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Dono do Vegas fala das novas casas que abrirá em SP
Facundo Guerra se une aos proprietários do Royal e da Clash em novo empreendimento
Sunday, 10 January, 2010 - 22h01
Créditos: Fábio Tavares
Facundo Guerra é jornalista por formação, mas descobriu um talento nato longe das redações. Ele trabalhou na área editorial por um bom tempo, até decidir jogar tudo para cima e investir seu fundo de garantia em uma casa noturna, o clube Vegas. O jovem empresário, no entanto, não imaginava que sua empreitada revolucionaria a Augusta, uma das ruas mais famosas de São Paulo. Ao lado dos amigos José Tibiriçá (Tibira) e João Cury, Facundo levantou a casa em poucos meses, utilizando técnicas e materiais que deixaram o lugar esteticamente bonito, sem gastar muito dinheiro, como se fosse um cenário.
Quase quatro anos depois, o Vegas pode ser considerado um marco na noite paulistana, um verdadeiro divisor de águas. Com a abertura do clube, jovens modernetes e pessoas hypadas passaram a frequentar a região, que inclusive ganhou um novo nome: Baixo Augusta. O lugar que antes era praticamente abandonado transformou-se no palco de grandes acontecimentos culturais. Há quem diga que Facundo e Tibira foram os verdadeiros responsáveis por essa revitalização da Rua Augusta.

Fachada do Vegas na Rua Augusta
Foto: Cuca Pimentel
Diante do sucesso do Vegas, muitas outras casas abriram e até se mudaram para a rua. Neste momento, Facundo decidiu expandir seu negócio e, em 2009 inaugurou dois bares na região dos Jardins/ Centro: o Volt e o Z Carniceria. Para variar, dois negócios muito bem sucedidos.
Pois bem, estamos em 2010 e Facundo Guerra ataca novamente! Dessa vez com mais dois sócios poderosos, além do Tibira. São eles Cacá Ribeiro, proprietário do Royal e Augusto Arruda, do Clash. Com a previsão de abertura para depois do carnaval, o clube Lions, promete ser a sensação deste semestre.
Como se não bastasse, em junho mais uma casa assinada por Facundo deve começar a funcionar no coração de São Paulo, o Pan-Am.
Abaixo, os principais trechos da entrevista com ele.
Como foi o processo inicial do Vegas, você enfrentou dificuldades por conta da localização do clube?
Facundo Guerra - No começo do Vegas, a gente achava a localização inusitada, mas não tínhamos muitas opções, pois eu e o Tibira estávamos com um orçamento bem apertado, insuficiente para alugar um imóvel em um local nobre. Por outro lado, sabíamos que as pessoas bacanas que frequentariam o Vegas naquele primeiro momento não teriam dificuldades para se locomover até ali. E levamos em conta também o fato de ter um hotel em frente e uma série de estacionamentos bem perto da casa, o que possibilitaria um conforto maior para aqueles que quisessem frequentar o clube, sem ter que passar pela parte inóspita da Augusta.
Por que vocês decidiram abrir dois bares (Volt e Z Carniceria)? E por que os dois ao mesmo tempo?
O Vegas é formado por dois pilares: o rock e o eletrônico. Quando decidimos abrir os bares, pensamos em todos os frequentadores da casa. Foi uma estratégia, não dava para abrir um bar para o público roqueiro e esquecer daqueles que curtem o eletrônico. Ou seja, criamos dois produtos para agradar a todos. Abrimos os dois ao mesmo tempo porque somos loucos! Diria que foi um pouco arrojado da nossa parte, mas por sorte e - por que não? - competência, deu tudo certo. Os dois estabelecimentos acabaram de ganhar o prêmio de melhores bares do ano pelo Guia do jornal A Folha de S. Paulo.

Bar Volt, na Rua Haddock Lobo
Foto: Cuca Pimentel
Qual o segredo para tantos negócios bem sucedidos?
O segredo é fazer o que a gente faz com verdade. Eu só entro em projetos em que acredite piamente. Eu monto um bar ou um clube para mim, dentro dos meus padrões de exigência. Se agrada o público, perfeito. E outra coisa, depois do Vegas a gente não podia fazer nada meia-boca. O Volt e o Z Carniceria são a projeção daquilo que eu e Tibira somos, e o Lions seguirá a mesmo caminho.
Falando um pouco de Lions. Qual a proposta da nova casa?
A idéia é transplantar a vivência de uma rede social para um lugar físico. As pessoas estão cada vez mais apegadas ao universo das redes, como Facebbok, Twitter, Orkut. Imagine se fosse possível pegar essa galera que você tem na sua lista de amigos e reservar um lugar onde vocês possam se encontrar semanalmente para tomar um drink e dançar. Além disso, o Lions será mais do que uma casa noturna, estamos falando de um clube de sócios, como acontecia antigamente.
Mas como isso se dá na prática?
Bom, antigamente, os sócios eram escolhidos através de critérios materiais, como a porcentagem que iriam investir naquela ocasião ou de acordo com a cota que comprariam daquele lugar. Nosso critério de escolha de sócios é diferente: tem como base o merecimento. Ou seja, as pessoas que sabem fazer festa mesmo, que sabem se divertir e que animam a noite serão escolhidas.
Mas apenas sócios poderão frequentar o Lions? Qual a vantagem de ser um membro escolhido?
Não! As pessoas que não estiverem na relação de sócios – cerca de 2 mil pessoas, 500 escolhidas por cada um dos donos -, também poderão se divertir no Lions. A única diferença é que os sócios serão prioridade da casa, ou seja, se estiver lotada, aquele que apresentar o cartão de membro do clube passará na frente dos demais. Essa é uma das vantagens, não pegar fila. Outra delas é que o sócio nunca pagará para entrar. Além disso, cada sócio poderá convidar quatro pessoas por mês para visitar o Lions.
Que tipo de som vai rolar no clube novo?
A casa não terá um gênero definido. Ou seja, não é um clube de eletrônico, nem de rock, e sim de todos os gêneros. Queremos chamar, por exemplo, DJs de rock para tocar blues ou um DJ de uma festa mais playboy para mostrar o lado B do seu set.
Qual é a capacidade da casa? E o que você apontaria como diferencial?
O Lions tem espaço para 300 pessoas e a grande sacada é a iluminação da pista de dança, que será toda em 3D. E não pensem que gastamos milhões, o princípio da iluminação parte de um truque óptico super simples, que era usado pelos franceses no século XIX.
Além do Lions, quais os planos para 2010?
Abriremos mais uma casa este ano, eu e o Tibira. O Pan-Am deve abrir em junho, será também no centro da cidade e deve ser o substituto do Vegas.

Pista do Vegas
Foto: Cuca Pimentel
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