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Entrevista: Spok, maestro do frevo

Mestre homenageia seus ídolos com concerto e documentário e arruma tempo pra falar ao ObaOba

Por: AD Luna

Sunday, 29 November, 2009 - 22h00

 

Créditos: Divulgação

Minha entrevista com Spok, 39 anos, estava marcada, no sábado (28/11), às 18h, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O músico, compositor e arranjador Inaldo Cavalcanti empresta seu apelido cinematográfico ao grupo destaque da música instrumental brasileira dos anos 2000. Dali a três horas, ele comandaria mais uma grande e inspirada apresentação da SpokFrevo Orquestra.

A jornada de Inaldo pelo universo da música começou ainda na pré-adolescência, quando o músico começou, em 1983, seus estudos musicais na Escola Polivalente de Abreu e Lima, na região metropolitana do Recife. Daí em diante, tocou com importantes artistas nacionais como Elba Ramalho, Antônio Nóbrega, Chico Science e Nação Zumbi, entre muitos outros, até criar o embrião da SpokFrevo Orquestra, em 2001.

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Nossa conversa atrasou cerca de duas horas. Mas, por um importante e espantoso motivo: a orquestra ensaiava, pela primeira vez, sete músicas novas, compostas cada uma por um maestro da velha guarda do frevo pernambucano. Eles fazem parte de um filme, produzido por Spok, no qual terão suas vidas e obras retratadas. "Será um momento histórico da música pernambucana, da música brasileira", diz Spok, em carregado sotaque pernambucano.

Clique aqui para ver a SpokFrevo Orquestra em ação

Como surgiu a idéia de juntar todos esses mestres do frevo?

Em junho (de 2009), dois desses mestres foram para a UTI: Zé Menezes e Clóvis Pereira. Todo mundo ficou muito preocupado. E, assistindo TV, vi um documentário sobre viola mineira. Ao mudar de canal, vi outro sobre Quincy Jones (maestro norte-americano, responsável pela produção do megassucesso "Thriller", de Michael Jackson). Então, pensei: "Pô, Os Mestres do Frevo!", tenho que fazer esse documentário. Procurei Marcelo Soares, dono do selo Candeeiro Records (de Recife), que comprou a ideia e me apresentou Marcelo Barreto, da (produtora de víde) Ateliê, o qual também adorou. Eles me indicaram (o cineasta cearense) Eric Lawrence para dirigir. Eu, a Ateliê e o Candeeiro estamos financiando esse filme até onde a gente pode. Depois, vamos atrás de patrocínio pra ver se a gente realiza o filme por completo. Será um momento histórico da música pernambucana, da música brasileira. Os mestres toparam a ideia também e estão super felizes.

Por que apresentar esse projeto com os mestres aqui em São Paulo?

Na verdade, São Paulo é uma cereja para o bolo. Como a orquestra tinha esse show agendado e a gente tinha liberdade pra abrir ideias e, como poderíamos ter convidados, achamos que seria proveitoso trazer os mestres e filmar imagens deles fora de Pernambuco, no avião, num palco lindo como esse do Auditório Ibirapuera, eles passeando por São Paulo. Mas esse não é o momento principal. É mais um bom e importante momento. O show principal ainda vai acontecer lá para março ou abril, depois do carnaval de 2010. Os mestres e os músicos da orquestra estão se divertindo e adorando.

O que eles representam para você?

Quando estou perto deles, estou perto da música. Quando eles falam algo pra gente, é a música que está falando. O negócio é tão enorme, tão forte. Bebi, bebo e sempre beberei da fonte deles e é graças a eles que temos conseguido com muita propriedade e dignidade realizar nosso trabalho.

Como foi o ano de 2009 para a SpokFrevo Orquestra?

A orquestra vem realizando sonhos. Não é muito fácil. Mas, posso te dizer que, de 2008 para 2009, acho que a gente realizou uns 60 shows fora do Brasil. Isso é mais um sonho realizado. Imagina viajar com um grupo enorme como esse, (arrumar) passagens de avião, hospedagem, cachê, diárias. A cada ano que passa, mais portas se abrem pra gente. Esperamos que, em 2010, depois do show histórico que fizemos, este ano, na Womex (feira internacional de música que reúne produtores do mundo inteiro), em Copenhagen, na Dinamarca, ainda mais portas irão se abrir para que a gente possa levar o frevo cada vez mais longe.

Pra encerrar, gostaria que você falasse sobre o Instituto Passo de Anjo.

É uma escola cuja principal intenção é trabalhar com as crianças de uma comunidade dos Coelhos (bairro da periferia do Recife). Vamos trabalhar elementos da cultura pernambucana (canto, dança, música, artes cênicas) com crianças entre sete e 10 anos. Estamos finalizando as obras de reforma da casa e tenho certeza que, um dia, o instituto vai ser uma coisa enorme. Eu acredito que esse vai ser mais um sonho realizado, se Deus quiser. E Ele há de querer!

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