O Rio de Janeiro se prepara para os Stones
Para um show como será o dos Rolling Stones no Rio, é necessário um grande planejamento para que a capital carioca não fique parada. Para isso, foi programado um esquema que deve assegurar aos moradores e turistas um mega espetáculo inesquecível.
Como no reveillon, o bairro de Copacabana será interditado para os carros particulares, a partir das 15hs de sábado. Apenas os ônibus de linhas regulares, motos, táxis, vans regulamentadas e veículos dos moradores das proximidades estão autorizados a circular. Mas é aconselhável não ir de carro, pois o fluxo será complicado e os motoristas terão que ter muita paciência para se locomover, e principalmente para estacionar.
Quem vem com ônibus de caravana poderá estacionar no Aterro do Flamengo (zona sul), Quinta da Boa Vista (zona norte) ou no Teleporto (Centro).
A Avenida Atlântica será fechada a partir de meio dia de sábado. Neste dia é provável que haja algum problema, isso porque também vai acontecer na zona Sul, o desfile do bloco "Simpatia É Quase Amor". Com isso, os motoristas terão que usar a Lagoa Rodrigo de Freitas como acesso.
A segurança será feita por dez mil policiais militares, que atuarão em toda a cidade e nos acessos ao Rio. Na área do evento estarão a postos três mil homens em policiamento ostensivo.
Outra tática aplicada será a venda de bilhetes especiais de metrô nas estações Carioca e Estácio, esse tipo de passagem só servirá para o dia da apresentação e os convencionais não serão aceitos..
Mas nem tudo são flores neste mega evento. A subsecretária especial de eventos da prefeitura carioca, Ana Maria Maia, enfrenta diversos problemas para que o show seja perfeito.
Dentre eles há uma polêmica com os moradores do bairro. De acordo com o presidente da Associação de Moradores e Amigos de Copacabana (Amacopa), Synesio D' Almeida Junior, a apresentação será realizada com protestos. "Esse tipo de show é uma calamidade para o morador. Já estamos acostumados com o reveillon, mas esses eventos não podem virar rotina em Copacabana. O show será realizado à revelia da comunidade", contesta Synesio.
Para que o espetáculo seja perfeito, foram exigidas pelos moradores algumas medidas de segurança, tais como câmeras de vigilância, contratação de segurança privada para proteger os equipamentos, fiscalização nos estacionamentos e maior quantidade de banheiros químicos. O último pedido, por exemplo, a subsecretária diz ser impossível de cumprir. "Se enchermos a orla de banheiros, eles criarão uma muralha. Será um sério complicador para a segurança", conta.
Outra exigência que tem dado o que falar é a da Lei do Silêncio. De acordo com a legislação, após às 22h, o som não pode ultrapassar os 85 decibéis, sendo que o grupo está trazendo cerca de 170 toneladas de aparelhagem sonora, para um show que começa às 21h45.
O vice-presidente do conselho da Associação de Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, também se diz indignado com a atitude da prefeitura em relação aos moradores da região. "Entendemos a importância de um show como esse para a imagem da cidade. Mas queremos que a prefeitura entenda também que eventos assim são um transtorno para os moradores do bairro. A prefeitura poderia ter colhido sugestões, para subsidiar suas ações, mas não o fez".
O palco será enfeitado num clima tropical, com folhagens e flores, e será montado entre as ruas Rua Fernando Mendes e Rua Rodolfo Dantas. Serão 27 metros de altura por 70 de largura e 30 de profundidade. Para que todos consigam ver o show, serão instalados 16 telões e nove pares de caixas de som.
O palco dos Stones possui 443 pontos de luz e efeitos, além de um prolongamento móvel de 60 metros para um pequeno palco. Também haverá um hiper telão, da própria banda, com 10 metros de comprimento.
Os convidados VIPs ficarão atrás do palco, para não atrapalhar a visão do público. Para ver o show terão que passar por uma entrada lateral para chegar próximo ao palco. "É uma festa na praia e tem que ser democrática. No show do Lenny Kravitz, o público reclamou que os convidados da área VIP ficaram na frente do palco atrapalhando a visão", diz Abel Gomes, responsável pela área dos convidados.
O custo da passagem dos Rolling Stones pelo Rio será de aproximadamente R$ 10 milhões. A prefeitura divulgou um gasto de R$ 1.684.500. O resto foi pago por duas empresas de telefonia.
A banda chega no Rio de Janeiro, dia 17 de fevereiro e vai direto para o hotel Copacabana Palace. Aliás, o hotel está com seus 225 quartos reservados e pagos antecipadamente. O sexto andar, que é considerado o melhor - com diárias de cerca de R$ 5 mil - será destinado à banda. Com o show, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ) festeja a taxa recorde de reservas - 99% - em Copacabana e adjacências. São esperados cerca de 200 mil turistas do Brasil, além dos estrangeiros.
Rubem Medina, presidente da Rio-Tur, calcula que US$ 200 milhões em dinheiro serão injetados na economia da cidade, 10% do previsto para todo o verão e quase metade do que se espera que o Carnaval movimente, US$ 490 milhões.
Os grupos AfroReggae e Titãs serão os responsáveis pela abertura da noite para os Rolling Stones. O show será exibido pela Rede Globo ao vivo e depois pelo canal Multishow. Os bastidores do evento vão virar filme e DVD. O filme, a princípio, será exibido apenas no mercado americano. O DVD será lançado mundialmente no segundo trimestre de 2006.
O show será um marco histórico para o Rio de Janeiro e principalmente para os integrantes da banda, que estão há mais de quatro décadas na estrada. Agora é só aguardar a noite do dia 18/02 e curtir muito, e encerrar a noite com muita "satisfaction".
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