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Entrevista com Paulo Freire
Friday, 27 June, 2008 - 09h19
Créditos: João da Mata
Paulo Freire é violeiro e escritor paulistano, trabalhou como jornalista, mas seu encanto pela obra de Guimarães Rosa o levou até Urucaia em Minas Gerais, onde aprendeu a tocar com grandes mestres da região.
Gravou seu primeiro CD “Rio Abaixo – Viola Brasileira” em 1996, quando já havia publicado alguns livros.
Também fez trilhas sonoras e participou do trabalho de artistas de diversos estilos como Mônica Salmaso, Arnaldo Antunes e Fábio Tagliaferri.
Em entrevista ao !Obaoba, ele nos conta um pouco sobre sua trajetória, e sua relação com a música e a literatura.
!ObaOba - Em que momento você descobriu a importância do universo caipira em sua carreira?
Paulo: Depois que li o “Grande Sertão: Veredas”, eu saí de São Paulo e fui morar no sertão de Minas Gerais, porque me encantei com a história e queria conhecer aquele universo. Foi um processo lento, nada pensado; fui morar no sertão para buscar um caminho musical. Já toquei muitas coisas diferentes, com influência do jazz, por exemplo, mas procuro fazer tudo em uma linguagem de viola.
!ObaOba - Como você se insere no meio caipira mesmo nascido na capital?
Paulo: Sempre gostei de ir pro mato, conhecer a cultura e sempre procurei que a natureza fizesse parte das minhas coisas. Nesse meio, sou o violeiro e contador de histórias.
!ObaOba - Antes de começar a tocar viola, você já tocava violão e guitarra, o que mais te encantou no instrumento?
Paulo: A viola vem com um pacote. Além de seus toques serem muito ricos, no sertão os violeiros puxam as Folias de Reis, observam a natureza e a trazem para a viola. Como gosto de contar histórias, logo me apaixonei pelo instrumento.
!ObaOba - Como você diferencia a música caipira da sertaneja?
Paulo: A música sertaneja e a caipira seguem caminhos diferentes; fazem trabalhos diferentes, com temas diferentes. A única coisa caipira que a sertaneja traz é cantar em dueto.
!ObaOba - Como você avalia o cenário da música popular na atualidade?
Paulo: A música popular sempre esteve em uma fase boa, estamos sempre experimentando muitos assuntos e coisas diferentes. Atualmente, estão aparecendo tanto músicas boas quanto ruins. Essa facilidade de gravar CDs tem dois lados, de um lado permitir os bons trabalhos e, de outro, a falta de amadurecimento de alguns artistas que gravam quando não estão preparados.
!ObaOba - A literatura também ocupa grande espaço na sua carreira, como você define essa junção da escrita com a música no seu trabalho?
Paulo: No meu caso elas andam bem juntas, cada música que faço, mesmo as instrumentais tem uma história, como uma que fiz e se chama Fumacinha da Manta.
Quando escrevo procuro a musicalidade das palavras, o que acaba virando o som das palavras e a história das músicas. O Lambe –Lambe, que é um livro acompanhado de CD, é bem essa mistura.
!ObaOba - Agora, em mês de festa junina, você acha que fala-se mais a respeito da musica caipira, ou são duas coisas distintas? Você é mais requisitado nesses períodos?
Paulo: A tradição caipira é forte em festas juninas, é o modo de vida caipira com a festa caipira, não consigo separar uma coisa da outra.
Quanto aos shows, pra mim é ótimo tocar e cantar para pessoas da roça e da cidade; são histórias que acabam encantando a todos.
Confira o Especial de Festas Juninas
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