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Renato Weiss fala do Carnaval no RMC

DJ abre a noite de Loco Dice e Luciano e conta suas experiências e aspirações ao ObaOba

Por: Mariana Morais

Saturday, 13 February, 2010 - 06h00

 

Créditos: Arquivo pessoal

Como nem só de samba vive o Carnaval, já está rolando a segunda edição do Rio Music Conference, na Marina da Glória, na Cidade Maravilhosa. No meio de um line up cheio de DJs top de linha como Tocadisco, Armin Van Buuren e Erick Morillo, na noite de domingo (14/02), se apresentam o chileno Luciano e o responsável por uma das melhores noites da D-Edge (SP), em 2009, Loco Dice. E é nessa mesma noite que se apresenta o jovem DJ Renato Weiss, abrindo com chave de ouro.

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Catarinense radicado no Rio, Renato já está conquistando seu espaço na cena eletrônica carioca com sets de techno e tech-house. Ele começou na música ainda criança tocando gaita e flauta em uma banda de Cool Jazz e Blues Instrumental e tem influências que vão desde Miles Davis até Breeders e Alice in Chains, além de ser fã de intérpretes brasileiros como Marisa Monte e Ed Motta. "Marisa Monte é uma cantora que eu acredito não ter perdido nenhum show aqui no Rio", exagera.

Renato tem apenas 26 anos, se aventurou nas picapes pela primeira vez em 2006 e não esconde a empolgação para o RMC 2010: "(É) Excitante como o Carnaval carioca!", diz.

Na véspera de sua apresentação no carnaval eletrônico, o ObaOba bateu um papo com o DJ e ele contou um pouco de sua história, a quantas anda a carreira e como é participar de um festival de música eletrônica em pleno carnaval carioca.

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ObaOba: A Claudia Assef tem um livro chamado Todo DJ já Sambou. Você, DJ e radicado no Rio, gosta de samba?

Sabe que ontem no taxi estava tocando um samba de raíz que eu achei ótimo?! Meio a cara do Rio, fim de tarde, cervejinha... Então nesse contexto posso dizer que eu gosto! Mas confesso que fujo de qualquer bateria, que nessa época aparecem aos montes na praça, escritórios, em frente de lojas, etc. E na maioria das vezes os componentes da bateria não têm pretensão alguma de "fazer bonito", daí fica um samba-sambado, que isso sim me irrita!

Como você começou a tocar?

Sempre fui participante ativo da cena underground do Rio. Passava horas pesquisando músicas, mas não as canalizava para nada, a não ser para divulgá-las em CDs faixa-a-faixa para os amigos. Mas no final de 2006, por intermédio de um grande amigo, fiz um curso com o DJ Brunno Mello. Daí tudo começou.

Quais são suas influências musicais?

Bem, quando criança até a adolescência eu tocava flauta e harmônica numa banda adulta de Cool Jazz e Blues Instrumental, cresci ouvindo bebop influenciado por uma professora no colégio (onde tudo começou) com Miles Davis e Gerry Mulligan. A MTV influenciou muito também, de 1992 até 2000, eu assistia a todos os programas e algumas bandas marcaram como Sonic Youth, Breeders, Smashing Pumpkins, Alice in Chains, Stone Temple Pilots e Nirvana, numa pegada mais rock que me influenciaram demais. Já na música eletrônica, minha porta de entrada foi o Techno, mas sempre gostei de House. Difícil citar nomes, pois a onda é meio efêmera, mas hoje, curto muito as produções do Manuel Tur, Jay Shepheard, Daniel Kyo.

Quem você gosta de ver tocar fora da cena eletrônica?

Adoro intérpretes! Marisa Monte é uma que eu acredito não ter perdido nenhum show aqui no Rio. Curto o Ed Motta também. Há algumas semanas vi o show do Cranberries aqui no Rio e foi muito bom! Se pudesse rodaria o mundo pra assistir a shows dos artistas que eu gosto, principalmente os "noventistas" que tenho saudades.

Onde foi o lugar que você tocou e que foi mais importante para você?

A maioria dos lugares tem sido importante para mim. Gosto tanto do que eu faço que às vezes simples detalhes como um público de 60 pessoas, porém vibrante, fez com que a última festa que eu toquei (Make, no Dama de Ferro) sexta-feira passada, marcasse bastante. Achei muito importante ter tocado em Florianópolis - minha terra natal - ano passado, assim como na extinta MAJA, festa do produtor Fellipe Marques na qual eu passei de frequentador assíduo a DJ em uma noite. O Chemical Music Festival abriu seu line up para minha apresentação ano passado e também foi muito importante. Esse ano eu abrirei a pista do RMC e eu sei que se tornará mais uma opção na lista dos mais importantes.

Por que você escolheu viver no Rio?

Minha formação é de Engenheiro Químico e o mercado em Florianópolis não é o mais favorável. A escolha pelo Rio também se deu por uma paixão à primeira vista pela cidade. Isso aqui é um caos, mas é muito foda!

Como é participar de um evento tão importante como o RMC?

Excitante, como o Carnaval carioca! Só que mais agradável aos meus ouvidos. Já tinha participado ano passado, na primeira edição, tocando em um dos dias da conferência. Este ano, fazer parte do line up de uma das festas é gratificante e, para mim, é muito legal ter um reconhecimeto da trajetória, embora recente.

O RMC é uma oportunidade de consolidar seu nome na cena?

Humm... Acho que ainda tenho tanto para fazer para chegar numa consolidação. Mas sem sombra de dúvidas, o evento é uma porta de entrada de novas oportunidades. Se eu der a carreira por consolidada, não conseguirei realizar uma série de outros itens que eu julgo importantes e que ainda não os tornei realidade. É fato que existe um mérito próprio por trás disso tudo, mas o reconhecimento desta etapa inicial me ajuda a pensar no que fazer daqui em diante, e está sendo ótimo passar por cada etapa individualmente.

O que você acha que o RMC pode trazer para a cena do Rio?

Pode trazer de volta o que o Rio não tem mais, que é uma cena forte, consistente, profissional e que não aconteça apenas em época de festas. Temos festas espaçadas que são ótimas opções sempre, mas temos períodos vazios e isso é ruim!

Você já começou a produzir?

Edito muita coisa que eu toco, muita mesmo! Produção em si é só um começo, mas não acho que tenha a obrigação de produzir nada para que a carreira de DJ decole de vez. Faço por interesse, mas o que tenho ainda não está consistente o suficiente para ser lançado. Não quero colaborar com a música eletrônica jogando uma produção "ok" e igual ao que se tem por aí. É realmente muito chato pesquisar hoje em dia, graças às dezenas de milhares de porcarias que são lançadas diariamente, na obrigação de suprir essa lacuna que muitos DJs têm.

Por que você acha que grande parte das pessoas trocou o carnaval tradicional pelo carnaval eletrônico?

Pela grandiosidade dos eventos talvez, quem sabe a segurança, mas também porque agrada mais aos ouvidos de alguns. Acho que não é uma questão de troca, e sim de complementação. O antagonismo super funciona. Tem espaço para todo mundo e ainda dá para escutar de "A Pipa do Vovô não Sobe Mais" a "Cloud Dancer" do Solomun. É só curtir um bloquinho em Santa Tereza no Domingão e depois se mandar pro Rio Music Conference à noite, que essa última com certeza irei tocar!

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