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SP Photo Fest: um panorama da fotografia no mundo
Evento no MIS reuniu artistas importantes para três dias de palestras, workshops e, claro, muitos cliques
Friday, 18 September, 2009 - 14h44
Créditos: Carolina Mendonça
"O mundo pode ser um lugar muito escuro e as insanidades vão continuar enquanto não colocarmos luz em cima delas". Quem disse isso, na palestra de encerramento do SP Photo Fest, foi um cara que entende do assunto: o fotógrafo checo Antonin Kratochvil. Ele viaja o mundo para ver o que ninguém quer ver - retratou a fome na África, a Guerra do Iraque, os horrores de Chernobyl pós-acidente nuclear. "Sem os fotógrafos, sem os jornalistas é fácil esquecer que tem muitas coisas acontecendo nesse mundo. É nosso dever fazer alguma coisa. Nós jogamos essa luz para as pessoas enxergarem", disse em tom missionário, para o deleite da plateia de fotógrafos que, como ele, "fazem alguma coisa".
Caso de Eustáquio Neves, também consciente do apelo social da fotografia. Famoso pelas imagens de forte estrutura poética, o mineiro surpreendeu o público ao apresentar vídeos produzidos por ele em parceria com Lílian Oliveira. "Fazer vídeo era uma vontade que me acompanhava há muito tempo. Essa era a ideia, acho que eu sempre fiz fotografia pensando em cinema e o vídeo é um recurso mais acessível", disse Neves, que cativou a plateia com seu jeito tímido e carismático. Falou dos prós e contras de viver e trabalhar na pequena Diamantina, interior de Minas Gerais, e da aproximação de seu trabalho com o cinema.
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Mas isso tudo foi antes. Agora, ele era só mais um de caderninho em riste e olhos pregados em Kratochvil, que falava das maravilhas do preto e branco. "Eu acredito em luzes e sombras. São essenciais para minhas fotos. Elas transmitem emoção. Eu sempre procuro emoção na luz. É um pouco de estilo, mas ela me dá o que estou procurando na fotografia". Sem perder o jeitão debochado, ele abordou temas sérios e respondeu as perguntas da plateia.
Diante do que foi o SP Photo Fest, a palavra plateia pode não dar conta de definir o público. Quem se inscreveu nos workshops, pode assistir a aulas ministradas pelos próprios fotógrafos participantes, com direito a saídas fotográficas e tudo mais. Na rua, a proposta era que os alunos captassem a cidade de São Paulo como ela é e traçar um panorama da sociedade brasileira a partir dela.
Quem participou do workshop teve o privilégio de ter seu trabalho selecionado e editado pelo curador do evento e ex-editor da Revista Time Jay Colton. "Todas essas pessoas acreditaram que era possível fazer um Festival Internacional de Fotografia. Ele só aconteceu porque vocês trouxeram seu coração e sua mente", disse Colton, que se divertiu à beça retratando o público que passou por lá. No final do SP Photo Fest, ele já havia montado um mural de rostos em uma das várias áreas do MIS dedicadas ao festival.
Diante de tantos rostos anônimos, postava-se anônima uma moça que dedicou 2008 a fotografar o rosto mais fotografado do ano. A novaiorquina Scout Tufankjian acaba de lançar o livro Yes We Can, com o resultado de seu trabalho na cobertura da eleição do negro Barack Obama ao posto de homem mais poderoso do mundo. Por falar em Nova York, Amy Arbus, que se dedicou a retratar as caras da Big Apple nos anos 80, foi umas das estrelas do festival. Tanto que o filme inspirado em suas fotos de punks, drags e artistas excêntricos do East Village - que eram publicadas na seção "On The Street" da revista Village Voice -, lotou o auditório e o saguão do MIS (Museu da Imagem e do Som). Quer dizer, se a ideia do SP Photo Fest era "colocar luz" - parafraseando Antonin Kratochvil - sobre a fotografia no mundo contemporâneo, missão cumprida. Que venha o próximo!

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