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Soninha Francine, vereadora de São Paulo pelo PT, ex VJ da MTV, comentarista da ESPN. Poucas pessoas representam tão bem os jovens como ela. E é por isso que a convidamos para estrear sua coluna no !ObaOba.
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Comentando os comentários
Como era de se esperar, meu texto sobre o referendo do comércio de armas rendeu muitas respostas - afinal, o tema estava "bombando" - e algumas delas bastante iradas. Calma, pessoal, será que a gente não pode ter opiniões diferentes sobre um assunto sem ofender uns aos outros? Acho errado dizer que quem votou "não" é "do mal", e também acho errado dizer que quem votou "sim" é trouxa, quer ajudar os bandidos ou sei lá o que mais. Temos o direito de pensar diferente... Ou não?
Agora, vou responder alguns dos últimos comentários. Sem a ilusão de querer convencer alguém a mudar de idéia; só tentando explicar exatamente qual a minha opinião. Ou seja: ninguém precisa concordar com ela, mas podem respeitá-la, certo?
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Comentário de Ricardo Pereira Lima Haddad
Concordo totalmente que super-herói nenhum arriscará a integridade de sua família enfrentando o ladrão com sua arma de fogo. Ainda assim, está claro para mim que o cidadão tem que ter o direito de, se quiser, ter uma arma de fogo. Claro que essa arma é para ser usada numa situação limite. Exemplo: A pessoa (com ou sem sua família) está na iminência de ser assassinada (ele conhece, por exemplo, os facínoras que estão adentrando sua casa), não resta quase nenhuma dúvida quanto ao desfecho do evento. Esse é apenas um dos enredos que imagino em que a posse de uma arma de fogo pode representar a sobrevivência da(s) vítima(s).
Resposta da Soninha:
Ricardo, eu entendo o que você diz. Realmente, se você está "marcado para morrer", prestes a ser atacado, e não pode ter uma arma para se defender, essa é uma situação difícil de aceitar. Ainda assim, entendo que esse é um caso muito específico, que está longe de ser o que acontece com a vasta maioria da população (quantos estão "na iminência de serem assassinados" nas suas casas?). Enquanto isso, muitos podem querer ter arma em casa para se defender de um assalto, mas um assalto é sempre de surpresa, e a pessoa não fica com a arma na mão, engatilhada, pronta para usar. Ela é pega desprevenida, enquanto o ladrão está super alerta (e, provavelmente, com alguém ajudando). Nesse caso, até buscar a arma, mirar e atirar, já era... Se a polícia que é treinada para confrontos com pessoas armadas perde homens quando trocas de tiro acontecem, imagine o cidadão comum...
E, se não me engano - confesso que preciso pesquisar melhor - o Estatuto do Desarmamento prevê uma autorização especial para uso de armas para quem estiver vivendo uma situação de ameaça como a que você descreve. O artigo 10 do Estatuto do Desarmamento diz o seguinte: "A autorização prevista neste artigo poderá ser concedida com eficácia temporária e territorial limitada, nos termos de atos regulamentares, e dependerá de o requerente: i - demonstrar sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física". A minha dúvida é se isso só se aplica à ameaça à integridada física decorrente da atividade profissional, entendeu?
Comentário de Patrícia Martins
Soninha, Primeiro admiro mto seu trabalho e suas conquistas. Bem, eu votei NÃO. Vou tentar sintetizar porque. O referendo é com certeza um ato de democracia, porém, a idéia do referendo para mim é a seguinte: o governo estava querendo isentar-se da responsabilidade para com a questão da segurança pública do País... então "resolveram" jogar a responsabilidade para o povo, pois se o povo disesse SIM ou NÃO, os nossos governantes estariam lavando suas mãos, independentemente do resultado do referendo, que foi NÃO. Portanto, como procuro me interar a respeito das notícias, em especial, política, acredito que nós, o povo, vamos pagar de qualquer jeito com o resultado do referendo. Falta na verdade, condições e preparações, inclusive pscicológicas para os nossos policiais, civis, etc. Apesar de tudo, eu ainda creio num Brasil melhor. Sou estudante de jornalismo, me formo em Julho/2006, pretendo trabalhar em rádio e o que eu puder fazer para conscientizar a população, das "boas ações" do governo eu vou fazê-lo, sem dúvida nenhuma. Gostaria de uma resposta sua, ou assessoria. Um abraço Patrícia Martins
Resposta da Soninha:
Patrícia, com ou sem venda de armas, o governo - ou melhor dizendo, os governos (federal e estaduais, principalmente, mas os municipais também) - continuam sendo responsáveis pela segurança pública. Não tem como se isentarem disso. Tá na Constituição! As pessoas vão continuar cobrando dos governantes, como têm mesmo de cobrar! Aliás, o Estatuto prevê mil obrigações em termos de fiscalização da posse e porte de armas legais e ilegais. O que estava em questão era um ponto só: a venda de armas e munições no Brasil. Por que? Porque algumas pessoas (como eu) acreditam que, quanto mais armas de fogo em circulação, maior a probabilidade de haver casos de violência ligados a elas. Ou seja: como se não bastasse a bandidagem, os roubos e seqüestros, ainda há milhares de casos de brigas idiotas que terminam em tiros e morte. Reduzindo a circulação de armas, haveria muito menos mortes desse tipo. E também haveria menos armas legais que poderiam terminar nas mãos de bandidos, como acontece muito. Atenção: essas duas informações (cidadãos comuns cometem muitos homicídios & armas que eram "legais" vão parar muito nas mãos de bandidos) não são opiniões minhas, são FATOS. A segurança pública não se trata apenas de "caçar bandidos", mas de tentar evitar todas as formas de violência. E isso inclui até dificultar o acesso dos bandidos às armas, e a proibição do comércio acabaria tendo esse efeito "colateral".
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Soninha Francine escreve para essa coluna quinzenalmente
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