Brasil
/
Magazine
A política jovem e de esquerda de Carlos Giannazi
Deputado estadual expõe suas ideias ao ObaOba
Monday, 05 July, 2010 - 10h11
O deputado estadual Carlos Giannazi segue um caminho diferente dos políticos convencionais. Suas bandeiras não são as mesmas de representantes do povo que vivem engravatados, e de seus gabinetes não entendem os anseios do jovem. Militante social desde a adolescência, o hoje político do PSOL já foi filiado ao PT, mas após muitas divergências com o partido, que segundo o próprio "perdeu suas ideologias", decidiu mudar de ares. Fã de Bossa Nova, Giannazi já organizou mostras de música na câmara legislativa da capital paulista, na época que foi vereador. Conheça um pouco mais dos projetos e ideias do deputado estadual pelo estado de São Paulo Carlos Giannazi.
O que te motivou a ingressar na política?
Pelo fato da política ser um instrumento de intervenção na sociedade. E com o mandato eu teria mais condições de dar prosseguimento ao que eu já vinha fazendo como militante social, como professor, como diretor de escola. O mandato parlamentar só potencializou uma luta que eu já vinha desenvolvendo desde os meus 17 anos. O mandato é uma continuação desta minha luta histórica.
Seu início na política tem ligação direta com o PT. Mas você se desligou do partido para se filiar ao PSOL. O que aconteceu?
Eu tive divergências com o PT em 2001, na minha primeira eleição. Fui expulso do PT duas vezes por votar contra projetos desenvolvidos pelo partido na época da ex-prefeita Marta Suplicy. Minha eleição a deputado estadual, em 2006, já foi pelo PSOL. O PT perdeu suas ideologias, perdeu o rumo. Virou um partido de direita, que compactua com tudo o que nós sempre criticamos.
Falando em PT, eu gostaria que você fizesse um balanço dos oito anos de governo Lula.
Em relação aos governos anteriores, como o do Fernando Henrique Cardoso, do Collor, do Sarney, ele foi melhor, sem sombra de dúvidas. Porém, ele não mudou o Brasil no ponto de vista econômico, no ponto de vista dos costumes políticos. O Lula se aliou ao que há de mais atrasado, conservador e podre no mundo político. Se aliou as oligarquias: família Sarney, Jader Barbalho. Ou seja, o PT não inovou em nada. Na verdade o partido reproduziu tudo aquilo que ele criticou no passado. Sem contar que anestesiou os movimentos sociais, os movimentos populares. O Lula cedeu cargos a sindicatos, como CUT e UNE, que são movimentos “Chapa Branca”, todos vinculados ao Governo Federal. Agora a sociedade está sem mobilização alguma.
Você falou relativamente mal do PT. E no estado de São Paulo, o PSDB, que, ao menos na teoria, é o oposto do seu ex-partido, tem domínio total há mais de 16 anos. O que você acha disso, especificamente dos últimos quatro anos do José Serra como governador?
O PSDB foi um verdadeiro desastre para São Paulo. Atrasou o desenvolvimento do estado, sucateou o ensino público. A administração do PSBD, desde Mário Covas chegando ao José Serra, sempre teve ideais privatizantes. Nossas principais empresas públicas foram entregues ao capital privado. São Paulo retrocedeu 50 anos não mãos do PSBD do ponto de vista do desenvolvimento. Além de não investir na Universidade pública, na escola pública. E o José Serra aprofundou ainda mais isso. Seu governo acabou com a aposentadoria de servidores públicos e outras categorias profissionais. Criminalizou os movimentos sociais, jogou a tropa de choque contra os professores, na USP. Contra a própria polícia civil houve repressão. É um governo que criminaliza qualquer tipo de movimentação da sociedade.
Nós já falamos de governos federais e estaduais. Agora eu peço que você afunile um pouco mais. Na cidade de São Paulo, os últimos oito anos foram divididos em quatro de anos de gestão PT e quatro de gestão PSDB/Democratas. Você vê muitas diferenças nas duas administrações? A cidade de São Paulo evoluiu?
No ponto de vista das áreas sociais nós não avançamos também. A educação continua ruim, a saúde também, o trânsito, o transporte coletivo. Eu acho que a cidade de São Paulo está em colapso, e vem sendo governada pelo poder econômico, pelos interesses das empreiteiras. A administração da cidade segue a mesma linha do governo estadual. Considerei os quatro anos da Marta Suplicy melhores. Houve muitas contradições, muitos erros. Mas em termos comparativos o governo foi melhor, investiu mais em áreas sociais. Mas eu considero o governo da Luiza Erundina o melhor, para educação, para áreas sociais, para saúde.
Uma das suas principais bandeiras como político é o fim da Ordem dos Músicos do Brasil. Eu queria que você falasse um pouco mais dessa ideia, do que você já alcançou.
Nós criamos um movimento forte aqui em São Paulo que defende o fim da ordem dos músicos. E o principal instrumento que nós construímos para libertar os músicos do assédio, das fiscalizações e do pagamento obrigatório da anuidade é uma ação que nós conseguimos emplacar no Supremo Tribunal Federal. Essa ação revoga vários artigos que criou a ordem dos músicos em 1960. Essa ação impede a ordem dos músicos de fiscalizá-los, de cobrar anuidade, de parar o show do músico porque não tem carteira, porque não tem nota contratual. Essa ação está sendo julgada no Supremo Tribunal Federal e nós estamos otimistas.
Você parece saber o que os músicos querem. Por acaso você tem alguma ligação direta com a música? Já teve banda?
Eu já tive banda, toco violão, sou compositor. Gosto muito de música brasileira: Bossa Nova, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Chico Buarque. Mas nunca fui músico profissional, nunca fui um operário da música. Tenho amigos que vivem da música, conheço vários músicos profissionais que tocam em bares, restaurantes, casas noturnas, casas de cultura, em vários lugares.
Você também defende o combate à homofobia, certo?
Essa é uma outra luta que eu defendo há mais de dez anos. O Brasil é um dos países mais homofóbicos do mundo. Os homosexuais são mortos e exterminados aqui no. Grupos neonazistas, os skin heads. Nosso projeto aqui em São Paulo visa combater a homofobia, a intolerância, a violência, o crime de ódio. E nós tomamos várias iniciativas, apresentando projetos, realizando seminários, participando das paradas gays, acionando o poder público contra qualquer tipo de denúncia em relação aos homosexuais.
Você governa especificamente para o jovem?
Eu tenho um pensamento crítico, progressista, rebelde, no bom sentido. E tudo isso têm uma identidade muito grande com o jovem, que tem essa tendência também. Meu mandato é muito ligado à cultura, educação, música. Então essas atitudes atraem a juventude.
E você acha que o jovem é bem representado no cenário político nacional?
Não acho, não. Nós até temos alguns deputados jovens, mas que são representantes das velhas oligarquias. Não é porque ele novo que ele é bom. O ACM Neto, por exemplo, é novinho, fala bem, mas ele representa a família ACM, uma cara da direita, do Democratas, que defende ideais velhos.
Falando em Democratas e PSDB, o José Serra elegeu o deputado federal Índio da Costa, que também é um cara jovem, e foi um dos redatores do projeto “Ficha Limpa”, como candidato a vice-presidência da República. O que você acha dele?
Eu não o conheço. Por enquanto ele é um ilustre desconhecido. Me preocupa o fato dele ter sido envolvido na licitação fraudulenta da merenda escolar da prefeitura do Rio, ele era secretário de administração, ele foi acusado pela CPI da merenda escolar. Isso prova que ele não é tão santo assim.
Qual a importância da internet para um político que fala diretamente com o jovem?
Eu acho fundamental. É um instrumento imprescindível. Eu utilizo muito. Tenho site, blog, Orkut, Twitter. Nosso site está sempre atualizado, as pessoas entram, mandam perguntas, mandam apoio.
Comentários
links patrocinados
Últimas matérias
Novidades
O que estreia nos cinemasSeguuuuuuuura
Rodeios pelo Brasil em 2012Programação
Baladas da semana em São PauloProgramação
Shows da semana em São PauloRoteiro
Hostels em São PauloPlaylist
Músicas para despedida de solteiroBalanço
Destaques do Sónar São PauloContinuação
Sónar São Paulo no Parque Anhembi: 2º diaSurfe
Billabong Rio Pro 2012Comoção coletiva
Los Hermanos resume 15 anos em duas horas em SPGringos no Brasil
Shows internacionais confirmados em 2012Entrevista
Miguel Migs lança álbum novoCuriosidades
Artistas do Sónar São PauloAgenda
Maio
qui
17
sex
18
sáb
19
dom
20
seg
21
ter
22
qua
23

Professor Carlos. Tudo que ouço falar a seu respeito, vem de encontro com o ideais que comungo. Acho que uma coisa é pregar uma conduta, outra é manter uma conduta crível em prol das coisas boas. É bom ver gente como você que faz no que acredita.
Carlos Giannazi, conheci vc na Cidade Dutra Através das minhas amigas, que estudavam na escola em que vc dava aula, e da Marlene sua acessora, depois que vc ganhou eu logo mudei para Jabaquara. Nunca esquecerei de tudo o que vc fez lá, daquele espaço que vc liberou para todos aqueles cursos, quero dizer muito obrigada por tudo, é mesmo lindo o que vc faz pela educação até então nunca havia visto coisa igual.
Carlos trabalho no banco do Brasil através de uma terceirizada, vim de uma família simples e amo a educação, mas nunca realizei meu sonho de fazer uma faculdade, e sempre que posso falo muito bem de vc, mesmo com a distancia tenho orgulho de vc, uma vez te encontrei no supermercado Pão de açúcar na Vila Nova Conceição, eu estava trabalhando de promotora de vendas, e só agora que te vejo nas propagandas nas ruas, estive lendo as sua reportagens e fiquei feliz pelo o que vi, vc continua cada vez melhor, não quero te perde de vista envie-me algo sobre vc e su trabalho.
Alacoque...
Post new comment