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Glocal no Rio e no mundo
De produções para o ícone da house music Robert Owens à residência semanal no Lions, o duo conta um pouco da história e de suas referências
Tuesday, 09 March, 2010 - 06h00
Créditos: Silvana Garzaro
Conheço Dani El Souto e Lennox Hortale - mais conhecidos como Glocal - há uns dois anos. Um pouco depois deles mudarem do Rio de Janeiro para Sampa, mas nossa amizade começou a crescer mesmo de um ano para cá. E, quando nos tornamos mais próximos, virei fã de carteirinha, não perco uma apresentação deles. Extremamente talentosos, estão agora despontando no cenário de música eletrônica nacional, como uma das revelações de 2009. Inclusive, disputam o prêmio dessa categoria pela revista DJ Mag brazuca.
E não era pra menos. Eles mudaram completamente a forma como tocavam e começaram a chamar a atenção de gente importante como Robert Owens, conhecidíssimo para quem entende de house music, e foram convidados a fazer alguns remixes para o dito cujo. Além da produção que já faz parte da vida deles desde o princípio, eles têm um programa de webradio que vai ao ar todas as quartas-feiras, o Drop Kick, que já completou um ano em agosto do ano passado. Lá eles ciceronearam DJs como Anderson Noise, Mau Mau, Magal, D-Nox & Beckers, King Roc, Marc Romboy, entre muitos outros, para a baguncinha no meio da semana sempre cheia de amigos e com garantia de boa música e diversão. Aliás, o Drop Kick também está disputando prêmio de melhor rádio pela mesma DJ Mag.
Como se não bastasse esse montão de novidades boas, eles ainda arrebataram a residência do clube mais disputado e comentado do momento: o Lions! E aos sábados! Acredito demais no que fazem pois, apesar de todas as brincadeiras, quando o negócio é produzir, a coisa fica séria. Já tive a oportunidade de estar junto na finalização de uma de suas músicas que já virou hit "All My Fetish On You", e vi como eles "funcionam" produzindo juntos. E como é bom ver as pessoas na pista cantando a plenos pulmões as produções que eles compuseram!
Para esse dia do DJ, achei que seria bom termos uma entrevista um tanto quanto inspiradora, para que outras pessoas se sintam motivadas a seguir esse rumo. Uma estrada cheia de glamour, sem dúvida, mas sempre turbulenta no caminho. Nada como um duo como o Glocal para mostrar que, por mais que hajam dificuldades, o importante é fazer o que se gosta, com muito amor. Os resultados podem demorar um pouco, mas chegam. Quer conferir o som do Glocal? Só ir aos sábados no Lions. Mas chegue cedo, pois a fila de entrada não para de crescer a cada final de semana que passa.
Parabéns DJs!
Quando foi que rolou o momento de "bem, agora vamos formar o duo para valer e começar a tocar"?
Glocal: Produzimos durante três anos até amadurecermos o que queríamos como música para nós. Daí surgiu um convite no início do ano de 2005 para apresentar nosso set pela primeira vez no festival Universo Paralelo, que rola no final do ano na Bahia. A gente se focou, produziu nossa primeira apresentação ao vivo que foi arrebatadora.
De onde surgiu o nome Glocal?
Glocal: Foi um termo que eu, Dani, ouvi pela primeira vez em 2000, numa sala de fenômenos culturais novos e culturas jovens, na faculdade. Resolvemos que o nome seria esse. Seria perfeito, até pela nossa característica, a alma que queríamos dar a nossa música. Uma alma que experimentasse as misturas culturais, o local tradicional com o moderno global. O ontem com o hoje e o amanhã. E hoje é engraçado ver que quase dez anos depois de termos adotado o termo Glocal como nome, a palavra se tornou muito popular.
Vocês foram mudando no decorrer do tempo até chegar ao que tocam hoje, uma pegada mais disco. Como foi essa migração de uma vertente para outra? E quais foram, e são, suas maiores influências e referências que fizeram vocês tomarem esse rumo?
Glocal: Bem, cada um veio com uma bagagem diferente. Eu(Dani) vim do rock e da cena clubber anos 80/90, e o Lennox do Miami Bass. O nosso "crossover, onde viemos nos conhecer, foi na época em que as raves começaram no Rio de Janeiro, lá pela segunda metade dos 90 e começo dos anos 2000. Começamos a trabalhar e hoje enxergamos que os caminhos se configuram naturalmente. Sempre fizemos música, sem se prender a estilo, pensando na nossa identidade. As maiores influências eram até mais da vida do que propriamente da música. Um dia era o obscuro, o triste, no outro o claro, o alegre, o prazeroso. E, ao longo de todo esse caminho, as afinidades musicais que, de certa forma, dão uma leve direção, vai se elejendo naturalmente junto com os momentos que acabamos vivendo.
Hoje chegamos a uma sonoridade que flerta com o Cosmic Disco, Ítalo, Rock, Funk, Acid House, Chicago House, Detroit, Techno, Pop, enfim... Porque acabamos de juntar várias influências que flertamos em algum momento de nossas vidas e também por serem campos férteis para se desenhar música, na nossa opinião com alma e exuberância estética.
Leia também:
>>Glocal lança rádio online
>>Glocal tem outro lançamento na área
>>Drop-Kick está de volta na rádio Chaosmopolitan
Quando vocês tiveram a idéia de montar um programa de rádio como o Drop Kick que já completou um aninho de vida e segue na frente como uma das webradios mais "cool" do momento?
Glocal: Quando ainda morávamos no Rio eu, Lennox, já tinha feito um programa de rádio online nosite do Submusica que depois acabou com os programas ao vivo e virou apenas podcast. Daí em 2008, depois de quase 2 anos que já morávamos em São Paulo, pensamos em criar nossa própria rádio. Aproveitamos que já tinhamos um selo, a Chaosmopolitan por onde divulgávamos nosso trabalho e começamos convidando nossos amigos para tocar e, em seguida, pessoas que acreditamos que tem algo bacana para mostrar e contar. Não só música, mas também arte em geral e história.
E o convite do Robert Owens, como foi que ele chegou até vocês e qual a reação quando foram convidados para fazer esses remixes?
Glocal: Fomos convidados pela gravadora Rebirth, da Itália, que lançou o single. Ficamos muito felizes e honrados por remixar uma das vozes mais importantes, se não a maior voz da história da house music. E é bacana você amadurecer ouvindo ou seguindo alguém e um dia você se depara com a situação de trabalhar com essa pessoa. Primeiro você sente o peso da responsabilidade e o frio na barriga, depois...ah, depois é realmente prazeroso!
Vocês começaram a residência semanal no Lions na noite da 3Plus, agência de Paulinho Silveira que toma conta do casting do Glocal, numa noite de sábado onde a responsabilidade é imensa. O que pretendem fazer para que a noite não caia na mesmice e as pessoas continuem voltando?
Glocal: Estamos muito felizes por, primeiro, estarmos fazendo parte desse casting e pelo fato da 3Plus ter ajudado muito na nossa carreira e deixado a gente bem a vontade. Musicalmente falando está sendo ótimo pois está nos incentivando a fazer uma pesquisa constante para, semanalmente, mostrar coisas "novas" e coisas "velhas" para um público que está sendo bastante democrático. A noite está se configurando dessa maneira: playboys, gays, roqueiros, moderninhos...Essa mistura do público está sendo perfeita! Agora dá para sermos a gente mais do que nunca: ecléticos!
Defina o Glocal em uma frase.:
Glocal: Uma história contada do nosso jeito.
Para o dia do DJ, comemorado hoje 09 de março, qual a dica que o duo dá para quem está a fim de começar a produzir suas faixas e entrar no mercado?
Glocal: Aprender as técnicas de produção, muita pesquisa, ser você mesmo...E por fim, torcer para que a natureza tenha te criado com o dom, com a vocação para arte e música. Isso é vital e não se aprende.
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