Brasil
/
Magazine
O novo samba mineiro pede passagem
Aline Calixto conversa com !ObaOba e conta como fundiu o samba carioca às rodas mineiras
Monday, 22 June, 2009 - 15h08
Créditos: Carolina Mendonça
"Sem música, eu morro", dramatiza a cantora carioca radicada em Minas Aline Calixto. Pode soar como exagero, mas a afirmação da moça de 28 anos tem lá seu ´quê´ de verdade. Se não tivesse, ela teria continuado sua carreira de geógrafa. Mas, a música, esse "órgão vital" de seu corpo, não deixou.
Não que ela tencionasse fazer do hobby carreira. Em seu site oficial, Aline confessa que entrou no samba mais pela pressão dos amigos do que por ambição própria. Tanto que nunca estudou música nem toca nenhum instrumento. Mesmo assim, conseguiu agregar a sua volta toda sorte de músicos de Minas e Rio - gravou com o rapper Renegado, dividiu o palco com gente do calibre de Luiz Carlos da Vila, Nelson Sargento e Monarco. Este último aliás, padrinho da Velha Guarda da Portela, dá as caras no primeiro disco da cantora (Aline Calixto a ser lançado ainda neste mês de junho), com a faixa "Retrato da Desilusão".
Além dessa ilustre releitura, 12 músicas inéditas integram o disco. Umas de amigos, outras de conhecidos e algumas dela própria, que se confessa compositora compulsiva: "Às vezes, estou tomando café, vem a letra na minha cabeça e eu saio correndo para registrar". Se você ainda não teve a oportunidade de ouvir o registro de Aline nas rádios ("Tudo que sou", de Toninho Gerais e Toninho Nascimento, bomba nas FMs de todo o Brasil), não se desespere: ela própria garante shows e mais shows para 2009. Enquanto isso, você pode curtir o samba mineiro da carioca Aline Calixto no MySpace e ler uma entrevista com ela logo abaixo.
Leia Mais:
>> Aline Calixto se apresenta no Estrela da Lapa
Qual é a sua formação?
Aline Calixto: Eu sou professora, me formei em geografia e fui dar aulas. Mas larguei tudo pra seguir a carreira de cantora. Nunca estudei música e não toco nenhum instrumento.
Quais são as suas principais referências musicais?
Maria Bethânia, Roberto Carlos, Adoniran Barbosa, Carmem Miranda, Marisa Monte e Noriel Vilela (um achado!).
E o que você tem escutado ultimamente?
R: Eu escuto muito MPB, estou sempre ligada nesses movimentos novos, escuto bastante o pessoal de Minas que tem bastante coisa interessante, gosto da Céu e dos Clássicos como Tim Maia, Gilberto Gil, Roberto Carlos...
Você acha que o mercado dá muito espaço a música de pouca qualidade?
Eu respeito o espaço de todo mundo porque eu também quero ser respeitada. Quando o trabalho do artista é verdadeiro, quando tem qualidade, tem consistência, tem uma proposta, tem algo para dizer eu defendo essa bandeira. Fora isso eu nem escuto...
Quem você destacaria da nova geração do samba?
Edu Krieger, Moisés Marques, Teresa Cristina e Rômulo Fróes.
Em que cidade você mora atualmente?
Eu moro em Belo Horizonte. Nasci no Rio, mas com seis anos fui para Minas. Depois, fiquei um tempo em Viçosa e voltei para Belo Horizonte. Apesar de não ter ficado no Rio, no Rio muitas portas se abriram.
O que você gosta de fazer quando não está trabalhando?
Eu gosto muito de boteco e de ir ao cinema. Mas nem sempre posso fazer porque não dá tempo. Leio loucamente, leio de tudo.
Que show você considera imperdível?
Zeca Pagodinho. Todo mundo sabe cantar tudo, eu fiquei impressionada.
Como e quando foi a primeira vez que você subiu num palco?
Minha memória é meio sequeladinha, não me lembro exatamente quando foi, mas eu sempre encarei com muita naturalidade. É porque eu sempre quis muito isso. A música é um órgão vital do meu corpo. Sem música, eu morro. Mas o primeiro show que me marcou mesmo foi em Belo Horizonte com Monarco, Nelson Sargento e Luiz Carlos da Vila.
Como é o seu processo de criação?
A música surge mesmo. Às vezes eu estou tomando café e vem a letra na minha cabeça e eu saio correndo pra registrar. Com a melodia é a mesma coisa, a inspiração vem e eu registro. Algumas vezes eu começo a escrever e sai tudo de uma vez. Outras vezes eu escrevo e continuo depois, em um outro momento. É meio louco isso.
Como você chegou na Warner?
Eu participei de um festival no bar Carioca da Gema, que é um reduto do samba na Lapa, no Rio de Janeiro. Lá estavam algumas gravadoras, alguns profissionais do meio e a Warner fez o convite.
E como foi o processo de seleção do repertório e dos músicos? A gravadora teve participação nisso?
Eu estou super satisfeita com esse repertório, com os músicos, com tudo. Esse disco é a minha cara. O que eu acredito está no meu CD. O que eu canto é o que eu penso, é a minha realidade. O pessoal da Warner foi muito respeitoso com o que eu estava propondo para o CD. Acho que entenderam bem minha linguagem. Algumas músicas acabaram ficando de fora, mas elas vão ser disponibilizadas nas mídias digitais, como celular, site... Quanto à escolha da banda, vieram músicos que eu sempre quis ter próximos, mas eu também trouxe a minha banda. Nós dialogamos e eu levei o meu pessoal também. Todos são de Minas e apenas um é do Rio.
Você já havia gravado antes ou participado de outras gravações?
Eu não tinha gravado nada meu antes, esse é o meu primeiro trabalho. Mas fiz algumas participações em outros discos, coletâneas e isso eu ainda ando fazendo. Participei do disco do Renegado, que é um rapper muito legal que mistura outros ritmos como samba, mpb... Eu sou aberta a experimentações; segregação não é legal. Quando a parada tem qualidade, vale a pena.
E como o seu trabalho está sendo recebido pelo público e pela crítica?
As pessoas estão me recebendo bem. Fui muito bem recebida até pelos próprios mestres que estão no meu disco. Me receberam de braços abertos, com muito carinho mesmo. São pessoas simples, humildes e muito especiais.
O que você acha dos jovens que agora estão curtindo cada vez mais o samba?
O que eu acho que está acontecendo agora é mais uma questão de mercado. O samba nunca saiu de destaque, e hoje o público jovem tem mil oportunidades de conhecer os velhos e os novos compositores e artistas que fazem samba, principalmente com a facilidade da internet. Eu mesma conheci o Rodrigo Santiago e o Douglas Couto, compositores da música Rainha das Águas, que está no meu disco, fuçando na internet. Então ela está a nosso favor. Tem um bom número de intérpretes excelentes que estão sendo descobertos e valorizados e o público está reconhecendo.
Quais são os seus planos para 2009?
Agora eu quero fazer show! Quero lançar esse disco! Lá por agosto e setembro estaremos por aí.

Não há comentários. Seja o primeiro!
Post new comment