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Ícone punk, Clemente diz não às drogas

Avesso a estereótipos, vocalista da Plebe Rude e do Inocentes vê no diálogo alternativa contra o vício

Por: Redação !ObaOba

Thursday, 14 January, 2010 - 14h11

 

Créditos: Myspace

O movimento punk, além de revolução cultural e musical, trouxe uma transformação comportamental inspirada na ideia de "no future" (sem futuro). Embora a teoria fosse anarquista - não existe futuro a não ser que você faça existir por conta própria, na marra -, houve quem encarasse o punk com niilismo: não há futuro e ponto. Dessa ideia para o uso desenfreado de drogas foi um pulo. Isso foi na Inglaterra, mas teve seu correspondente tupiniquim.

Clemente Nascimento, vocalista da Plebe Rude e guitarrista e vocalista do Inocentes, acompanhou a cena de perto. Embora não tenha caído de cabeça no consumo desenfreado, deu sua flertada com as drogas. "O que eu mais usei foi o álcool mesmo - que é uma droga lícita e talvez nem devesse chamar assim -, o resto foi tudo a conta-gotas", conta. Ele já experimentou de tudo, mas logo viu que não era a dele, "não gosto de nada que acabe me controlando".

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Existe também um mito de que as drogas rolam com mais frequência no meio musical, mas para Clemente, isso tudo não passa de estereótipo. "Conheço muito advogado que cheira! As drogas estão em qualquer lugar. A exposição faz parte do trabalho do músico, por isso parece que nesse meio acontece mais, mas no fim é a mesma coisa em todos os lugares", explica. Tão grande é esse estereótipo, que há quem ache legal o fato de ídolos do rock, como Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrisson, tenham morrido em decorrência do uso desenfreado. Para o músico, isso é bobagem: "Tem gente que só seria ídolo morto mesmo. Imagina se o Sid Vicious estivesse vivo? Seria um bobo".

Clemente é pai de três filhos e procura manter uma conversa aberta com eles. "Minha filha mais velha está com 22 anos e não tem nenhum problema com vícios. Espero que os mais novos também não tenham, mas eu procuro ser aberto mesmo. Eu tenho como falar que é ruim porque senti isso na pele", revela. Depois de quase 30 anos de muito punk, ele diz que se coloca da mesma maneira em relação às drogas, "o que eu tive foram experimentações. Se fosse hoje, não experimentaria".

Adepto do diálogo, Clemente apoia o VIVAVOZ. "É bacana para as pessoas se livrarem do vício e se conscientizarem", e alerta que também temos que ficar ligados no álcool e no cigarro que são drogas tão devastadoras quanto as outras e "não vale a pena!", diz. "O importante é não se calcar em estereótipos e tratar o assunto", finaliza.

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