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Soninha Francine, vereadora de São Paulo pelo PT, ex VJ da MTV, comentarista da ESPN. Poucas pessoas representam tão bem os jovens como ela. E é por isso que a convidamos para estrear sua coluna no !ObaOba.
Quinzenalmente você vai poder conferir as novidades aqui, na Coluna da Soninha. Espere por muito comportamento, atitude, cidadania e atualidades! |
A Internet
Hoje usei pela primeira vez uma Lan House no Brasil. Sei que isso parece incrivelmente metido, mas é verdade. Em algumas outras ocasiões usei serviços pagos de internet, mas sempre em viagens. E, pensando bem, não foi exatamente em uma Lan...
A primeira vez, que eu me lembre, foi em Sidnei, durante a Olimpíada de 2000. Eu estava lá trabalhando para a ESPN Brasil, mas levei muitas outras obrigações na bagagem: fazia uma coluna para a Folha, continuava produzindo minha página na América Online e gravando reportagens para a TV Cultura. Sim, era de enlouquecer. Saía do hotel todo dia às 4 da manhã, pegava uma hora e meia de metrô e ônibus até o centro olímpico, ia lendo os jornais do dia (e dormindo) no caminho... Entrava no ar às 7:00 (acho que eram 5 da tarde no Brasil) e saía às 9:00. O estúdio tinha a temperatura constante de 10 graus, controlada por um ar condicionado central impiedoso e inflexível...
Depois do jornal diário tinha mil coisas para fazer para a própria ESPN (videoreportagens, operação da microcâmera no ginásio da natação e no estádio de atletismo, apoio na transmissão dos eventos, pesquisa de informações para o jornal do dia seguinte) e todos os outros compromissos. Nunca voltava ao hotel antes das 23:00; dificilmente conseguia dormir antes da meia-noite e meia. Sim, passei um mês dormindo 4 horas por noite, e trabalhando quase todas as outras 20...
Mas, voltando ao assunto do dia: eu tinha milhões de coisas para escrever e a nossa redação, apertada, tinha poucos computadores para as 30 pessoas da equipe. Nada mais justo que eu fosse fazer o trabalho "extra" em outro lugar. Várias vezes recorri aos cyber cafés no caminho do hotel -- salvação e suplício ao mesmo tempo, porque os computadores eram lentos que só eles. Mas era engraçado sentar ao lado de um chinês, uma americana, um vietnamita, e bisbilhotar (quando o alfabeto era igual ao nosso) o que diabos cada um estava fazendo ali. De leve, só vendo o título da mensagem de e-mail... Ah, todo mundo é um pouco curioso, vai... Eu até que não sou muito.
Nessa mesma viagem, tive de procurar computadores com internet em Los Angeles. Nossa conexão atrasou umas oito horas, e eu tinha de entregar uma coluna. Adivinhem: não havia esse serviço disponível no aeroporto! Tive de pegar uma van até um hotel cinco estrelas ali perto (era a única opção) – e pagar uns noventa reais por uma hora de conexão, juro por Deus.
Em compensação, em Katmandu, capital do Nepal, você encontra um cyber café em cada esquina. E todos baratíssimos. Quando estive lá, no fim de 2003, fiquei no bairro de Bouda, perto da famosa Grande Estupa (monumento em homenagem à mente iluminada do Buda – tem uma foto dela aqui: http://www.travelblog.org/Asia/Nepal/blog-1583.html). É um lugar pobre, habitado por um grande número de refugiados tibetanos. Comentários comuns de quem passa por lá: “parece a Rocinha”, ou “parece Heliópolis”. E lá mesmo havia dezenas de serviços de conexão com a internet. Por que? Justamente por ser pobre! Ninguém tem computador em casa... Faz sentido, não?
Bom, eu tenho computador, conexão banda larga e o escambau, mas estava na rua entre duas reuniões e fui arrumar um lugar para trabalhar enquanto isso. Achei uma Lan House, onde comecei a escrever isto aqui. O computador era ótimo – tinha Windows e software livre também, curioso! – e a conexão, boa. Mesmo assim, dava pra enlouquecer. No fundo do salão, havia duas máquinas daquelas de dançar conforme as instruções no visor (tô ficando véia, não sei o nome disso. Tem nome?). O som era muito alto; nem ouvindo música no fone de ouvido eu conseguia evitar o barulho. Mas consegui adiantar o trabalho, e saiu baratinho: menos de dez reais.
Agora estou terminando este texto em casa, às 2:27 da manhã de terça-feira. O começo talvez não esteja muito bom por causa do barulho inacreditável do ambiente. O fim, porque estou morrendo de sono... Mas não sei o que seria de mim sem a “mardita” da internet.
Soninha Francine escreve para essa coluna quinzenalmente
Site Oficial: http://www.soninha.com.br
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