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Glaucia Nasser fala sobre sua trajetória ao !ObaOba

A mineira que deixou a carreira de empresária, se destaca entre as novas cantoras brasileiras

Por: Mariana Morais

Monday, 09 March, 2009 - 13h27

 

Créditos: Divulgação / Bia

Atualmente, a mineira Glaucia Nasser pode ser considerada uma das mais ilustres cidadãs de Patos de Minas (MG). Se não a mais, por causa de sua história completamente diferente da maioria dos artistas: trabalhava em uma empresa quando resolveu se dedicar à música, aos 32 anos. Abandonou uma carreira confortável por uma paixão que tentou negar durante anos. Hoje, aos 38, Glaucia - que é dona do hit "Amor Fugaz" -, se consolidou como uma voz da MPB chamando a atenção de compositores como Ivan Lins e Celso Viáfora e do crítico e jornalista belga Daniel Achedjian que elegeu o disco A Vida Num Segundo como um dos melhores trabalhos autorais de 2008. Tem uma agenda cheia de trabalho, cuida dos filhos, do marido e assume ser "uma mulher da casa". Até na técnica de compor, ela é diferente: sem a ajuda de instrumentos, ela cria suas melodias solfejando, sem se preocupar muito em encaixar as notas perfeitas. "Daí saíram umas 30 canções", admite. Delicada e de voz doce, atualmente trabalha em seu terceiro álbum - A Vida Num Segundo - e já está preparando o quarto.

!ObaOba: Como a música surgiu na sua vida?

Glaucia: Foram dois momentos: na adolescência, quando cantava em festivais e, mais tarde, quando conheci um olheiro, e tive a chance de cantar profissionalmente. Mas meu pai não concordou, não queria que eu fosse para São Paulo. Aí acabei descartando a música da minha vida e fui trabalhar com outra coisa.

!ObaOba: Em que momento decidiu que faria música profissionalmente?

Glaucia: Eu me formei em administração de empresas e me especializei em comércio exterior. Já trabalhava há bastante tempo e estava confortável na profissão, aí mais ou menos aos 32 anos assumi que queria fazer música. Fiquei muito tempo negando e achando que aquilo não era pra mim. Sofri demais com isso, não conseguia nem ir a shows direito, era algo mal resolvido dentro de mim... eu dizia que não gostava quando na realidade o que eu mais queria era cantar.

!ObaOba: O que fazia quando começou?

Glaucia: Enquanto trabalhava com administração, entrei para uma banda de baile com um amigo, depois conheci o Anízio Dias (compositor conhecido na minha cidade), fui aluna dele, comecei a ir para Belo Horizonte estudar música na maior loucura porque é super longe da minha cidade (Patos de Minas) e na época era difícil o acesso. Depois conheci o Renato Motha e as portas foram se abrindo.

!ObaOba: Como foi abrir mão de uma carreira por causa de outra?

Glaucia: Senti mais que medo! Defino o que senti como "inadequação". Estava muito insegura em relação à decisão que estava tomando, todo mundo achava que eu tinha enlouquecido. O medo era de não me adequar à minha escolha, de talvez não ser parte daquilo, mas logo as coisas foram acontecendo naturalmente, as portas foram se abrindo, eu fui me soltando mais e deu certo.

!ObaOba: Quem são os artistas que te inspiram?

Glaucia: Primeiro artistas mineiros, como o Flávio Venturini, Clube da Esquina. Depois fui conhecendo mais e fui influenciada por cantoras do jazz, da MPB como Elis Regina, Gal Costa - que eu imitava quando era criança -, artistas mexicanos, portugueses e cada dia conheço mais gente nova que vão somando cada vez mais no meu trabalho.

!ObaOba: Como começou a compor e o que a motiva?

Glaucia: Qualquer coisa me motiva a compor! Sempre solfejei, mas nunca achei que pudesse virar música por não ter estudado teoria e partitura. Tenho momentos de inspiração profundos, é incrível! Qualquer barulho, som ou ruído vira música. Passei um tempo sem cantar após dois problemas sérios de saúde e, no segundo, quase perdi minha voz. Mas quando voltei fui solfejando, cantarolando e daí saíram umas 30 canções.



!ObaOba: O álbum A Vida Num Segundo é seu primeiro trabalho autoral, que diferença sente em relação aos dois anteriores?

Glaucia: Esse disco é mais meu! O primeiro foi produzido pelo Renato (Motha) e tem mais influência dele do que minha... eu não tinha experiência na época e deixei muito na mão dele. O terceiro eu construí junto com o produtor, é bem autobiográfico, quem ouvir inteiro vai conhecer bastante de mim.

!ObaOba: Quais são os próximos passos ou planos da sua carreira?

Glaucia: Depois de quatro anos de idas e vindas para São Paulo, esse ano me mudei para cá e trouxe a família toda. Mas o foco agora é ouvir muita música, estudar, produzir, fazer shows e, se a inspiração não acabar (risos), esse ano sai o 4º disco.

!ObaOba: E o que gosta de fazer quando não está fazendo música?

Glaucia: Gosto de cuidar dos filhos, ajudá-los com o dever, cuidar do marido... sou mulher da casa. Quando não estou envolvida com a música, estou envolvida com a família e acho ótimo! Quanto mais trabalho melhor!

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