa: foi a banda nacional mais pedida nas redes sociais pelo público do Festival SWU, que rola nos dias 12, 13 e 14 de novembro, em Paulínia, no interior paulista.
E foi durante uma visita ao complexo SWU que o ObaOba conversou com Digão, que se mostrou bem animado para o show e com a nova fase da banda, que também tem Canisso no baixo, Marquim na guitarra e Caio na bateria: "Eu nunca senti tanto prazer tocando ao vivo como eu sinto hoje em dia". O vocalista e empresário do Raimundos também deu uma provocada nos "colegas": "Estão faltando bandas de rock and roll de verdade. Que chutem o balde mesmo".
Leia a entrevista completa com Digão, do Raimundos:
Como vocês receberam a notícia de que o Raimundos foi a banda nacional mais pedida das redes socais?
Da vontade de chorar de alegria, de realização, de agradecimento. Nós sempre dissemos que os fãs do Raimundos são o quinto elemento da banda. São os caras que colocam a gente lá em cima. Os moleques mostraram muito força. Eu fiquei de cara com o poder que as redes sociais têm. Quando a gente começou essa história de banda, ainda existia um mercado, se vendia CDs, fã-clubes se comunicavam por cartas. E hoje nós percebemos como a internet é forte. Uns moleques que colocaram a gente. O Raimundos ama esses moleques, eles são nossos amplificadores.
E as pessoas que votaram em vocês para tocar no SWU não são as mesmas que ouviam a banda nos anos 1990, né?
É um público novo. É mais difícil conquistar nosso público antigo do que a galera nova. Os meninos novos estão de coração aberto, com HD novo. Eles não têm aquela coisa do passado. Eles acham nossas músicas maneiras, o show bom. A molecada nova que perde tempo no Twitter pedindo a gente é a mesma que está na boca do palco. Garotos de 15, 16 anos que estão quebrando tudo, agitando os shows, dizendo “Poxa, sempre quis ir num show do Raimundos, mas era muito garoto e não podia”. É muito legal.
O Raimundos ficou um bom tempo longe da grande mídia. Como é para você voltar a tocar num grande festival como o SWU?
A gente nunca parou. Foi um trabalho de formiginha. A banda nunca deixou de acreditar. Eu estive fora da grande mídia, mas nunca deixei de tocar, de fazer shows. Eu assumi a parte empresarial da banda, porque eu achava que era o momento de me reencontrar como pessoa e aprender coisas que eu deveria ter aprendido naquela época para ter mais controle sobre o Raimundos. Chegou uma época que a gente não tinha mais controle. As pessoas achavam que tinha de ser de um jeito, a banda achava que era de outro. Se as coisas não dessem certo a culpa seria de quem? Do Raimundos, não de quem estava direcionando. Quem põe a cara pra bater sou eu. Eu pensei: “Já que é na minha cara que vão bater, deixa que eu assumo”, sacou?
O Canisso voltou novamente ao Raimundos faz algum tempo. Como está a “pegada” da banda hoje?
O Canisso é a cara do Raimundos, o som dele resgatou a nossa sonoridade. Nós mudamos o set, a banda voltou a ser o que era, mais underground, tocando as músicas mais “porrada”. Nós nunca arregamos, sempre remamos com muita disposição. Nunca pensei “Acho que vou parar”. Isso nunca passou pela minha cabeça. Eu já quis mudar o Raimundos, tanto que o Fred acabou saindo. Mas o Canisso voltou e acabou tudo bem.
E os outros dois integrantes, o Caio na bateria e o Marquim na guitarra?
Durante os shows, eu gosto de olhar para trás e ver o Caio tocar. Ele está sempre cantando junto, empolgadaço. Isso me dá um gosto, sabe? O Marquim destrói na guitarra. A gente se diverte muito, têm uma interação muito boa, backing vocals afinadinhos, perfeitos. Eu nunca senti tanto prazer tocando ao vivo como eu sinto hoje em dia.
Queria que você apontasse as diferenças entre o Raimundos com o Rodolfo e com o Digão nos vocais.
É muito diferente a época do Rodolfo e a nossa. Naquele tempo nós tinhamos gravadora, vendia-se discos, empurravam nossas músicas no rádio. Nós tínhamos uma força maior. É difícil comparar. Mas eu garanto que nos shows a energia é a mesma, a galera ainda agita do mesmo jeito, então eu não vejo muita diferença não, só o fato de eu cantar mesmo. Mas isso já estava selado na nossa primeira demo tape: o Rodolfo cantava duas e eu cantava duas. Já estava tudo traçado.
Em 2010, vocês fizeram alguns shows com o Tico Santa Cruz, dos Detonautas, nos vocais. Por que o projeto não foi para frente?
A nossa ideia era essa mesmo. Só dar um rolê com ele cantando. Acabou se tornando uma espécie de big band, sabe? A gente começou só com ele nos vocais, mas a galera começou a pedir as duas bandas juntas. Foi legal. Foi muito válido. O Tico é um cara visionário, tem uma postura rock and roll. Foi bom para o Raimundos. Alguns fãs não gostaram, mas isso é normal. A experiência foi boa para a gente, boa para eles. Foi bom para todos.
O Alice in Chains, que toca no SWU no mesmo dia que vocês, também substituiu o vocalista e continuou na estrada. Você acha que a banda perdeu muito, assim como vocês sentiram com a saída do Rodolfo na época?
Cada caso é um caso, não dá para comparar as coisas. O Jerry Cantrell podia muito bem continuar sozinho, mas ele precisava do outro vocal. E ele é um p...guitarrista. Acho que a história do Raimundos lembra mais a do Barão Vermelho. Inclusive, o Frejat é uma grande inspiração para mim. Eu pensei: “Se ele conseguiu, eu posso conseguir também”.
E você acha que o fato do Raimundos ser a banda nacional mais votada para tocar no SWU escancara o fato do Brasil não ter nenhum novo grupo de rock interessante?
Realmente, depois daquela época - de Raimundos, O Rappa, Charlie Brown, Planet Hemp - não vi nenhuma banda que me fez pensar: “C... Essa banda é muito foda. Vou comprar o disco desses caras”. Estão faltando bandas de rock and roll de verdade, sabe? Que chutem o balde mesmo.
O último trabalho do Raimundos é o registro ao vivo Roda Viva, lançado este ano. O show de vocês no SWU vai ser baseado neste DVD?
Basicamente vai ser o show do DVD, mas com algumas alterações. Imagina só contar toda a história do Raimundos em apenas 45 minutos? E a molecada, por mais que você coloque as mais legais no setlist, sempre falam “toca aquela, toca aquela”.
Quando o Raimundos surgiu, no início dos anos 1990, você e o os outros integrantes eram muito moleques. Mais de 20 anos se passaram desde então. Hoje em dia você já é um quarentão. Enxerga o rock de outra maneira?
Eu não enxergo muito essa “cena” atual. Eu vou no que gosto. Se você pega meu iPod, só encontra velharia. No próximo disco, eu não estou preocupado com rádio, essas coisas do tipo. Vai ser um chute no pau da barra do rádio, um suicídio radiofônico. Eu quero tocar o rock, o que eu acredito, o que eu gosto, o que eu sinto.
E disco novo do Raimundos, já tem data prevista de lançamento?
Não. A gente ainda está trabalhando o Roda Viva, estamos fazendo os festivais. Não estamos nem pensando nisso, apesar de termos material pra caramba. Passagens de som, riffs que eu crio, eu gravo tudo. Já temos músicas prontas, inclusive. Mas a gente ainda não parou para sentar e gravar.

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