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Skype Sessions - 12/08

Mayra Andrade

Por: Leandro Del Piccolo e Chico Urbanus

Thursday, 12 August, 2010 - 12h50

 

Cantar, para Mayra, é como respirar para os mortais. É simples, sincero e divino. Sua voz, assim como o canto de um pássaro, ressoa nos ouvidos como um colírio alivia a secura dos olhos, e não importa em qual idioma cante – creole, francês ou português - seus versos atravessam as barreiras físicas e chegam diretamente ao coração, sem escalas.

Nascida Mayra Andrade em 1985, esta cubana é a pura mistura de tudo o que há de melhor na música: o ritmo pulsante de Havana (sua cidade natal), os batuques vibrantes da África (onde foi criada entre Cabo Verde, Angola e Senegal) e a beleza estética de Paris (onde mora hoje, e onde o mundo todo se econtra para incluenciar todo o mundo).

A música de Mayra canta as diferentes culturas, etnias e crenças dos lugares onde viveu, e a simplicidade de seus arranjos faz com que você tenha a nítida impressão de que já ouviu aquilo em algum lugar, não se lembra onde, mas quer ouvir de novo. Curiosamente, a primeira música que cantou (aos seis anos de idade) foi Leãozinho, do Caetano, colocando nossa música como uma das fortes influências do seu repertório. 

Foi também no Brasil que Mayra gravou grande parte do seu segundo disco, Storia, Storia, nos estúdios da YB, em São Paulo, onde meu parceiro Chico foi label manager por vários anos (e onde conheceu a moça). Dentre tantas coisas boas que encontramos neste disco, estão solos e bases inconfundíveis do genial pianista cubano Roberto Fonseca, substituto nato de Ruben Gonzalez, a lenda já falecida do Buena Vista Social Club. Antes, Mayra havia lançado, em 2006, Navega.

São dois discos fascinantes, que traduzem a personalidade musical da artista e sua capacidade de se adaptar aos ouvidos do mundo sem o mínimo esforço para tal. Foi essa qualidade, inclusive, que levou Mayra para os palcos do Festival de Jazz de Montréal, para o London Jazz Festival, a gravar com a diva africana Cesaria Evora ou a ganhar o prêmio de artista revelação da World Music na BBC, em 2008.
 
Meus amigos, não há mais o que falar sobre Mayra Andrade. Nem quero, para ser sincero. Confrontar sua simplicidade é tentar fazer aquilo que é naturalmente perfeito parecer ainda mais perfeito.

Por isso ouça, sinta, se permita.

Jah Love!

 

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