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Entrevista com o DJ e produtor Renato Ratier
Friday, 09 March, 2007 - 14h00
Créditos: Divulgação
O DJ Renato Ratier é considerado hoje um dos nomes mais aclamados da house music no Brasil. Mas ele não se prende apenas a este estilo, vindo de Chicago. Seus sets passeiam pelo techno, flertam com o electro, disco-punk, rock e groove. É justamente essa mistura de batidas que caracteriza e agrada este artista, que ouve até música clássica.
Quando tinha 18 anos, resolveu ir morar na Califórnia, nos Estados Unidos. A agitação cultural de lá e de outras cidades estrangeiras que visitou lhe rendeu um grande apanhado da cultura de vanguarda e de diversificadas vertentes musicais. Quando voltou ao Brasil possuía em sua bagagem muitas novidades e estava pronto para inovar a cena brasileira.
A iniciativa de mostrar tudo isso na noite começou com festas para convidados, em sua própria casa, e que se tornaram constantes e, graças a elas, proporcionaram ao DJ inaugurar três clubs: O D-Edge, em São Paulo e Campo Grande (o segundo não funciona mais) e o Tozen, também na capital de Mato Grosso do Sul. Atualmente é residente do seu club em São Paulo, às sextas, na festa “Freak Chic”.
Os eventos que organiza atualmente, em Mato Grosso do Sul, chegam a ter até 9.000 pessoas em cada festa. Com todo esse sucesso a cena noturna da região central do país aumentou e se transformou em roteiro obrigatório para as apresentações de DJs mundialmente conhecidos.
No começo de 2003 fez sua primeira turnê nos Estados Unidos. No ano seguinte se apresentou na África do Sul e em 2005 foi para a Europa, onde comandou uma festa a bordo de um barco, no Rio Tâmisa, na Inglaterra. Também fez parte do line-up dos festivais Skol Beats (2004 e 2006) e Nokia Trends (2006). Hoje, Renato Ratier é figura constante nas festas dos clubs ao redor do planeta.
Recentemente o artista conquistou mais um marco: em janeiro deste ano se tornou oficialmente o primeiro brasileiro a produzir um álbum pela gravadora Deejay Gigolô, que é do top DJ alemão Hell. O disco se chama “Brazilian Gigolô mixed by Renato Ratier”, e a distribuição é pelos selos Lado Z (Brasil) e Gigolo Records (Alemanha).

A produção deste trabalho possui influências de electro-house, acid, minimal e techno. Vale destacar as músicas “Listen To The Hiss” e “Sex Rebel”, que passeiam entre estilos roqueiros, misturados a sons mais instrospectos. Já a última faixa -“Inside the Roof" - marca a estréia de Renato como produtor, ao lado do DJ Propulse aka Fabiano Zorzan.
Confira a entrevista que demorou quase um mês para ficar pronta devido a quantidade de viagens e projetos que o DJ e produtor faz pelo mundo. Tanto é que no próximo semestre ele embarca para a Holanda, dentro da "Paradise/D-Edge – The Dutch Tour 2007", uma parceria entre o D-Edge (SP) com o club Sugar Factory, de Amsterdã.
!ObaOba: De começo, vamos falar do seu novo trabalho. Para produzir este CD, você recebeu 250 músicas de vários artistas, enviadas pelo DJ Hell. Qual foi seu critério para escolher as 14 faixas do "Brazilian Gigolo mixed by Renato Ratier"? Você as ouvia e pensava o que podia fazer? Qual era a sensação?
Renato Ratier: O critério foi selecionar faixas que eu toco atualmente ou tenha tocado num passado recente. Há ainda algumas outras que também gosto e que na concepção do projeto foram sendo inseridas, para contar “a história” que eu queria transmitir.
!ObaOba: E quanto as músicas não selecionadas, você pretende trabalhar com elas?
Renato Ratier: Boa parte delas eu já trabalhei ou trabalho, tocando. Em estúdio ainda não tenho nada planejado com o Hell, ou para algum selo específico. O CD tem uma faixa minha, uma parceria com o produtor Fabiano Zorzan que assina como Propulse – a “Inside the roof”- que é a última do disco.
!ObaOba: Como foi o início do projeto com o DJ Hell? Quem teve a idéia inicial de produzir esse álbum?
Renato Ratier: A idéia surgiu do próprio Hell com a gravadora Lado Z, que representa a Gigolo Records no Brasil. Eles queriam fazer uma compilação brasileira, até porque o DJ alemão adora o Brasil, e eu fui escolhido para fazer o trabalho. No início do ano passado, ele tocou no D-Edge e adorou; em junho eu fui para a Europa e acabei tocando numa Gigolo Party, em Barcelona. a convite do Hell. Toquei com a banda mineira Digitaria, que é do selo Gigolô, e com o DJ Oliver Huntemann, que gravou um CD ao vivo no D-Edge, em outubro passado, e saiu recentemente. A partir daí, a amizade com Hell só cresceu.

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