Entre o gramado e a poesia
"Não sei teorizar sobre o futebol"
Como um típico brasileiro, Chico Buarque é apaixonado por futebol. Hoje, sua rotina de shows e gravações é permeada por suas peladas semanais, que pratica junto aos amigos. Ele também não esconde o fanatismo pelo seu time do coração, o Fluminense.
Diferente da maior parte das famílias brasileiras, Chico torce pelo tricolor do Rio por causa da mãe, Maria Amélia, e não por influência paterna. Quando ainda moravam em São Paulo, a matriarca da família Buarque de Hollanda levava seus filhos pequenos ao Pacaembu para assistir ao time das Laranjeiras jogar contra os paulistas.
A família inteira acabou virando Fluminense, com exceção do irmão Álvaro, que simpatizou com o Botafogo.
Chico gosta de assistir a qualquer jogo de futebol, seja no estádio, na TV, ou em um campinho de várzea improvisado. Por falar em várzea, o cantor possui um time na categoria, chamado Politheama, que em grego significa Muitos Espetáculos.
O Politheama era o time de futebol de botão que ele criou aos 15 anos. O uniforme era verde e azul e, mantendo as cores originais dos botões, o time saiu do campo de madeira e foi para os gramados.
A inauguração da sede do time ocorreu em 1970 e foi batizado de Centro Recreativo Vinícius de Moraes, uma homenagem ao poeta carioca. Chico não se considera o dono do Politheama, e sim mais um jogador que se diverte, conversa e ri com os amigos durante as peladas. No fim de cada partida, o cantor ataca de comentarista, fazendo análises dos lances de efeito, frangos e gols. Tudo isso na mesa do bar, localizado dentro do Centro Recreativo.
Sempre que acabam as peladas, o cantor gosta de fazer uma retrospectiva sobre a partida, comentando os lances de efeito, frangos e gols. Tudo no bar, localizado dentro do próprio Centro Recreativo.
Vários "craques" passaram pelo gramado do Politheama, entre eles: Bob Marley, Marcos Palmeira, Evandro Mesquita, Toni Garrido e o maior ídolo do artista, Pagão, ex-centro-avante do Santos na época de Pelé, que foi homenageado por Chico na canção "Futebol".
Chico joga três vezes por semana, segundas, quintas e sábados. Para ele o futebol é sagrado e seus compromissos e shows são marcados de modo que não atrapalhem os dias de jogos. Alguns supõem que Chico ame mais o futebol do que a própria música.
Um episódio que comprova essa paixão pelo futebol aconteceu quando Antônio Skármeta, escritor chileno, veio ao Brasil para entrevistar o cantor, pelo canal People and Arts, para um programa sobre música e poesia. Durante a conversa, o assunto tendenciou para o futebol, e, ao ser questionado qual era a relação entre poesia e futebol, Chico respondeu: "Não sei teorizar sobre o futebol".
Até hoje Chico afirma que o futebol tem que ser vivido, jogado, sentido na pele, e que as palavras não podem descrever a emoção e os sentimentos de uma partida, jogada ou assistida.
Shows do Chico Buarque - Tom Brasil