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O caldeirão musical de Karina Buhr
Com influencias que variam entre Luiz Gonzaga e Kraftwerk, cantora experimenta novas sonoridades
Friday, 03 February, 2012 - 07h37
Karina Buhr e Edgard Snacurra no Circo Voador
Créditos: Jorge Bispo/Site Oficial
Baiana, pernambucana, paulista. Do rock, do mangue, do samba. Esse caldeirão de informações tenta definir Karina Buhr. Nascida na Bahia, criada em Pernambuco e há quase dez anos uma cidadã paulistana, a cantora lançou, no final do ano passado, Longe de Onde, seu elogiado segundo álbum.
Sua superbanda, formada por Bruno Buarque, André Lima, Guizado, Mau, Edgard Scandurra e Fernando Catatau, a acompanha desde os tempos de Eu Menti Pra Você, seu disco de estreia, lançado em 2010. Influenciada por artistas e gêneros musicais diversos, Karina revela: “Gosto de Luiz Gonzaga, de Kraftwerk, de Racionais”. Mas sua convivência direta com o manguebeat, em Pernambuco, também ajudou a criar sua identidade musical: “Eu comecei a tocar e montar bandas no meio disso tudo, por conta disso (movimento manguebeat)”.
Queria que você apontasse as diferenças entre o Menti Pra Você e o Longe de Onde.
Tem muita coisa diferente, mas ao mesmo tempo é uma continuação. Uma coisa que eu quis muito fazer é levar para ele (Longe de Onde) o peso que estava rolando nos shows do Menti Pra Você.
Seus shows costumam ser muito intensos, você se entrega muito durante as apresentações. Você se sente mais a vontade no palco ou no estúdio gravando?
Nos dois. Eu gosto muito de fazer as letras das músicas, ir no estúdio registrar e de estar no palco. Para mim ambos fazem parte da mesma coisa. Cantar não é tudo, não está na frente no quesito importância, faz parte da história toda, da maneira como eu mostro essas músicas.
E como é dividir o palco com Catatau, Guizado e Edgard Scandurra?
É massa, é maravilhoso. E ao mesmo tempo nós somos muito amigos, nos conhecemos há muito tempo, a gente se sente muito bem tocando juntos, sabe? Não os vejo como estrelas, vejo-os como companheiros da história. Bruno (bateria) e Mau (baixo) formam o núcleo que está comigo desde o começo, são as primeiras pessoas que eu mostro as músicas, que eu converso sobre os arranjos. Depois que a gente grava todas as bases, que entram André Lima (teclado), Guizado (trompete) e as guitarras (Catatau e Scandurra). Para mim, todas essas etapas são muito importantes. E ter todos juntos é maravilhoso.
Além de cantar, você também compõe, desenha e atua. Consegue apontar diferenças entre essas três manifestações artísticas? Qual dessas te deixa mais "livre"?
É tudo muito ligado pra mim, sabe? Não consigo separar uma coisa da outra. Muitas vezes eu tenho dificuldade de responder quando me perguntam 'O que eu sou?'. Eu respondo 'cantora', mas fico meio incomodada.
E o que te inspira na hora de compor suas músicas?
Eu não sei dizer. Pra mim, é um mistério. Eu nem sei explicar esse processo e nem faço questão de entender. Eu tento deixar do jeito mais natural possível. Às vezes uma coisa maravilhosa acontece comigo e não me leva a fazer música nenhuma, desenhar nada, porque aquilo já bastou. Não existe uma regra.
A sonoridade de suas canções varia muito de uma para outra. Algumas são pesadas, bem rock and roll, outras são mais calmas. Você deve ter influências musicais bem variadas...
Eu nunca escuto música pensando em tirar referências. Eu simplesmente escuto. Gosto de tantas coisas diferentes - Luiz Gonzada, Kraftwerk, Racionais -, e isso aparece nas minhas músicas. No Longe de Onde, por exemplo, tem uma música como "Amor Brando", que é só guitarra e voz, mas também tem "Cara Palavra", que é punk rock, com bateria e guitarra muito fortes. Eu sempre toquei muito no carnaval de Pernambuco. E ao mesmo tempo que eu tocava no maracatu, eu também tocava rock and roll.
Você começou na música em Recife na mesma época da criação do manguebeat, no começo dos anos 1990. Nesta semana, a morte de Chico Science completa 15 anos. Na sua opinião, qual a importância do Chico e da música pernambucana?
Eu vivi tudo isso muito intensamente. Muitos grupos aconteciam, eu participava de muitas bandas, maracatus. E para muita gente foi assim. Todo mundo foi vivendo e meio que decidindo o que ia fazer da vida. Chico tinha essa coisa de ligar tudo.
Você saiu de Recife e veio para São Paulo em 2003. Já se acostumou com o ritmo frenético da cidade quase dez anos depois?
São Paulo tem dois lados: muito bom porque existem muitos trabalhos, muitas conexões, você toca num lugar e a pessoa te vê e te chama pra tocar. Ao mesmo tempo, sofro muito com a fumaceira.
E teu carnaval? Como vai ser?
Esse ano faço um show em homenagem a Alceu (Valença), dirigido por Pupilo (baterista da Nação Zumbi), que é uma figura que eu admiro muito. Eu canto duas músicas do Alceu. Pra mim é um presente. Alceu é um muso, uma pessoa muito importante para quem faz música em Pernambuco e no Brasil. Depois, no sábado, eu toco na abertura do carnaval de Fortaleza, eu fiquei muito feliz com isso, vai ser maravilhoso fazer esse show lá. No domingo, eu toco em Olinda ; na segunda, em Recife ; e na terça, eu participo do trio do Paulinho Boca de Cantor, em Salvador. Eu vou pular carnaval no palco e no trio, festejando e trabalhando ao mesmo tempo.
E o que você espera de 2012? Os dois últimos anos foram muito bons pra você, com dois álbuns muito aclamados. Pretende lançar coisa nova esse ano?
Eu quero ficar um bom tempo sem gravar discos. Eu gravei dois num intervalo de um ano. Quero tocar, fazer muitos shows, ir a lugares que não fui com a turnê de Eu Menti Pra Você. Quero fazer muitos shows, onde der pra fazer. É o que eu mais gosto.

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