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Funk conquista seu espaço no Rio de Janeiro
Após votação, gênero é reconhecido como movimento cultural e marca o começo de uma quebra de paradigmas
Friday, 04 September, 2009 - 09h00
Créditos: Divulgação
"Agora eles (sociedade) vão ter que engolir! Mas não tenho certeza se vão de fato entender...". É o que pensa Vinicius Mesqueu, coordenador e idealizador do projeto Som de Todos, sobre a revogação da lei que impede a realização de bailes funk e da aprovação do projeto que reconhece o estilo como movimento cultural.
A votação aconteceu na última terça-feira, 1º de setembro, na Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro), por deputados estaduais e reuniu admiradores do gênero e personalidades como MC Leonardo (presidente da Apafunk - Associação de Profissionais e Amigos do Funk), DJ Marlboro, Fernanda Abreu e Rômulo Costa (fundador da Furacão 2000), entre outros. Até então, os bailes eram proibidos em comunidades do Rio e chegavam a ser vistos como - e a se tornar de fato - casos de polícia. "A favela está em guerra e o poder público põe a culpa no funk. Só agora estão começando a entender que o funk não é a causa", explica.
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Diferente do funk originário dos Estados Unidos na década de 60, o funk carioca começou a ganhar forma nos anos 80, influenciado pelo Miami Bass, um ritmo da Flórida, com uma batida de hip hop mais rápida e com letras (no mínimo) sensuais. Então por que não pode ser considerado um movimento cultural e musical? Para Vinicius, "(O funk) É mal visto porque é feito pela comunidade e a mídia só mostra o negativo. Não tem jeito, é uma cultura que está se expandindo. Cultura popular como o funk é difícil...", e completa, "O funk é hoje, sem dúvida, uma linguagem entre a comunidade e o asfalto".
Quem luta pela causa, quer o reconhecimento do funk como "movimento cultural e musical de caráter popular", mobilização que começou com a Apafunk e MC Leonardo. O projeto Som de Todos, de Vinicius Mesqueu, apoia a iniciativa e os artistas que buscam seu lugar ao sol. "Trabalho também com produção e assessoria de imprensa e, o projeto, é uma experiência da minha vida. Trabalhei com a galera do funk e vi a dificuldade deles para gravar um disco e os vi sendo discriminados, sempre vistos como bandidos. Aí comecei a pesquisar e percebi que tinha muita gente querendo fazer e pouca abrindo espaço", conta.
Se o problema é espaço, parece que agora esse quadro está mudando, basta cada um de nós olhar para os lados e ver as proporções que o estilo está tomando em todo Brasil e em outros países. "O funk está deixando de ser carioca, está se tornando universal. Estamos no caminho para que a sociedade entenda o funk. Já é uma ótima conquista". Mas, ele não deixa de ser realista: "Na verdade, a gente não deveria ter que fazer isso... A cultura já está aí e o funk dentro dela! Não é uma lei que estabelece o que é cultura ou não, é a massa", acredita.
Outra questão levantada na Alerj foi a de usar o funk pedagogicamente em escolas estaduais. O que, para Vinicius, é totalmente viável, "O funk já é usado de maneira pedagógica! Ele tem uma linguagem direta, dá para falar qualquer coisa na batida do funk. É envolvente, contagiante, traz dignidade e auto-estima!". E para os que acham que o funk ainda é caso de polícia, Mesqueu vai além, "Eu tenho um sonho: o funk vai ser o inicio da paz! É possível construir a paz com o funk porque ele é feito pelo povo que é vitima da guerra urbana. O funk é o povo!". E para os mais conservadores, ele deixa a dica: "Respeite antes de criticar. Pesquise, vá em um baile, pergunte, procure ver como é primeiro!".
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Deus me livre de assistir um baile funk!
Então o funk já é usado de forma pedagógica? Por isso os índices alarmantes de analfabetismo funcional, vandalismo e gravidez precoce...
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