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Portais querem ser MySpace, Myspace quer ser portal

Dono do site anuncia que pretende migrar de rede social para estrutura de mídia tradicional

Por: Gabriel Rocha Gaspar*

Monday, 20 July, 2009 - 14h08

 

Na semana passada, o executivo chefe da News Corp, gigante de mídia americana, disse ao Wall Street Journal que pretendia transformar o MySpace em um portal de entretenimento. De acordo com ele, o formato funcionaria melhor, já que o público do site entra lá basicamente para buscar o que ele chamou de "interesses comuns". O anúncio pegou o mercado de calças curtas já que as palavras de ordem do momento - web 2.0, interatividade, conteúdo participativo etc - vão na contramão do tradicional modelo dos portais. Tanto que todos os portais vêm buscando cada vez mais aproximar-se de redes sociais como o próprio MySpace, diga-se de passagem.

"Muita gente vai perguntar para ele o que ele quer com isso", aposta Alexandre Campos Silva, gerente de consultoria do IDC. Para ele, o encolhimento global do MySpace - que desmontou o escritório no Brasil depois de apenas um ano de atividade e demitiu dois terços de sua força de trabalho no mundo - é mero reflexo da crise. "Em um cenário econômico crítico, todas as empresas têm de dar uma contribuição no enxugamento dos custos. E o MySpace não é exatamente uma atividade lucrativa".

Até aí, poucas são as atividades lucrativas em web 2.0. O Google, por exemplo, digladia com os vermelhos do YouTube desde sua aquisição, em 2006. Só agora, a holding começa a fazer projeções de lucro. Mas o que está por trás do drástico encolhimento do MySpace é um concorrente agressivo chamado Facebook. A rede social dos músicos e bandas, menina dos olhos da web participativa, reinava no setor até que o Facebook começou a angariar usuários e não parou mais - em maio deste ano, atingiu 70,3 milhões de membros, frente os 70,2 milhões do MySpace. O que é mais alarmante: enquanto o MySpace perdeu 5% de sua base de 2008 para 2009, o Facebook dobrou no mesmo período.

De acordo com a nota do Wall Street - que também pertence à News Corp. -, a guinada para portal é uma tentativa do MySpace de aproveitar sua força como ferramenta para artistas "mostrarem seu trabalho e encontrarem fãs". Por isso, ela reforçaria essa posição em detrimento da interatividade. Quer dizer, abriria o espaço de interação para Facebooks, Twitters, Diggs, Delicious e YouTubes da vida e acirraria a concorrência com sites como AOL e MSN. Isso seria assumir que o site não tem fôlego no novo cenário 2.0? Se sim, será que o MySpace tem força para bater nos portais estabelecidos? Só o tempo dirá.

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