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O nome do rock em Porto Alegre
Saiba um pouco da história do Opinião, considerado o Templo do Rock gaúcho
Friday, 15 July, 2011 - 14h20
Bob Dylan no Opinião em abril de 98: divisor de águas
Créditos: Agência RBS
Eles eram dois amigos que faziam Engenharia na UFRGS. Entediados com a falta de opção de noite rock em Porto Alegre, um dia, mais precisamente em outubro de 1983, pensaram em dar uma cara mais roqueira às noites porto-alegrenses. Assim mesmo, do nada, sem nenhuma experiência ou ligação anterior com o ramo.
Hoje, a ideia dos amigos Cláudio “Magrão” Favero e Alexandre Lopes, o Alemão, atende pelo nome de Bar Opinião, tem 28 aninhos muito bem consolidados em uma das capitais dona de um dos públicos mais exigentes do país. O que no início foi pensado para ser apenas um lugar legal e honesto para se divertir, hoje é a tradução de um conceito, considerado pelos seus frequentadores como o Templo do Rock gaúcho e respeitado por quem já pisou os pés naquele palco.
A casa de shows nessas quase três décadas aumentou em quatro vezes a sua capacidade, assistiu de camarote modas e tendências indo e voltando, agregou ao nome uma produtora e um espaço para shows, o Pepsi on Stage, e envolve atualmente cerca de 80 colaboradores. Tudo isso sem deixar de lado o velho e bom rock, a simplicidade da cerveja gelada e da batata frita crocante.
Confira nesse bate papo com o Magrão, um dos responsáveis por dar corpo a toda essa história que você leu acima, as curiosidades, as apostas e o que fez esses quase trinta anos serem tão importantes para o cenário rock do RS.
Como tudo começou?
Eu e o Alexandre sempre fomos ligados ao rock e suas vertentes. E na época a gente viu que faltava uma casa mais nessa linha. Existia o Porto de Elis que tinha um conceito muito legal e que conseguia trazer shows para Porto Alegre que só rolavam no centro do país. Lembro de ter visto Fernanda Abreu, Paralamas, e isso nos motivava para tentar fazer algo nesse sentido. O que não existia aqui eram bandas covers fazendo rock, que eu acho que foi o grande pulo do gato do Opinião na época. O Bar sempre manteve uma história de festa no final de semana, de balada, com conceito rock n’roll e durante a semana abria as portas para diversas tribos e daí a gente fala do metal, do hip hop, reggae, pop, da música regional, que eu acho que é uma forma que deu super certo.
E como se preservar com a mesma identidade e público fiel?
Hoje a gente vive uma crise na noite. São muitos bares abrindo, muita gente fazendo a mesma coisa. Além dessa concorrência, mudar o estilo num primeiro momento parece que vai te ajudar, mas é perverso. O início foi difícil, o meio foi difícil e continua sendo complicado, porque cada dia é pensar alguma coisa para funcionar principalmente no fim de semana. Mas enquanto as pessoas precisam modificar uma estrutura, trabalhar com uma tendência, o que a gente modifica é o palco. As pessoas que passam pelo palco do Opinião acabam sendo a grande atração e o que mantém o nome do Opinião na mídia, mantém ele atual. Eu prefiro trabalhar mais 20 anos com 50% da minha capacidade do que mais dois anos com 100%. Porque eu acho que daí tua vida é curta e meu discurso fica pífio.
Mesmo mantendo as atrações, quem acompanha a noite sabe que existe muita oscilação do público. Como o Opinião lida com isso todo esse tempo?
O Nelson Coelho de Castro, grande músico gaúcho, diz que o segredo do bar é cerveja gelada e batata frita crocante. Ou seja, a simplicidade eu acho que é o segredo do negócio, sabe? É óbvio que você tem que ter muito trabalho, muita visão e um pouco de sorte. O Opinião eu acho que é o único lugar do mundo que não tem estacionamento e funciona. É um horror estacionar, o entorno é ruim, se você analisar ele tem um monte de coisa para dar errado e não deu. Talvez porque a gente sempre pensou nele com muito carinho, nessa história de ter um conceito rock n’roll. Os próprios clientes se referem ao bar como o Templo do Rock e eu acho que é mesmo. É o lugar que mais faz rock em Porto Alegre, independente de não fazer só isso é o que mais faz, o que mais proporciona, mais dá oportunidade, mais investe, mais arrisca.
Outra coisa que chama a atenção é o Opinião ser reconhecido e respeitado como casa de rock e não se limitar somente a esse estilo nos palcos. Como manter esse equilíbrio sem a crítica dos frequentadores?
Se fez alguns lançamentos de shows no Opinião como Alcione, Diogo Nogueira, nomes muito mais ligados ao samba e durante a semana. Ou seja, eu não comprometi meu final de semana. Até porque o Opinião é uma casa de shows e eu teria um grande preconceito em dizer “ah não, é samba não toca, é pagode não toca”. Até rola, mas no outro dia eu tenho lá um Sepultura para arrancar o cavaquinho do palco. E a comunidade do Opinião é muito exigente em relação a isso. A gente tem dez frequentadores do Bar escolhidos para pensar sobre o Opinião, avaliando as deficiências. Tudo isso é envolvimento para a noite acontecer.
O que é rejeitado no Opinião em termos de atração?
O que não tem consistência, o que financeiramente não vai ser tudo que você espera e conceitualmente não vai te levar a nada.
E indo mais para o lado dos shows, como aconteceu a Opinião Produtora?
A produtora veio da necessidade de começar a expandir a demanda do Bar. O primeiro show do cais foi nosso com The Waillers. O primeiro show no Jockey Club também, com Kiss e Metallica. A gente sempre teve essa tendência de procurar espaços que ainda não eram explorados. E o grande barato do Opinião também foi ter descoberto bandas do rock e ter apostado nessa história. O Teatro Mágico, Raimundos....na época (década de 90) Jota Quest era alternativo, Skank era alternativo...foram bandas que começaram a tocar no Opinião e ainda não tinham uma expressão nacional. Depois veio o Pepsi on Stage, para preencher outra lacuna, suportando sete mil pessoas, com shows mais populares.
Essas “descobertas” continuam?
Infelizmente o que acontece hoje é que não estão mais surgindo coisas novas legais, nessa linha rock. A gente está com uma carência muito grande, repetindo artistas das antigas. Se você pega grandes festivais vai ver que de bandas atuais não têm nada! No cenário nacional você conta nos dedos. Hoje está complicado, a gente tem que inventar.
Que show marcou você nesses anos?
Bob Dylan dentro do Opinião é o divisor de águas (1998). Antigamente para fazer um show internacional, quando era indagado pelos agentes você dizia: “Aqui tocou Yes, Deep Purple...”. Depois do Bob Dylan a gente dizia: “Bob Dylan tocou aqui”. Pronto. Se o cara pisou naquele palco, qualquer artista vai fazer show ali. Mesmo que você não tenha as condições técnicas, mas tem aquela aura que te leva pro lado mais místico da coisa.
E como foi?
Foi muito fácil. Ele ia abrir um show em SP, a gente conseguiu aproveitar ele para POA e ele chegou aqui tranquilo, foi lá para o Moinhos de Vento, veio para o Opinião, entrou no camarinzinho que a gente deu uma trabalhadinha, fez o show pontualmente. E estamos falando de um preço médio de ingresso para a época, algo em torno de $150. Com a bilheteria pagava só o cachê do cara, e todo o resto a gente teve que arcar, não tinha patrocínio, mas para mim foi a coisa mais legal que fizemos até hoje.
E o que decepcionou? Aquele show que vocês achavam que ia bombar e não rolou?
Sabe que eu não fico decepcionado com o artista? Eu fico decepcionado com o público. Eu não vejo Moby no Pepsi, por exemplo, e eu ter lá duas mil pessoas, era um show que tinha que lotar! Eu não vejo um Franz Ferdinand não lotar. São shows que Porto Alegre merece. Live no Opinião ter 800 pessoas. Live é uma banda que tinha que colocar 3, 4 mil pessoas pela cena!
Qual o sonho, a atração que você quer muito ainda ter na casa?
Sabe um cara que eu sempre quis fazer, sempre foi um sonho e eu não consegui porque morreu? Nelson Gonçalves. Esse cara eu vi meu coroa escutando, minha mãe escutando, eu escutei. Agora se eu começar a falar de grandes nomes falo Rolling Stones, Madonna, U2, mas gostaria de fazer pela produção, que deve ser sensacional.
Como vocês tomam fôlego ano após ano para se renovar e manter o Opinião em alta?
O Opinião é uma casa que tem que se manter pelo conceito que ela tem. O ideal seria eu oferecer estacionamento, a pessoa chegar ali e pagar um ingresso barato. Mas a gente não vai conseguir melhorar isso a não ser que a gente exploda o que existe e faça outra coisa. Então o que a gente tem que fazer é aprimorar para que as pessoas sejam bem tratadas, mantendo a simplicidade aquela que eu falei da cerveja gelada e batata frita crocante, um bom som, uma boa luz. Quando você tiver escutando um som ele não tem que estar ruim, você não tem que sair de lá com desconforto, mas a gente tem obrigação de saber.
Se você tivesse que definir um compromisso do Opinião com o público, qual seria?
Acredito que nós temos o dever de mudar a mentalidade. Eu fico puto, indignado, perco grana (ganhei mais do que perdi senão não tava aqui, né?), mas a gente tem a obrigação de fazer as pessoas se tornarem um pouco mais abrangentes nesse cenário musical que não é tão popular. Essa é a nossa realidade hoje que acho que tem tudo a ver com o conceito.

Por favor, poderiam me informar onde encontra-se a famosa cantatnte de tango, a portoalegrense Carmen del Campo que costumava se apresentar nessa casa no final da década de 70 ou início da década de 80?
Obrigado!
Roberto Coimbra
robcoimbra@gmail.com
Na minha opiniao não era o LIVE,como nos cartazes espalhados pela cidade,e sim EDWUARD K.por isso que e fa e ate eu que convivi pessoalmente com a banda,esperava um publico fraco,ele apesar de um voz unica e maravilhosa,ele quase afuindou o LIVE,eu breve gostaria de entrevistar alguem do bar opiniao na minha coluna no site www.portoimagem.com
Muito boa a matéria e no tema conceito o Opinião esta certo e eterno como principal casa de shows, sempre sendo o Templo do Rock e levando a galera a várias vertentes..Gosto muito de Rock nacional e gostaria de ver mais shows tipo Tenente Cascavel, Identidade, Cachorro Grande, etc..abçs
Gostaria realmente de saber se meu comentário será lido.
Sabe o que eu acho que falta, as vezes? É pensar na capacidade de publico, que a cena "Rock" de Poa suporta. Sou frequentador do Opinião, vou nas festas da casa, e em shows, e diversas vezes, em shows, encontro o Opinião (ou gigantinho) super-lotado, o que dificulta a satisfação com aquele show. As vezes, o preço oferecido faz com que o publico seja menor, em consideração ao artista. Eu fui no Iron, gigantinho com grades na volta da quadra, e horrivel de se movimentar na pista. Fui em Nightwish, Blind, Angra (com o teto do opinião caindo no 2º andar), Metallica (ótimo show, com barro e tudo no Condor), e tudo são histórias pra contar...
Pensar na organização, e no publico de grandes shows, Poa ainda não tem um lugar para as 'grandes' platéias (10 mil + pessoas)
Oi, Elias
Nós estamos lendo seu comentário, sim! Vamos mandá-lo pro Magrão, ok? Continue com a gente por aqui.
METALLICA DE NOVO APROVEITEM Q ELES ESTAO NO BRASIL EM SETEMBRO ,SLIPKNOT TB E SE PUDER TRAZER UM ARCADE FIRE DE BRINDE AI FECHA TODAS!!!!!!!!!!!!!
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