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Soninha Francine, vereadora de São Paulo pelo PT, ex VJ da MTV, comentarista da ESPN. Poucas pessoas representam tão bem os jovens como ela. E é por isso que a convidamos para estrear sua coluna no !ObaOba.
Quinzenalmente você vai poder conferir as novidades aqui, na Coluna da Soninha. Espere por muito comportamento, atitude, cidadania e atualidades! |
Viajando no tempo e nas sensações
Na última quinta-feira, 25 de agosto, fez 20 anos que eu completei 18. Não, não é um subterfúgio para evitar dizer que agora eu tenho 38 anos - eu adoro a minha idade! - é só uma maneira curiosa de pensar. Meus dezoito anos já têm duas décadas...
Ao contrário de algumas pessoas que ficam irritadas ou deprimidas, eu realmente gosto de fazer aniversário. Esse é um dos muitos temas com os quais a minha relação não mudou nada desde que eu era mais nova... Eu nunca me conformava, por exemplo, quando ouvia dizer: "idealismo é uma coisa típica da juventude, depois passa". Como assim, "passa"? Se havia coisas que me deixavam absolutamente indignada e totalmente convencida de que elas deviam mudar, de que era possível mudar e eu devia lutar por isso, como poderia mudar de idéia depois? Desistir, abandonar a convicção e a luta?
Pois é, não mudei nisso e também no gosto por aniversário, Natal, gibi e outras coisas "de criança". Na maioria das vezes, dizer que alguém tem um comportamento infantil é ofensa, mas eu acho que depende... Preservar a capacidade de ficar feliz com coisas muito simples e de deixar que um certo clima mágico se instale em determinadas ocasiões não pode ser um defeito...
Quem não gosta de Natal - hoje em dia, me parece que é a maioria das pessoas - se irrita com o consumismo, a emotividade forçada, as Referências estrangeiras, os contrastes (festas opulentas de um lado, miséria de outro). Olha, a miséria me indigna o ano todo, não só em dezembro. O consumismo (esse "ismo" já indica exagero, desvio) também me incomoda por tudo o que ele representa na cultura ocidental. Brigar com o Natal por causa disso é bobagem; perde-se uma chance de consumir um pouco menos para si mesmo e um pouco mais para o outro (afinal, a idéia básica é dar presentes, e isso acaba sendo um exercício primário de generosidade), de curtir um momento de encontros e de encantos, e nada se acrescenta ao verdadeiro combate à miséria... (Ah, e alguns elementos alienígenas são perfeitamente dispensáveis - no mínimo, vamos chamar Papai Noel disso mesmo, e não de Santa Claus; vamos dizer Feliz Natal e não Merry Christmas, caramba! Essa cultura já é estrangeira na origem, mas se tornou "mundial". Não precisamos, a essa altura, torná-la mais distante de nós... É mais legal incorporar nossos elementos).
Voltando aos aniversários - quem se irrita com eles também está desperdiçando energia. Envelhecemos, sim, desde aquela horinha em que o
médico ou médica diz: "É menina!". Envelhecer é sinônimo de desgaste, de perda de vitalidade, de decadência física. Mas pera lá, envelhecer é o
antônimo de morrer, é a condição de quem está vivo... E é bom estar vivo.
Viver pode ser difícil, penoso, desesperador, até - mas é sinônimo de ter possibilidades. Sempre há um mistério novinho à frente, um dia inédito, não-vivido, não traçado, diante do qual temos milhares de alternativas (ainda que em determinados momentos pareça que não temos
escolha, sempre temos alguma) e podemos fazer nossa vida mudar.
Na última quinta-feira, 25 de agosto, em vez de desejar "Feliz Aniversário", um amigo (o vereador Netinho, do PSDB) disse: "Feliz Ano
Novo". Adorei. Aliás, é o que podíamos dizer uns aos outros todo dia. É o que desejo a vocês agora: sejam felizes neste novo ano que acaba de
começar. Esse ano novo que começa a cada instante.
Soninha Francine escreve para essa coluna quinzenalmente
Site Oficial: http://www.soninha.com.br
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