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London Calling completa 30 anos

Álbum clássico da banda inglesa The Clash ainda tem cheiro - e som - de novo

Por: Gabriel Rocha Gaspar

Monday, 14 December, 2009 - 18h22

 

Créditos: Reprodução

Se o punk era um movimento adolescente, revoltado e anárquico - no sentido Sex Pistols da palavra -, atingiu a maturidade em London Calling. O anarquismo ganhou um tom político e o "no future" afundou no rio Tâmisa, virou uma coisa nova. Uma coisa agressiva, mas cadenciada, uma coisa meio soul, meio jazz, meio reggae; uma música universalista, atemporal e - por mais ofensivo que possa soar a punk que é punk - pop.

Mas The Clash não ligava muito para os rótulos. Joe Strummer (vocais e guitarra) era um filho de diplomatas, nascido na Turquia e criado entre o Cairo (Egito) e a cidade do México. Paul Simonon (baixo e vocais) era um aspirante a artista plástico de Brixton, bairro de imigrantes que criou nele o gosto pelo baixo melódico do reggae. Mick Jones (guitarra e vocais), um filho de uma judia russa que se especializou na vida nômade - dormia onde dava, comia o que ofereciam. Por necessidade? Não, não. Para seguir bandas de rock, onde quer que elas tocassem. E Topper Headon, bom... Topper Headon era um gênio da bateria. Inspirado no jazz e no R&B, o cara revolucionou o uso do instrumento, adicionando um sabor que ia muito além do "pum-pá" que acompanhava os três acordes da maioria dos punks. Mas o que ele tinha de genial, tinha de problemático. Era um viciado inverterado em heroína e chegou a assumir em documentário a culpa pelo fim da banda.

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Isso foi lá em 1982, na sessão de fotos de Combat Rock. Tá certo que o Clash só foi dado por morto em 1985. Mas depois da saída de Topper Headon, o som nunca mais foi o mesmo. Mas isso são outros quinhentos. Nós estamos em 1979, quando essa salada transformou a história da música. A capa, inspirada na até então revolucionária arte de Elvis Presley, álbum de estreia do (há quem diga) rei do rock, mostrava que os caras não estavam para brincadeira. O violãozinho virou guitarra e o gesto de tocar virou gesto de destruir. No chão. Com toda força.

Clique aqui para ver The Clash tocando London Calling ao vivo

Se a capa dizia violência, o som das 19 faixas distribuídas em dois long plays dizia... Dizia... Dizia novidade, dizia juventude. Dizia que uma nova década estava por vir. E que seria uma década de misturas, inovações tecnológicas, estéticas e incertezas. A década do horror da AIDS em contraposição à liberdade sexual, da simplicidade punk frente os devaneios do decrépito rock progressivo, do imediatismo industrial, da euforia dos computadores. Tudo isso está em som em London Calling. Tudo isso está acontecendo hoje. E se você colocar o disco agora para tocar, vai sentir no primeiro acorde da guitarra distorcida de Joe Strummer o som de atualidade. Vai sentir no vocal rasgado de "London Calling from the far away town" a nostalgia de um tempo que está por vir. E vai esquecer que hoje, exatamente nesta segunda-feira, 14 de dezembro de 2009, esse disco - um dos mais importantes da história da música - fez 30 anos.

Lançamento

Em comemoração aos 30 anos de London Calling, a Sony Music lançou uma reedição do disco que inclui as 19 faixas originais mais um DVD com os clipes de "London Calling", "Train In Vain" e "Clampdown", além de um vídeo caseiro das gravações e do documentário The Last Testament: The Making of London Calling, dirigido pelo DJ e produtor anglojamaicano Don Letts. Apesar de ser um material bacana para os fãs do grupo punk, passa longe do que foi a edição tripla lançada também pela Sony na ocasião dos 25 anos de London Calling. Aquela trazia todos os outtakes das gravações, além de algumas faixas inéditas gravadas na mesma época. O ideal mesmo, se você é clashmaníaco nato, é comprar logo as duas. Na Amazon.com, os dois sets juntos saem por quase US$ 50.

Comentários

Ohana - Sat, 05/06/2010 - 18h00 -

"O violãozinho virou guitarra .."

Um baixo, corrigindo.. =)

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