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O reality show de MV Bill
Autor sem limites, ele fala sobre como a arte influencia a política
Monday, 02 August, 2010 - 11h07
MV Bill
Alex Pereira Barbosa ganhou a alcunha “Mensageiro da Verdade” desde cedo, quando a comunidade evangélica do seu bairro – a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro – já percebia no garoto uma potência ao desferir palavras. Isso só aumentou a confiança do jovem Bill, que aos 17 estreava no rap nacional na coletânea Tiro Inicial. Hoje, passados 17 anos, MV Bill já gravou quatro discos participou de diversas coletâneas, fundou a CUFA – Central Única das Favelas – organização assistencial de hip hop nas comunidades do Rio de Janeiro, fez o documentário Falcão – Meninos do Tráfico (clique aqui e veja a primeira parte do documentário), escreveu o livro Cabeça de Porco e participou do filme Sonhos Roubados, no qual recebeu elogios da diretora Sandra Werneck por dar um tom de veracidade ao filme. “Cara, eu vejo isso e sei que meu futuro é ilimitado. Imagina, quando eu era moleque eu achava que nem ia conseguir gravar um disco e olha o que eu já fiz”, comenta Bill.
Para dar continuidade a nossa série de entrevistas políticas, Bill foi escolhido por tudo isso e mais um pouco: o poder político (consciente ou não) de todas suas ações. Como diz o chavão: MV Bill é gente que faz. Da infância rica na Cidade de Deus (“não monetária, mas em carinho familiar, amizade e criatividade”, ressalta, orgulhoso) até virar garoto propaganda de uma das maiores operadoras de telefone do país, Bill parou um pouco para contar como faz e enxerga o Brasil hoje.
E porque você mora na Cidade de Deus até hoje?
Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que não condeno quem ganha dinheiro e sai de uma comunidade para morar em um lugar de maior poder aquisitivo ou fora do País. Mas eu moro na Cidade de Deus por opção até hoje. É uma questão de ideologia. É um grande exercício de realidade, porque eu viajo bastante, tô sempre em ótimos hotéis, em ótimos restaurantes, e voltar para a Cidade de Deus é um choque de realidade. Quando volto pra comunidade é como voltar a pisar no chão.
Você acompanhou as guerras de Zé Pequeno e Mané Galinha (do filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles)? O que mudou daquela época para agora?
Eu acompanhei um pouco, e meus pais contam histórias inacreditáveis sobre esse tempo. A realidade das comunidades carentes permaneceu, não houve um trabalho nem para manter o que havia antes, Falcão (Falcão – Meninos do Tráfico, documentário produzido por MV Bill) mostra que tem uma bomba relógio, que precisa ser feito alguma coisa, com educação e assistência.
Falando em Falcão, este documentário foi um dos grandes momentos de discussão sobre a questão do tráfico no Brasil e talvez no mundo nos anos 2000. O que te levou a fazer o filme?
O documentário Falcão gerou uma discussão de pautas do mundo todo – porque ele foi notícia no mundo todo. Quando esse assunto entra na pauta, isso causa constrangimento nas autoridades, e aí começam a acontecer algumas coisas. É essa é a função de fazer este filme. Sempre quis dar um tom bem realista para mostrar com o máximo de precisão a bomba relógio das comunidades do Rio de Janeiro. O problema é que o crime está sempre de braços abertos para estes jovens.
Qual é sua análise do governo Lula?
Eu acho o governo atuante, não só o do Lula, mas as três esferas do governo: municipal, estadual e federal. Vejo um esforço das 3 esferas do governo nas comunidades. Através da CUFA, que está em todo o Brasil, nós cobramos e nos colocamos à disposição para políticas públicas de integração. Já conseguimos diversas ações: aulas de teatro, de informática, campeonato de basquete, Festival RPB de Hip Hop e uma série de outros que ajudam os jovens a não caírem nos braços do crime.
Já tem candidato para as próximas eleições?
A CUFA vai promover um encontro com todos os presidenciáveis, chamamos os candidatos um de cada vez para debater os jovens de várias regiões da cidade, não só da CDD. É um espaço para trocar idéias, sem espetáculos, sem rodeios, sem showbiz e só aí vou tomar minha decisão em quem votar e apoiar.

MvBill muito inteligente,revolucionario perfeito ;)
Bela entrevista!
Bill tú és um agente político,de idéias transformadoras,continue sendo protagonista das mudanças,só de pensares em mudar o mundo, tens a minha adimiração e o meu respeito.
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