ObaOba conversa com o fotógrafo Marcos Hermes

De Mettalica a Beyonce, seu acervo tem os nomes mais tops da música

Marcos Hermes
Marcos Hermes (Créditos: Divulgação/Facebook Oficial)
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Marcos Hermes (Créditos: Divulgação/Facebook Oficial)
Marcos Hermes
Marcos Hermes (Créditos: Divulgação/Facebook Oficial)
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Marcos Hermes (Créditos: Divulgação/Facebook Oficial)
Marcos Hermes
Marcos Hermes (Créditos: Divulgação/Facebook Oficial)

Não há dúvidas de que uma imagem vale mais que mil palavras. Muito menos que uma fotografia pode marcar um momento e congelar a história. E é disso que vive Marcos Hermes, um dos principais nomes da indústria musical brasileira que teve a oportunidade de registrar vários shows e festivais de peso. Há mais de 20 anos na profissão, o fotógrafo fez a cobertura oficial de vários showzassos no Brasil, Beyoncé, U2 e Paul McCartney, só para citar três.

Com quase 700 capas de CD’s, DVD’s e LP’s já produzidas, é bem provável que você conheça suas artes. O Acústico MTV da Cássia Eller, CássiaRockEller, The Best so far do Ben Harper, Ney Matogrosso interpreta Cartola são só alguns de seus trabalhos. A ligação de Marcos, 37, com a música vem de longa data. Carioca radicado em São Paulo, ele toca bateria desde a infância, acompanhou o segundo Rock in Rio já como fotógrafo, caiu no mercado e hoje virou referência. “Hoje meu coração é dividido entre música e fotografia”, conta. Confira a entrevista:

Como você decidiu que seria fotógrafo profissional?
Na verdade, eu sou baterista desde muito cedo, desde os 12 anos, e tocava em várias bandas no Rio de Janeiro. Em 1988, eu e uns amigos decidimos fazer um fanzine. Então, comecei a fotografar os shows das bandas que eu gostava. Depois, fotografei o Rock in Rio 2, em 1991, para uma revista argentina chamada Madhouse. Eu era um moleque, tinha 17 anos, e já publicava num veículo internacional, especializado em música. Então, foi uma época bacana para começar. Depois disso, eu comecei a trabalhar para jornais no Rio.

Como foi esse caminho de fotografar música?
Eu acho que foi o fato de eu sair da música, de eu ser baterista e estar vivendo isso desde muito cedo. Meu coração é exatamente divido ao meio entre música e fotografia. Então, eu consigo entender a importância da fotografia na música e transformar isso em imagem. É paixão que me faz continuar fazendo o que eu faço, apesar de todas as dificuldades que o mercado impõe. Acredito que meu trabalho virou referência também por causa disso, porque quando você faz o que gosta, você consegue extrair situações que em outros casos não acontecem.

Quando você fotografou seu primeiro show grande?
O primeiro grande show que eu fiz foi o Mettalica em 89, no 
Maracanãzinho. Foi sensacional e ali eu saquei que queria ser fotógrafo profissional, que queria viver daquilo. Ali, o pit dos fotógrafos virou a minha casa.

Em 2009 você já tinha ultrapassado a marca de 500 capas de CDs, DVDs e LP's. Agora você acha que esse número foi para quanto?
Preciso refazer essa conta, devo estar chegando nas 700 capas. Mas isso é uma coisa que se torna mais lenta a cada dia, porque se produz muito menos. Hoje em dia, é uma coisa muito mais lenta, não existe um volume tão grande quanto existia a cinco, dez anos atrás.

Você já fez cerca de 700 capas de discos, tem uma capa favorita?
Adoraria chegar a mil discos, não sei se um dia eu vou, porque hoje a produção é mais lenta. Um projeto que me marcou muito foi o Acústico da Cássia Eller. Não porque tem a melhor foto, mas porque virou referência, mesmo depois de dez anos, vários artistas me procuram por conta dele. Foi tudo feito em filme, não tinha telinha de LCD para ver as imagens, e eu lembro que eu fiz uma foto e comentei com uma amiga na hora “pô, fiz a foto da capa”. Também teve outra marcante, do Vivo, do Ney Matogrosso no 
Canecão, em 1999. Foi aí que eu migrei do mercado editorial para o mercado fonográfico. Lembro que outros fotógrafos ficaram enciumados. Isso me deu força, impus respeito, mas, ao mesmo tempo, foi estranho por eu incomodar os caras.


Confira a galeria de fotos com alguns dos trabalhos de Marcos Hermes

Qual é o seu acervo de fotos?
Meu acervo já passou de um milhão de fotos, ele é bem grande e eu cuido muito dele. Estou sempre cuidando dos negativos para que não tenha umidade, cuidando dos arquivos. Tenho tudo triplicado para que se acontecer alguma coisa com um, tenho o backup do outro. Isso é um cuidado que muitos fotógrafos não têm: organização do material e como arquivar isso. 

Como foi a experiência de fotografar um show tão importante como o do Paul McCartney no Brasil?
Eu fui convidado pela produção, fiz as duas turnês, 2010, em Porto Alegre e São Paulo, e 2011, no Rio. Esse trabalho foi, sem dúvida, um dos mais importantes da minha carreira, me coroou, porque ele é o maior artista vivo. Foram no total mais de cinco mil fotos publicadas e mais de oito mil downloads de imagens. Um recorde. Isso aconteceu apesar de o tempo ser muito curto. Na primeira turnê, tinha uma música para fotografar e na segunda, duas.

Tem algum lado negativo em ser fotógrafo de artistas?
Tem muitos, principalmente o fato de qualquer um ter uma câmera hoje. As empresas pagam menos e num lugar que tinha dez fotógrafos, hoje tem 30. Sempre tento ter exclusividade para poder criar, para poder pensar direito. Sou inquieto, uso muita lente diferente e preciso de espaço. Mas, no geral, acho que a boa foto vai sempre prevalecer, vai mandar, não importa se você está fazendo com o celular. Sem dúvida, a velocidade de transmissão das imagens é uma coisa importante para caramba. Poder registrar e mostrar as fotos rápido é um ponto muito importante até na negociação do trabalho. Tem que prevalecer a imagem, mas não esquecer que ao mesmo tempo que time is money.

Qual foi a situação mais difícil que você já passou?
Quando eu trabalhei com a Beyoncé, tive 90 segundos para produzir e eu era fotografo oficial dela. O público também é muito mal educado com os fotógrafos, joga coisas, reclama, insulta. Esse é o grande desafio, fazer uma boa foto em pouco tempo, com pessoas brigando com você, mas sempre foi assim e nunca vai mudar.

Qual foi o show ou festival que você teve que fotografar que mais te marcou?
Sem dúvida o Rock in Rio. A história do festival se confunde com a minha história como fotógrafo, porque no primeiro meus pais não me deixaram ir, era muito moleque. Pude assistir pela televisão e ver que queria viver daquilo, ali a música me seduziu de verdade, me conquistou, foi a paquera. No segundo eu estava começando, foi onde eu publiquei as primeiras fotos nessa revista gringa [Madhouse]. No terceiro, eu já estava em agência, estava trabalhando na Editora Abril, fazendo capa de disco, estava em um momento estável como profissional. Depois fui para a Europa, fiz Lisboa, Madrid. Estou ansioso para estar no festival agora esse ano, para fotografar o Stevie Wonder. Ele é um dos artistas que eu sonho em fotografar e nunca tive a oportunidade. Se ele confirmar, eu quero fazer. 

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