Porto Alegre / Notícia
A independente banda Apanhador Só
Banda está concorrendo na categoria Revelação do VMB
A premiação Vídeo Music Brasil (VMB) está chegando e traz na lista dos indicados uma novidade para os gaúchos. É que os garotos da Apanhador Só estão concorrendo na categoria Banda Revelação, ao lado de profissionais de alto gabarito como Criolo e Marcelo Jeneci. Legal, hein?
Para quem quiser ficar ligado e dar um apoio para o grupo, a votação popular começa dia 29 de agosto no portal do canal. A premiação será trasmitida ao vivo no dia 20 de outubro.
Se você ainda não conhece o trabalho dos gaúchos que está dando o que falar, confira abaixo a entrevista com o guitarrista da banda, Felipe Zancanaro, publicada em julho, na semana do Dia Mundial do Rock. Para saber quem concorre nas outras categorias, clique aqui.
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Os guris da Apanhador Só não param de se influenciar, inclusive por coisas que não são musicais, como o barulho da rua, o passarinho cantando, o mundo ao redor – aliás, é isso que os torna tão peculiares e bem vistos pelos críticos da música. Eles são a nova cara do rock, pertencentes a uma geração de jovens que exige qualidade, novidade.
Os quatro integrantes da banda não se conhecem há muito tempo, não cresceram juntos, mas como o grupo mesmo se define, eles cresceram juntos nos últimos anos. E quem disse que crescer está intrinsecamente ligado a uma gravadora? Eles são independentes, lançam as músicas de graça na internet e não ficam para trás por causa disso. Conheça um pouquinho mais sobre esses caras, neste bate papo que tivemos com Felipe Zancanaro, o guitarrista da Apanhador Só. Confira!
Com poucos anos de trabalho, como vocês percebem essa ascensão tão rápida e o reconhecimento nacional, sendo que tantas bandas demoram às vezes muito mais tempo para fazer sucesso?
Na verdade isso fica visível para o público, mas a gente vem trabalhando e amadurecendo com a banda há pelo menos uns seis anos. O que aconteceu é que com o lançamento do disco no final do ano passado, deu uma visibilidade muito maior pra banda. E a gente lida com isso de uma forma tranquila, justamente porque pra nós não aconteceu de repente. Muito pelo contrário, construímos isso sabendo onde a gente queria chegar.
Vocês têm uma maneira de fazer música bem inovadora, diferente. Por causa disso, daria para vocês indicarem alguma influência marcante, que vocês se inspirem para trabalhar?
Responder por todos nós é quase impossível. A gente não tem tanto o costume de escutar música junto. Trocamos referências, mostramos som um pro outro e tal, mas cada um se formou musicalmente com estilos diferentes. E a mistura disso é que talvez dê um pouco dessa riqueza que tem dentro da Apanhador Só. Dá pra citar o Tom Zé, que é um cara que a banda inteira curte, respeita muito pela ousadia e pela experimentação que ele faz, por ele tirar o som de coisas inusitadas.
Vi numa entrevista que as experimentações com objetos começaram contigo. É verdade? Como foi a introdução desse método “peculiar” no grupo?
A gente não sabe exatamente da onde que veio. Eu lembro de soltar isso em cima de músicas nos shows quando estava em outra banda antes. Tinha o ralador de queijo, uma porção de coisas que eu ficava tocando. No caso da Apanhador Só, eles se juntaram e começaram a batucar em tudo, aí começou a se desenvolver uma percussão de sucata mais específica pra cada canção. E aí quando eu entrei na banda, também entrei com essa pilha.
Vocês afirmam que o som do Apanhador Só é bem eclético. Às vezes mais rock, mais pop, mais indie. Qual é o estilo que predomina na banda hoje, já que o trabalho de vocês é feito de fases?
Hoje é o período que eu menos sei! Gosto da expressão “música popular com espírito aventureiro”: popular porque as pessoas cantam junto e compreendem a letra, que toca elas de alguma forma, e aventureiro porque a gente se aventura em terrenos nem sempre conhecidos por nós, tentando explorar e levar essa canção a um terreno menos confortável. Agora não consigo dizer em que fase estamos - tem música nova surgindo, e elas estão mais silenciosas. Aproveitando o gancho com o dia do rock, o rock é um fio condutor pra nós. Todos cresceram escutando rock de alguma forma, então rock é rock. Mas não se resume a isso e vai muito mais além.
Li que o Alexandre falou que “jabá é a morte da cultura”. Se vocês acham isso, pensam em ter gravadora algum dia? Ou vão ser independentes pra sempre?
Essa frase faz parte do estilo da banda. A gente não pode dizer nem que sim, nem que não, mas por enquanto ninguém nos procurou. A vontade que dá é que a gente possa gerir nossa banda do jeito que a gente bem entender, sem ficar submetido a pitacos e apontamentos dos outros. Que a gente possa escolher com quem trabalhar. Até agora tem sido assim, e tem dado certo.
Vocês sentem o som do Apanhador Só refletindo na composição de bandas que estão começando?
Eu assisto vídeos que a galera filma nos shows e, procurando esses vídeos, às vezes encontro bandas tocando músicas da gente, e em versões muito boas e diferentes.
Como enxergam o rock gaúcho hoje, o novo cenário?
A gente faz parte de uma galera que tá deixando de lado o que é rotulado como “rock gaúcho” e experimentando novas identidades. Mas isso é uma questão geográfica. A geração pós anos 80 vem trocando informação, muito por causa da internet, e acaba trocando influências. Aí a questão geográfica vai sendo deixada de lado e vira uma questão puramente musical, sem fronteiras.
Como é fazer shows fora do estado?
No Rio, por exemplo, tu começa a tocar e a galera já tá de pé, cantando e tal. Aqui em POA o público é um pouco mais observador, analisa o que tá acontecendo. Varia muito de público a público, mas por onde a gente tem passado, temos tido agradáveis surpresas, de chegar e ter muita gente pra curtir os shows, sabendo cantar não só uma ou duas músicas, mas o show inteiro.
Qual o lugar mais legal que já tocaram?
Os shows de rua são muito marcantes, por exemplo, um que fizemos na escadaria da sé, em SP. Foi uma interação fantástica, a galera tocou junto com a gente. Tinham mendigos que participavam do show, fazendo back vocal, espontaneamente. Esses shows são muito marcantes por tudo o que tem de inusitado – por tu estar na rua, exposto, livre pra se relacionar com as pessoas, tudo muito improvisado. É como se fôssemos artistas de rua, só que sem pedir moedinha!
Quais são as dicas para quem admira vocês, quem segue o mesmo caminho?
Eu acho que as coisas começaram a funcionar pra gente, independente de mídia, quando paramos de brincar de tocar e começamos a entender isso como uma coisa que a gente quer pra nossa vida. Tem que ter dedicação, envolvimento. Tu tem que lançar uma música que chegou no resultado que tu quis, e não porque é o que deu tempo de fazer. Essa vida é muito difícil, estressante, mas é maravilhosa, recompensadora.