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Salete Campari, a política e a causa LGBT

Candidata a Deputada Estadual pelo PT fala ao ObaOba

Por: Mariana Morais

Monday, 06 September, 2010 - 11h30

 

Quem frequenta a noite de São Paulo já deve ter cruzado uma loira estilo Marilyn Monroe por aí. Ela é Salete Campari, drag queen, militante, defensora da PLC 122/06 (lei que criminaliza atos de homofobia) e candidata a Deputada Estadual, pelo PT (Partido dos Trabalhadores). “Quando você é gay assumido e militante é muito melhor e mais interessante e, desde que comecei a Salete, tento passar o lado bom da comunidade gay”, conta.

E engajamento pelas causas LGBT é o que não falta: Salete está há mais de 20 anos no movimento, participou da 1ª Parada Gay de São Paulo e do Rio de Janeiro, participou voluntariamente da Diversidade na Praça (ação promovida pela Prefeitura de São Paulo), foi eleita delegada na Conferência Nacional LGBT (convocada pelo presidente Lula), em 2008, e foi a primeira a concorrer a um cargo político montada.

 
Nascida em Araruna, na Paraíba, como Francisco Sales, Salete Campari está em São Paulo desde 1981, formou-se em matemática, é petista de coração e vê nessa eleição a chance de conquistar um espaço maior para a comunidade gay, fazer vigorar a lei que pune a homofobia e melhorar a educação no Brasil.
 
Abaixo, os melhores momentos da nossa conversa com a candidata Salete Campari.
 
Como e quando nasceu a Salete Campari?
Há 24 anos, dia 24 de setembro faz 24 anos! Eu via muitos transformistas no Silvio Santos, no Bolinha e essa coisa de divas mexia muito comigo e, como sempre fui muito feminina, não tive medo de assumir, me senti muito bem e nunca me arrependi. A Salete foi a melhor coisa que me aconteceu.
 
Como começou seu envolvimento no movimento LGBT?
Sempre fui militante e cresci com gente que fazia a diferença. Beto de Jesus (fundador da Parada Gay), Silvetty Montilla, Julian, Vanderlei e mais um monte de gente. As pessoas mais velhas da noite nos mostram o lado da política, da militância, não só da farra. Aí fui para o Rio de Janeiro fazer a primeira Parada Gay e foi ótimo. Quando você é gay assumido e militante é muito melhor e mais interessante e, desde que comecei a Salete, tento passar o lado bom da comunidade gay.
 
Você luta pelo movimento LGBT há mais de 20 anos, quais mudanças sente de lá para cá?
A gente tem mais visibilidade hoje, mas o preconceito ainda existe. Temos a maior Parada Gay do mundo e a lei que pune por homofobia não evolui.
 
O que te motivou a entrar na política?
Sempre gostei de política, mas foi o preconceito que me motivou. Não vemos um gay assumido em cargos políticos e eu fui a primeira drag a concorrer montada.
Eu sempre fui petista, mas queria ir para o PDT (Partido Democrático Trabalhista) do vereador Carlos Apolinário, que é evangélico e contra todas as causas gays, só para ele ver. Sempre quis mostrar a causa gay e ter respeito e o PT apoiou todos os movimentos.
 
Qual é a principal base da sua campanha para Deputada Estadual?
A primeira coisa que quero fazer se for eleita é vigorar a lei federal que pune a homofobia. É um projeto da Iara Bernardi (candidata a Deputada Federal pelo PT) que já está em Brasília e precisa andar. A lei foi aprovada em São Paulo, mas quase não é divulgada e poucas pessoas sabem da existência dela, agora queremos que ela funcione no Brasil.
Também quero educação melhor, quero que a cultura de São Paulo também se vire para a comunidade gay e quero administrar o dinheiro de São Paulo de maneira correta.
 
Qual sua análise do governo Lula?
Maravilhosa, perfeita! Um presidente que tem 80% de aprovação e vai dar ao Brasil a primeira presidente mulher. Ele transformou um Brasil desacreditado e foi o primeiro presidente a chamar uma conferência e ouvir a comunidade gay, isso sim é um momento histórico!
 
O que você achou da liberação do casamento gay na Argentina? 
Achei maravilhoso o que aconteceu na Argentina! Aqui a gente sempre quer passar na frente deles no futebol, mas é aí que eu queria que o Brasil tivesse passado na frente.
 
E o que você acha que o Brasil precisa para chegar lá?
Faltam políticos de coragem! Isso só vai acontecer quando a bancada não for tão evangélica e preconceituosa. Por que não dar dignidade a um casal gay?
 
Quais políticas você acredita que fariam a população aceitar melhor os transexuais?
As pessoas precisam amar o próximo, respeitar mais. O preconceito não é só com o gay, mas com o negro, a mulher, os gordos...isso muda quando os políticos aprenderem a respeitar como ser humano.
As pessoas antes não votavam no Lula porque ele era pobre, nordestino, tinha língua presa, não era formado e ele fez o governo que fez. Precisamos parar com esse preconceito!
 
Quem era você antes da Salete Campari?
Eu nasci em Araruna, na Paraíba, e estou em São Paulo desde 1981. Tudo da Salete começou aqui. Antes da Salete eu era só o Sales, hoje sou menino durante o dia e menina de noite e transito muito bem nos dois mundos, sem medo de ninguém. A Salete é o lado corajoso que o Sales não tem!
 
E como surgiu seu look Marilyn Monroe?
Lá por 1989, 1990 eu fazia espetáculos em uma boate e fazia Elba Ramalho, Elis Regina, Gal Costa...Aí me chamaram para fazer o aniversario da Marilyn Monroe e eu achei estranho, “Marilyn da Paraíba?”. Mas me senti tão bem e maravilhosa que acabei aderindo. Hoje minha casa é toda Marilyn Monroe. 

Comentários

Fatima Brito Fatinha de D.Celeste - Sat, 11/12/2010 - 00h03 -

Estou feliz neste momento porque estás bem com a vida. Em 86 fui a São Paulo você passeou comigo. Parabéns.

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