sábado, 05.07


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Marcelo Alvares é psicólogo formado pela USP e trabalha na área da dependência química. Iniciou sua carreira cuidando de dependentes de crack, cocaína, anfetaminas e principalmente, usuários de múltiplas drogas. Hoje atende pessoas com todos os tipos de dependência química. Mas seu olhar atento volta-se para as club drugs, que tem como ícone o êxtase.

Já passou pela UNIAD - UNIFESP, GREA - FMUSP e atualmente dedica-se ao atendimento de dependentes químicos no CAPS álcool e drogas de São Mateus e no seu consultório particular. Apaixonado por música, baladas, psicanálise, artes e pelo trabalho, se esforça para compreender o fenômeno das drogas na vida e abraçar todas as suas paixões ao mesmo tempo.

Longe da repressão ou da apologia, só quer trocar idéias, escutar, refletir e esclarecer mais sobre as drogas.
A tradição do LSD no Reveillon



Nunca havia me dado conta deste ritual da virada do ano. Por mais que presenciasse e soubesse a respeito, nunca me chamou a atenção. Estou falando da tradição de tomar um LSD (sigla do dietilamida do ácido lisérgico) - também conhecido como ácido, doce, ponto ou micro ponto - para comemorar o ano que chega.

Estava eu no Reveillon com alguns amigos, numa praia perto de Paraty, e muitos iriam cumprir a tradição. Curioso, como sempre, perguntei mais a respeito. Todos confirmaram e ressaltaram que muitas pessoas seguem essa regra anual. Ainda acrescentaram que muitos só tomam nesta data.

Como se não bastasse pular sete ondas, comer lentilha, não comer frango (porque este cisca para trás) e sim peixe (porque este sempre nada para frente) agora, a "tradição do ácido" também é parte integrante da lista.

Nesta praia encontrei mais amigos e muitos, mas evidentemente não todos, afirmaram a escolha do LSD como um dos ingredientes da festa do Reveillon. Vale ressaltar que não são todas as pessoas, ao pé da letra, que seguem esta regra!

Fiquei surpreso, pois muitos desses indivíduos são caretas o ano todo ou têm outra droga de preferência, porém, elegem o ácido para a virada do ano. Lembrei-me de pacientes confirmarem esta tradição também.

Ao questionar o porquê da escolha, todos diziam que é mais divertido e é sempre assim e pronto. Eu esperava um motivo simbólico, uma lenda, mas tive que me contentar com algo como "a tradição é assim porque é assim". Ou seja, ainda não me responderam.

O aniversariante do mês

Albert Hoffmann,
o pai do LSD
O nosso aniversariante é o químico suíço Albert Hoffmann, que recentemente apagou 100 velinhas. Ele descobriu o LSD em 1938. Mas seus testes em animais não haviam dado resultados significativos naquele ano e Hoffmann só retomou os estudos com a substância em 1943.

Uma vez, ao manipular a fórmula, algumas gotas caíram na mão do químico, que foi tomado por sensações como tontura, vertigens, alucinações e euforia. Foi então que ele decidiu voltar de bicicleta para casa devido às tonturas. Só que no caminho, ele foi tomado por uma euforia infantil e teve visões distorcidas da realidade que estava ao seu redor.

Os efeitos ainda duraram por horas na sua residência. Posteriormente, Hoffmann até apelidou a substância como "criança-problema", e chegou a lançar o livro: "LSD: minha criança-problema". Na obra ele descreveu suas experiências com o ácido lisérgico.

O químico e alguns de seus colegas acreditavam no uso psiquiátrico do ácido, e o laboratório Sandóz começou a fabricar a substância em 1947.

Nos anos 60, o LSD tornou-se um dos ícones do movimento hippie e da contracultura dos anos 60, através de artistas como Jimmi Hendrix, Jack Keuroac, Aldous Huxley e Timothy Leary. Chegou a ser usado pela CIA em experimentos com cobaias humanas, na tentativa de controlar mentes. Mas a substância foi proibida nos EUA em 1966 devido a alguns acidentes.

Para comemorar o 100º aniversário de Albert Hoffmann haverá, no Centro de Congressos da Basiléia, o simpósio internacional "LSD: problema ou droga miraculosa". Cerca de 80 pessoas, dentre eles pesquisadores, farmacólogos, artistas e psicólogos, confirmaram participação. Até mesmo Hoffmann estará presente e já prometeu um discurso.

Atualmente, o químico suíço veta o consumo indiscriminado e "recreativo" do ácido, mas cita que ele pode ser usado em pacientes terminais quando a morfina não faz mais efeito.

Curiosidades sobre o LSD

A fórmula química
do LSD
O LSD é utilizado via oral, ou seja, é ingerido. Trata-se um líquido que não possui odor, cor ou sabor. Em geral, o usuário introduz embaixo da língua um pequeno pedaço de papel de filtro impregnado com a droga, no qual se verificam também vários desenhos e ilustrações.

Ele também pode ser usado através de conta-gotas, bebidas ou selos de cartas. É uma substância tão potente, que pequeníssimas doses - de 20 a 50 microgramas (um micrograma é um milésimo de um miligrama) - já produzem alterações mentais. Para ter idéia, um micrograma cabe na ponta de uma agulha.

Depois do uso, os efeitos físicos incluem pupilas dilatadas, aumento da temperatura do corpo, dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, suores, perda de apetite, falta de sono, boca seca e tremores.

Mas os efeitos psíquicos são imprevisíveis. Dependem da quantidade ingerida, personalidade, humor e expectativas. Eles acontecem de 30 a 90 minutos após a ingestão e podem durar por 6 horas.

Durante este período, o ácido produz alucinações que envolvem um conjunto de percepções. Mesmo sem ter um estímulo, a pessoa pode sentir, ver e ouvir coisas que não existem de fato. As sensações são "reais", provocando dor, prazer, medo, ansiedade, entre outras.

Modificações na percepção do tempo e espaço e alterações das sensações do próprio corpo são muito comuns. Em alguns casos pode ocorrer a despersonalização (a pessoa não sabe mais quem é ou o que é).

O indivíduo pode ter uma "viagem boa" e ver formas coloridas, ou então entrar numa "viagem ruim", a famosa "bad trip". Pode ocorrer também uma mistura de informações sensoriais, chamada sinestesia, provocando sensações como ouvir uma cor, ver um som. Ou seja, os estímulos auditivos se traduzem em imagens e as imagens se traduzem em sons.

Os flashbacks

O consumo de LSD pode desencadear "flashbacks". Este fenômeno ocorre algum tempo (semanas ou meses) depois do uso. É um fato de causas desconhecidas, que leva a pessoa, repentinamente, a ter todos os sintomas psíquicos da experiência anterior com a droga.

Cartela de ácido
Ele também pode ser desencadeado por cansaço, intoxicação alcoólica ou pelo uso abusivo da maconha. Sua ocorrência pode ser extremamente perigosa em alguns momentos. Por exemplo, se a pessoa tiver um "flashback" durante a condução de um veículo, essa "nova viagem" pode gerar um acidente grave.

Assim, o perigo do ácido não está apenas na sua toxicidade para o organismo, mas sim no fato de que, pela perturbação psíquica, pode ocorrer uma perda da habilidade de perceber e avaliar situações de risco. A pessoa fica "fora do ar", julga-se com capacidades ou forças irreais. Por exemplo, acha que pode voar atirando-se pela janela ou pensa que pode andar sobre as águas, avançando mar adentro.

A cada virada de ano, o LSD continua presente. E não sabemos o destino dessa substância como medicamento ou como "ingrediente" das festas de virada de ano. Só o tempo dirá.

E-mail: marceloalvares@terra.com.br



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Total: 80 Comentários
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ENVIADO POR: btt (potatobtt@zipmail.com)
Pode cre o texto descreve certinho o q eh u baguio doidaum
ENVIADO POR: Carol (carolsilvarc@hotmail.com)
Também né, cara.... Você na Universo Paralello esperava o quê?



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