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Soninha Francine, vereadora de São Paulo pelo PT, ex VJ da MTV, comentarista da ESPN. Poucas pessoas representam tão bem os jovens como ela. E é por isso que a convidamos para estrear sua coluna no !ObaOba.
Quinzenalmente você vai poder conferir as novidades aqui, na Coluna da Soninha. Espere por muito comportamento, atitude, cidadania e atualidades! |
Comentando os comentários
Como era de se esperar, meu texto sobre o referendo do comércio de armas rendeu muitas respostas - afinal, o tema estava "bombando" - e algumas delas bastante iradas. Calma, pessoal, será que a gente não pode ter opiniões diferentes sobre um assunto sem ofender uns aos outros? Acho errado dizer que quem votou "não" é "do mal", e também acho errado dizer que quem votou "sim" é trouxa, quer ajudar os bandidos ou sei lá o que mais. Temos o direito de pensar diferente... Ou não?
Agora, vou responder alguns dos últimos comentários. Sem a ilusão de querer convencer alguém a mudar de idéia; só tentando explicar exatamente qual a minha opinião. Ou seja: ninguém precisa concordar com ela, mas podem respeitá-la, certo?
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Comentário do Caio
Bom, os bandidos podem não andar com AR-15 comprados no mercado ilegal, mas podem perfeitamente andar com trezoitões comprados no mercado ilegal. Do jeito que você colocou, parece que todos os 38 vieram do mercado legal, e que no mercado ilegal só se encontra AR-15 e bazucas...
Resposta da Soninha:
Não, Caio, nós estamos dizendo praticamente a mesma coisa - você encontra 38 no mercado ilegal. Mas eles vieram, sim, do mercado legal! Eles entraram no mundo pela porta "legal"; saíram da fábrica legal, foram para a loja legal, etc. E em algum momento foram desviados. Se eles não pudessem ser vendidos desde o começo, teriam de ser desviados de dentro da fábrica - e aí começa a ficar mais difícil, concorda?
Continuação do comentário do Caio:
É claro que uma pessoa que tem uma arma corre riscos, como o de alguém pegar esta arma e usar indevidamente, ou tentar reagir a um assalto e acabar baleado pelo bandido. Mas há tantas outras coisas na vida que envolvem riscos. Se fossem proibir todas, deveriam proibir o álcool, o cigarro, os hamburgueres e batatas fritas e demais alimentos gordurosos, os automóveis... Na verdade, até sair de casa seria proibido.
Resposta da Soninha:
Mas aí, vamos pensar no que adianta: adiantaria proibir o álcool e o cigarro? Não... Os Estados Unidos já tentaram proibir o álcool por lei, e foi um desastre. O comércio ilegal prosperou que foi uma beleza, o álcool continuou fazendo estragos e a violência só piorou. As pessoas vão acabar arrumando um jeito de beber (no desespero, vai até perfume. E os presos não fazem uma pinga com resto de arroz e casca de laranja?). Mas, no caso das armas, não tem como "dar um jeito". Você não vai fazer um revólver na cozinha... Quanto aos hambúrgueres, batatas fritas e automóveis - bom, eles não foram feitos para matar, e as armas foram... E um hambúrguer pode fazer mal a você mesmo, mas não vai tirar a vida de mais ninguém (sem falar nos bois, mas essa é outra conversa...)
Continuação do comentário do Caio:
Permitir o comércio de armas não quer dizer que não deva haver um controle sobre as pessoas que compram e portam armas. Assim como até mesmo um piloto consagrado como Ayrton Senna faleceu em um acidente numa corrida, uma pessoa perfeitamente capacitada poderia cometer um erro ou ser vítima de uma fatalidade. Mas, como eu disse, os acidentes de carro não justificam sua proibição, assim como os acidentes com armas não justificam tirar a liberdade dos cidadãos que, por diversos motivos, precisam de uma arma.
Resposta da Soninha:
Caio, embora eu discorde de você - tanto é que eu votei "sim", porque ainda acho que menos armas significam menos riscos para todos - esse seu argumento é super razoável, e acho ótimo poder discutir assim, civilizadamente.
Eu adoraria responder mil outros comentários, mas esse texto já ficou longo demais e esta conversa nunca teria fim. Insisto que o mais importante é discutir, manifestar nossas opiniões honesta e tranqüilamente, e aceitar as posições divergentes. Achar que todo mundo vai pensar que nem a gente, ou que quem pensa diferente está sempre errado, isto é, que nós estamos sempre certos, que a melhor opinião é sempre a nossa, é uma ilusão, que só pode causar conflitos e sofrimento... Debater exige muita, muita paciência.
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Soninha Francine escreve para essa coluna quinzenalmente
Site Oficial: http://www.soninha.com.br
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