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Douglas Drumond e a política LGBT
Presidente do Casarão Brasil expõe projetos ao ObaOba
Monday, 07 June, 2010 - 10h35
Todos conhecem a força da comunidade LGBT paulistana. Não é à toa que a maior parada gay do mundo acontece em São Paulo. Mas será que os homossexuais têm o mesmo apetite quando o assunto é política? Douglas Drumond prova que sim. Presidente do Casarão Brasil e da Câmara de Comércio GLS, além de ser conselheiro do CADS - a Coordenação de Assuntos da Diversidade Sexual -, Drumond defende com unhas e dentes os direitos dos homossexuais. A ausência de figuras políticas que se identifiquem com a causa LGBT no Brasil faz Drumond ter o ex-senador norte americano Harvey Bernard Milk como referência. Ao menos a personalidade de Milk, Drumond provou ter. Não fugiu de nenhuma pergunta. Pelo contrário. Confira!
Como surgiu seu interesse por política?
Na verdade, eu comecei a desenvolver um trabalho social com a comunidade GLS e isso acabou me empurrando para a política automaticamente. Porque sem os órgãos governamentais e sem uma instituição polítca você não consegue realizar nada. Meus caminhos me levaram para a política. Fui empurrado pelo destino.
Você tem pretensões de concorrer a algum cargo majoritário em próximas eleições?
Sim. Mas não nessas próximas eleições. Acho que ainda não é o momento para eu me candidatar, pois eu tenho muito trabalho com o Casarão Brasil e a Câmara do Comércio. Mas eu tenho pretensões políticas, sim. Não agora, não esse ano. Talvez me candidate a vereador daqui a dois anos, mas só se eu já tiver com meu trabalho evoluído, pois tenho muita coisa pra fazer com as duas associações.
O que é o Casarão Brasil?
O Casarão Brasil abriga todas as ONGs com assuntos GLS. A gente já tem 40 ONGs trabalhando aqui dentro. Temos salas de reunião, escritórios, computadores, secretárias, enfim, tudo para ajudar as ONGs a executarem seus projetos. Além disso, nós acabamos de inaugurar uma unidade de saúde específica para atender doenças sexualmente transmissíveis. O Casarão Brasil também trabalha na revitalização da Rua Frei Caneca e tem um projeto de desenvolver, ainda em 2010, um abrigo para moradores de rua homosexuais.
E a Câmara de Comércio GLS?
A Câmara de Comércio tenta unir os profissionais com a intenção de alcançar maior lucratividade, trocar experiências. Também desenvolvemos planejamento de marketing conujnto, planejamento político. Por exemplo, nós reunimos todos os bistrôs e bares GLS de São Paulo. Este mês, nós desenvolvemos um festival de pratos e drinks GLS. Também organizamos recentemente o primeiro encontro de literatura GLS. Já ocorreram encontros de médicos gays e lésbicas. Esses eventos possibilitam a troca de experiências e todo mundo evolui bastante.
Você vê diferenças entre as administrações de Marta Suplicy e Gilberto Kassab na cidade de São Paulo?
Olha, a Marta é uma homofóbica estrategista. Ela usou a parada Gay para se promover e ganhar votos, essa mulher nunca fez nada pelos homossexuais. Os prefeitos de Berlim e Paris são assumidamente gays, já o Kassab apoia nossos projetos, favorece os homossexuais. Não assume que apoia, mas sempre manda assessores. Eu gosto muito da diversificação do Kassab.
E aquela polêmica que envolveu Marta e Kassab nas últimas eleições. O que você achou?
A gente enxergou esse caminho estrategista da Marta e conseguiu eleger o Kassab. Eu não sei qual é a orientação sexual do prefeito, mas a Marta tentou insinuar que o Kassab é gay, e a comunidade LGBT considerou essa atitude muito antiética. E no fim, ela acabou sendo detonada nas eleições por conta disso.
Qual a força da comunidade gay da cidade de São Paulo?
Nós somos a maior comunidade gay do mundo. Temos a maior parada gay do mundo. Então quando eu falo que "nós" conseguimos eleger o prefeito eu não estou exagerando. Nós temos essa força, sim.
É mail difícil ser político sendo homossexual?
Por conta do abandono sofrido durante a adolescência, o gay atinge a responsabilidade eleitoral um pouco mais tarde. Eu não acho que exista preconceito, mas o gay em si demora muito para votar. É preciso desenvolver um trabalho que politize os homosexuais, para que tenhamos uma resultado positivo dos candidatos que defendem a causa.
Quais foram as principais conquistas dos homossexuais brasileiros nos últimos anos?
Agora as travestis podem ter nome próprio, os gays têm contrato de união estável, mas esse contrato nos faz perder 37 itens em relação a um casamento comum, nós não estamos satisfeitos com esse contrato. Então, eu acho que as conquistas são poucas. O movimento homossexual no Brasil está muito defasado.
O que você achou dos oito anos de governo Lula?
O Lula é legal com os homossexuais, mas o pensamento coletivo homofóbico do governo atrasa nossos projetos. Até hoje a lei que criminaliza a homofobia não foi aprovada no Congresso.
Tem alguma preferência para a presidência da República em 2010?
Marina Silva nem pensar! Uma candidata que diz: "Oi, meu nome é Marina, sou evangélica" em um Estado que deve ser laico, para nós, homossexuais, é terrorismo. A Dilma não nos prejudicaria, seria uma continuação do Lula. Eu vou trabalhar incessantemente pelo Serra. Nós vamos apostar nele.

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