sábado, 05.07


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Soninha Francine, vereadora de São Paulo pelo PT, ex VJ da MTV, comentarista da ESPN. Poucas pessoas representam tão bem os jovens como ela. E é por isso que a convidamos para estrear sua coluna no !ObaOba.

Quinzenalmente você vai poder conferir as novidades aqui, na Coluna da Soninha. Espere por muito comportamento, atitude, cidadania e atualidades!
Pelo direito de achar caro

Eu detesto quem dá escândalo para reclamar de alguma coisa, mas às vezes também tenho vontade de gritar. E, dependendo da situação, posso até aplaudir um "escandaloso", quando a situação exige um pouco mais de barulho. Mas na maioria das vezes não adianta surtar, e ainda acaba sobrando para quem não tem nada a ver com isso.

Fila de banco, por exemplo: o caixa que está ali trabalhando sem um segundo de descanso sofre tanto com a fila quanto os clientes... (E eu acho um ABSURDO os bancos não preencherem todos os guichês com funcionários... Não é por falta de recursos - eles batem recorde de lucratividade todo ano. É por opção, mesmo. E ainda botam a culpa nos clientes que "não usam todos os recursos de informática à disposição", "deixam tudo para a última hora", etc.). Enfim, quem arma um barraco dentro da agência quase sempre está xingando a pessoa errada...

Outro dia, sem a menor intenção de dar "piti", acabei me envolvendo em uma discussão meio ríspida. Fui ao Teatro Municipal no dia do aniversário de São Paulo, assistir a uma apresentação de balé e orquestra. No saguão do teatro, comprei um Tic-tac (que não sei quanto custa normalmente) e uma garrafinha de água. Dei dez reais, recebi quatro de troco. Estranhei. "Quanto custa a água?". "Três reais", respondeu a moça do balcão. "Nossa, que absurdo", comentei com ela, que fez uma cara meio sem graça (parecia até que ela também achava).

A uns dois metros de distância, uma mulher que também estava atrás do balcão retrucou: "Absurdo o que?". "Absurdo uma garrafinha de água custar 3 reais". "Pode ir nos outros teatros que é a mesma coisa", ela reagiu. "Então acho um absurdo generalizado...".

Pensei que a discussão ia acabar ali. Ué, não posso achar que alguma coisa está custando caro demais? Tenho de levar um sabão da dona do estabelecimento? Tinha... Ela continuou. "Você pensa que é fácil ter bar em teatro? Só abre em dia de programação!". "Mas também tem menos despesas do que um bar que abre todo dia, uai!". "Menos despesa por que?". "Com funcionários, por exemplo, já que eles só trabalham 3 vezes por semana". "Não faz diferença", ela disse. "Como não? Se trabalhassem todo dia, eles iriam receber a mesma coisa que recebem pra trabalhar 3 dias?". "Hoje em dia ninguém mais quer trabalhar por menos que um salário mínimo, minha filha". (Ou seja: se o bar funcionasse todo dia, ela ia querer pagar o mínimo pra turma também. E ai de quem reclamasse!).

A discussão ainda se estendeu um pouco, com ela dizendo que "em outros teatros você ainda tem de pagar 80 reais pelo ingresso, e a água custa a mesma coisa, ou até mais". Eu caí na bobagem de dizer que uma coisa não tem nada a ver com a outra e que acho a água cara do mesmo jeito, mas não fez diferença... A dona do bar ficou indignada comigo, e eu com ela - primeiro, por cobrar caro (na minha opinião); segundo, por não me dar o direito de achar caro...

Talvez ela estivesse em um dia particularmente ruim. Eu tenho certeza que não fui escandalosa, não fui rude, só deixei escapar uma exclamação que desencadeou a reação indignada. Mas às vezes me pego sendo mais ríspida do que pretendia, e vai ver foi isso que aconteceu do lado de lá. Que me sirva de lição - para prestar atenção na maneira como me expresso, e para não comprar mais água no bar do Municipal...

Soninha Francine escreve para essa coluna quinzenalmente
Site Oficial: http://www.soninha.com.br

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Total: 10 Comentários
Veja Todos os Comentários

ENVIADO POR: Marcelo Roque (roque.marcelo@gmail.com)
O "peti" pode servir, depende de onde você está. O peti pode ser anticonstrutivo mas é uma forma de expressão. Logicamente nada produtivo. Felizes os moradores de um país que podem dar peti. Muitas vezes o peti por si só é a reclamação e solução. Principalmente nos locais onde o clima é de elegância e finess. Depende o custo benefício, pode valer a pena dar peti. Sendo assim. Salve o Peti. e salve o PT que está precisando. marcelo roque
ENVIADO POR: Mauricio Scout (mauriciomalmsteen@uol.com.br)
Yuri, uma coisa é vc pagar pelo trabalho artístico de uma pessoa. Esse pagamento é equivalente à prestação de serviço por ele oferecido. Até por isso existem médicos de 1000 de salário e de 20000 de salário. Isso é claro. O meu descontentamento é baseado no custo x benefício existente em produtos idênticos. Acho estranho um pão francês de 50g custar R$0,10 em alguns lugares e R$0,40 em outros. Uma discrepancia muito exagerada. Quanto ao comentário politico: Não sou eleitor do PT, nunca votei no PT e dificilmente votarei, pois não assimilo as idéias defendidas. Mas a história do "mensalão" não foi inventada pelo PT, ela sempre existiu e isso não é algo bonito de se falar. O brasileiro é criado no esquema "mensalão". Imagine que o fato de um gari achar uma pasta de dinheiro na rua e devolver ao proprietário seja uma notícia espetacular para o Fantástico! Como se todos os garis fossem desonestos e aquele foi único. O brasileiro fica procurando pelo em ovo para ter descontos no IR colocando qualquer artifício para não pagar o imposto devido integralmente. Isso não é mensalão? É claro que houve provas contra o PT, mas também existem contra o PSDB, PMDB, PDT, PTB dentre outros...(entenda outros como todos). Então demagogia é acusar sem ver seu próprio umbigo. Quando o brasileiro tiver visão de futuro poderemos mudar de estágio e ao invés de falar, iremos agir. E por falar nisso, o carnaval está ai e cuidado ao comprar sua garrafinha de Minalba... os "pequenos mensalões" são tão perigosos quanto os grandes e creio que seu conselho também deve ser usado... jogue fora seu ingresso do sambódromo, a chave do seu Classe A, as camisas da Hugo Boss, etc... ai sim falemos de explorações e explorados. Abraços a vc e a Soninha, a qual tenho grande admiração.
ENVIADO POR: Luiz (luizguim@hotmail.com)
Adoro vc Soninha, fui seu eleitor e continuarei sendo, caso vc mude de partido. Discordo de vc qdo diz que reclamos com a pessoa errada, o "dono" de um banco nunca estará na boca do caixa para ouvir seus clientes, ele paga para alguém fazer isso, aí, não temos outra alternativa além de soltar o verbo ali mesmo com o caixa. Beijos Luiz



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