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Rage Against the Machine - um outro olhar
Ric Ostrower compara show de 1995 com o do SWU
Wednesday, 13 October, 2010 - 11h22
“Good evening! We are Rage Against The Machine, from Los Angeles, California!”. O clássico bordão proferido por Zack De La Rocha é a deixa para os primeiros acordes furiosos de “Testify”, que imediatamente incendeiam o último e mais esperado show da primeira noite do festival SWU. A imagem vai aos poucos se desfocando na cabeça deste colunista ... Fusão em flashback para um momento parecido, mas que havia acontecido 15 anos antes.
A mesma banda adentra o palco improvisado da CSU - California State University, em Dominguez Hills, California, EUA. Situado em uma das áreas menos privilegiadas de Los Angeles - mas bem perto das origens da banda - o lugar havia sido escolhido por Zack & Cia para o show "For The Freedom Of Leonard Peltier", um concerto beneficente para arrecadar fundos para Leonard Peltier, ativista e membro do AIM (American Indian Movement), encarcerado em prisão perpétua pelo assassinato de dois oficiais do FBI, em 1975, na reserva indígena de Pine Ridge. Essa é a história que o RATM conta em seu videoclipe de “Freedom”, mas de forma diferente da versão oficial, clamando pela inocência de Peltier e exigindo desesperadamente no refrão final: “Freedom ... yeahhhhh !!!” Liberdade para os oprimidos, essa sempre foi a maior bandeira do Rage.
De volta ao SWU, depois de Tom Morello finalizar “Testify” solando ao arranhar uma corda arrebentada de sua guitarra e da pancada de “Bombtrack”, De La Rocha anuncia a terceira música da noite: “People Of The Sun”, dedicando-a aos companheiros brasileiros do MST (Movimento dos Sem Terra). A enorme estrela avermelhada ao fundo do palco, marca registrada do RATM, soa como um merchandising perfeito do PT em época de eleições. Pura coincidência.
Coincidência também que eu estivesse de férias em Los Angeles, em 1994, abrisse o semanário local e desse de cara com um pequeno anúncio: RAGE AGAINST THE MACHINE Benefit Concert. E o line-up era convidativo: Cypress Hill, Quicksand, os veteranos punk do X, e ainda uma participação especial dos ultra-hypados na época, Beastie Boys. O show aconteceria à tarde, em um palco improvisado no Velódromo da CSU, com o Rage Against The Machine fechando a fatura.
Lá fui eu, carro alugado e mapa nas mãos tentando decifrar o emaranhado de highways . Em 29/4/1995, o Rage Against The Machine ainda era uma banda ascendente, então com apenas um álbum lançado (o auto-intitulado RATM, de 92). Mas o Rage é o tipo de banda que não precisa de tempo pra convencer ninguém, a aderência à sua música é instantânea. Aquele primeiro CD havia caído nas minhas mãos por pura sorte. Era final de 92, e uma amiga que acabara de comprar o lançamento nos EUA sugeriu que eu ouvisse. Fiquei intrigado pela capa, com aquela foto em P&B do monge vietnamita ardendo em chamas. A imagem se aplicava ao som, com suas letras politizadas e uma sonoridade que misturava punk, hip-hop, riffs zepellinianos e muita, mas muita raiva. Nunca tinha ouvido nada como aquilo antes. Era poderoso, cru, honesto e exalava força, indignação e uma rebeldia que despertava os sentimentos mais viscerais em jovens de 20 e poucos anos. Como eu. Ouvir “...fuck you, I won't do what you tell me!...” repetidas vezes e no talo, bagunçava meus hormônios e pensamentos de forma arrebatadora. O nome era perfeito: Raiva Contra o Sistema (em tradução livre).
A mesma raiva deve ter sido responsável pela confusão que interrompeu o show na quarta música do Rage Against The Machine ontem no SWU, “Know Your Enemy”. Fãs mais exaltados da pista normal tentavam invadir a pista vip pra chegar mais perto do quarteto incendiário (...anger is a gift...), enquanto colocavam em prática os ensinamentos das letras da banda, que pregam igualdade.
Pista VIP em show de rock é uma das piores invenções brasileiras dos últimos tempos. E como um evento que prega a sustentabilidade, como o SWU, adere à uma prática tão elitizadora é, no mínimo, curioso. Talvez a organização do festival tenha, no fundo, preocupações maiore$ do que esta famigerada palavrinha mágica do novo milênio, a tal da sustentabilidade. Só isso explica estacionamentos a $100 no evento, que caem para ainda muito caros $50/dia se o veículo for povoado por mais de três pessoas. Mas, pior que isso, é ter uma política que incentive o uso de transporte público para se ir ao show e depois não oferecê-lo na prática. Hordas de pessoas deixaram o show com o bilhete de volta pré-pago sem encontrarem os respectivos ônibus na porta. Muitos, como eu, tiveram de andar por cerca de 4km em meio à poeira, com o trânsito totalmente parado, até a pista da rodovia principal para là descobrir que o transporte público também não estava disponível. Desde a saída do evento até a casa em que estou hospedado, no centro de Itu, foram 3h05, entrando quase à força em um ônibus público no trevo da rodovia, esperando muito até que ele pudesse se movimentar graças ao trânsito desorganizado (e sem policiamento rodoviário, diga-se de passagem), e depois negociando com a máfia de taxistas, quase inexistentes, na rodoviária da cidade. Um absurdo! Vale lembrar que o preço dos ingressos inteiros, vendidos aos milhares, para shows sem cobertura e sem cadeiras (claro estamos falando de shows de rock!), variam de $240 a $640! Com esse preço, podemos mesmo estar falando de show de rock?!? Caro leitor, me indique um lugar no planeta onde um show de rock custe tão caro quanto aqui no Brasil, e ainda com serviços precários como os que se viram ontem no SWU. Isto é uma situação insustentável!
Mas voltemos ao show do RATM. Aquela apresentação em Los Angeles havia sido antológica. Zack pulava pelo palco e cantava com os mesmos vocais gritados e afinados do CD; Tom Morello se contorcia na guitarra com seus riffs únicos; Brad Wilk esmurrava com groove seu kit mínimo de bateria, enquanto Tim C acompanhava tudo no baixo, pulando sem parar. Era uma banda tocando de forma coesa, muito alto e claro. Uma energia avassaladora emanava do palco e era impossível não ser contagiado por aquilo. A platéia em transe dançava formando um grande círculo, num misto de selvageria e pura entrega, imagem inesquecível.
Mas agora, em 2010, a questão era: como a banda se comportaria depois de tantos anos? Conseguiriam eles recuperar aquela energia incontida? Na época eram bem jovens, na casa dos 20, em início de carreira, genuinamente revoltados contra o sistema. Mas hoje Zack tem 40, Morello, 46. Ganharam dinheiro e fama, amadureceram, se separaram por diferenças em 2000 e voltaram no Coachella de 2007. Enfim, as coisas mudam, e o mundo mudou bastante desde 94. Clinton estava então ainda no início de seu primeiro mandato. Teria um segundo. Depois viriam oito anos inglórios sob o comando de G.W. Bush, os ataques terroristas de 11/9, a Guerra do Iraque, a crise econômica mundial.
Mas e com RATM, como seriam as mudanças? A tendência é que bandas de rock declinem com o tempo, e parecia difícil acreditar que quarentões conseguiriam cantar com toda aquela raiva característica do Rage, sem parecer uma caricatura de si próprios. Ainda existiria química entre os quatro? A genuidade da banda (avis rara no meio musical) estaria ainda ali depois de tantos acontecimentos?
Depois de alguns minutos de paralização e com as grades de isolamento recolocadas pelos seguranças do SWU, o show recomeça com a banda a todo vapor em “Bulls On Parade”. Mas na sequência, um apagão no som do PA deixa os fãs atônitos, falha inadmissível para um festival deste porte. A banda, sem perceber, continua tocando, já que o retorno funcionava normalmente. Nova pausa, os ânimos ficam exaltados na platéia do SWU, que improvisa um coro: "ei, SWU, vai tomar no c..."
Isso poderia ser um balde de água fria, e seria na maioria dos casos. Mas não quando a atração em cima do palco responde pela sigla RATM. O show recomeça. "Calm Like A Bomb", "Sleep Now In The Fire", "Bullet In Your Head", “Wake Up”, “Guerilla Radio” se sucedem e enlouquecem de vez a massa, com duas rodas de pogo em plena atividade na frente do palco. Fim da primeira parte do show. Um sentimento de euforia paira sobre a platéia, que agora entoa um canto muito mais otimista: “Olê, olê, olê, Rage, Rage!”
Impressionante que tantos anos depois o mesmo sentimento esteja ali, intacto, com a banda tocando com tanta força, furiosamente, Zack ainda pulando e se esgoelando. O Rage Against The Machine continua ainda no ápice, talvez nunca tenha saído de lá.
O som da Internacional Comunista anuncia a volta para o bis e chega a vez de “Freedom”, um dos maiores hits da trupe. A casa vem abaixo uma vez mais e o último acorde da música é a deixa para emendar o maior petardo da noite, “Killing In The Name”, o hit supremo que encerraria a noite em grande estilo. Um show que só não foi perfeito por conta das falhas do festival.
Anos depois, ouvir “...fuck you, I won't do what you tell me!...” repetidas vezes e no talo, ainda bagunça meus hormônios e pensamentos de forma arrebatadora.
Vida longa ao RATM!

Classe A a matéria...foi a melhor sobre o show q eu li
Vc n poderia estar em todos os lugares nakela noite...em um dos caixas proximos aos 2 palcos principais acabaram-se as fichas p comprar comida...segurança dando choque na mulecada q estava urinando em uma moita ( n é certo, mas choque??)
E ainda a organização do swu vai fazer outros festivais pelo mundo? absurdo.
Esperei minha adolescencia p ver o RATM, desde a primeira vez q marcaram show no Brasil no final da decada de 90, que após uma contusão no pé do vocalista fez com q fosse cancelado, onde ate a pouco tempo eu guardava a revista Show Bizz da epoca c o anuncio do evento q dizia: "Se vc pensa que as revoluções acabaram, prepare-se". Finalmente assisti ao show, mas gostaria de ve-los em um show de 2hr em uma casa de shows menor...ou ate em um estádio. Por ex, lotando 2 dias o estádio do morumbi.Mas q fosse um evento só da banda...
Ab
Eles são fodas de maaais e sempre vão ser!
Esta era umas das melhores bandas do mundo!!!!
continua sendo uma das melhores do mundo!!!
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