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Dona da Daspu conversa com o !ObaOba

No dia 10 de abril, Gabriela Leite lança seu segundo livro Filha, Mãe, Avó e Puta

Por: Jade Petronilho

Thursday, 02 April, 2009 - 11h20

 

Créditos: Divulgação

Ao anunciar a criação de uma nova marca de roupas no ano de 2005, Gabriela Leite surpreendeu a todos com a ousadia de sua proposta. Em alusão ao templo paulista do consumo de luxo Daslu, a ex-prostituta batizou estrategicamente sua grife de Daspu (referência à antiga profissão de sua fundadora). Apesar de o pessoal na Daslu não ter achado graça nenhuma, a imprensa adorou a ideia e deu ampla cobertura ao lançamento. Mas causar tanto rebuliço nunca foi a intenção "das pu". Na realidade, a marca foi lançada com um só objetivo: arrecadar fundos para a ONG Davida - que luta em prol dos direitos das prostitutas.

Mas aos quatro anos, a Daspu continua firme e forte. Seus modelos já foram utilizados por celebridades como Adriane Galisteu e Nana Gouveia e fizeram parte do figurino da prostituta Bebel, vivida por Camila Pitanga na novela "Paraíso Tropical", da Globo. Não à toa, a marca já pode ser encontrada em outros países e, com certa periodicidade, promove seus próprios desfiles de moda.

Quem usa Daspu atualmente? "Pessoas descoladas da classe média, algumas prostitutas e quem é a favor da causa que defendemos", respondeu Gabriela em entrevista ao !ObaOba. Orgulhosa de seus feitos para a classe, a ex-prostituta que já é avó lança nesta sexta-feira, 10 de abril, seu segundo livro, Filha, Mãe, Avó e Puta. Com um nome desses, a obra promete dar o que falar - e falar o que dá, diga-se de passagem!



!ObaOba: Seu novo livro aborda questões familiares e sua antiga profissão. Como sua família encara isso atualmente?

Gabriela Leite:
Tenho quase 30 anos de militância (risos). Comecei na década de 70 e desde então, minha família sempre soube. A princípio não foi fácil para eles conseguirem entender, mas sempre adotei a postura de falar e não ter vergonha disso. É claro que eu não fico no bar contando o que eu faço, mas se me perguntam, eu digo.

!ObaOba: E o seu marido, como lida com isso?

GL:
Meu marido trabalha comigo e está envolvido nessa história toda. Ele é um jornalista respeitado em sua profissão e é o editor da nossa revista (Beijo da Rua) desde 89.

!ObaOba: O que mais influencia alguém a se prostituir?

GL:
Ser prostituta é a mesma coisa que ser jornalista, por exemplo. É um trabalho como qualquer outro. A pessoa é influenciada pelo fato de todos termos que trabalhar em alguma coisa.

!ObaOba: Então, por que você acha que algumas prostitutas têm vergonha de assumir o que fazem?

GL:
Principalmente porque é algo muito difícil perante a sociedade. A maioria das prostitutas acaba assumindo uma vida dupla para poder levar a profissão.

!ObaOba: Recentemente, você declarou que dava conselhos de vestimenta às colegas. Como uma prostituta deve se vestir?

GL:
Houve um tempo em que as meninas mais pobres estavam muito mal vestidas, elas estavam gordas e andavam de chinelinho. Um dia, cheguei para elas e falei: "P , gente! Não tem que ser assim!" Elas tinham muita mania de comer Miojo e, com isso, ficavam com aquela barrigona. Um tempo depois, um amigo antropólogo comentou comigo que elas estavam com uma aparência bem melhor e eu fiquei bastante feliz com isso. É tudo uma questão de auto-estima e elas precisavam melhorar a aparência.

!ObaOba: Atualmente, qual é o perfil de quem veste Daspu?

GL:
Hoje, quem veste Daspu são pessoas descoladas da classe média, algumas prostitutas e quem é a favor da causa que defendemos.

!ObaOba: Qual o seu estilista preferido?

GL:
Adoro, amo, mas não tenho dinheiro para tanto (risos). Minha marca predileta é Chanel, por tudo o que ela representou e por eu achar tudo muito bonito. Quando fui para Milão, parei em frente à loja e achei linda!

!ObaOba: Na sua opinião, o que deveria ser feito para que o índice de prostituição infantil diminuísse?

GL:
Acho que todos deveriam trabalhar juntos nessa questão. Não é só na prostituição que vemos crianças sendo exploradas, mas em um todo, tem muita criança trabalhando e isso é errado! Numa sociedade justa, tempo de criança é tempo de brincar e estudar.

!ObaOba: Quais os próximos projetos da Daspu e da ONG?

GL:
Recentemente, demos uma modernizada no site e vamos voltar a fazer camisetas com frases provocantes. Na questão política, vamos fazer pesquisas e também estamos com alguns projetos culturais.

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