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Papo de boteco

Por: Anderson Nascimento e Adriana Baptista




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Mulher boleira

Um dos bares de futebol mais tradicionais da capital paulista, o “Boleiros Bar”, localizado no bairro da Vila Madalena, tem uma mulher como proprietária. Patricia Amaral divide com o marido, Marcos Batista, a responsabilidade de tocar o estabelecimento durante a rotina futebolística diária. “O nome vem do filme ‘Boleiros’. A marca, como bar, existe há cinco anos. Aqui na Vila Madalena faz quase dois anos já”, diz

A ideia de criar um bar com o tema futebol surgiu graças à paixão de Marcos: “Meu marido é fanático por futebol como um todo, mas ele é santista, tem como ídolo o Pelé. E já colecionava alguns itens”. Ao ser questionada se a paixão por futebol do marido é maior que a sua, Patricia é enfática: “Não! Eu pendurei todos os quadros aqui do bar. Um quebra-cabeças montado com uma certa lógica. Tem o cantinho do Corinthians, do São Paulo”, conta.

Não é comum vermos mulheres a frente de um bar com o futebol como tema central, e Patrícia tem consciência disso: “Eu ainda vou escrever um livro sobre isso (risos). Não acho que exista preconceito, mas homem não escuta mulher falar sobre futebol. Quer dizer, não é que não escutam, eles não levam em consideração", desabafa.

Mas Patrícia já consegue enxergar uma mudança: “É difícil mudar. Mas aqui na Vila Madalena existe uma certa mistura, tem muita mulher que vem ver jogo. As coisas já estão mais democráticas. Acho que mudando o público e tendo mulheres dando palpite, quando é uma mulher só é difícil, mas se tem um grupo de mulheres palpitando os homens acabam convencidos”, diz.

Na Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha, Patrícia viveu a emoção dos jogos no bar, que ainda ficava na região da Vila Olímpia: “A Copa do Mundo encheu o ‘Boleiros’. Foi super disputado, em todos os jogos, não só os do Brasil”. E em 2010, o bar promete a mesma emoção: “Todos os pacotes que tenho cotados para a Copa eu já fecho hoje. Eu não tenho a programação exata, com datas, mas em 15 dias a gente vai ter. Estamos nos reunindo para isso”.

O “Boleiros”, da são-paulina Patrícia, promete casa cheia em todos os jogos do Brasil na África do Sul. E não se surpreenda se o bar estiver tomado por mulheres trajadas de verde e amarelo dando palpites coerentes sobre escalação, posicionamento tático e impedimento. São os tempos modernos!

Público Cativo

E tem os freqüentadores assíduos de botecos. Esses são exigentes. Para eles, não basta sentar e pedir uma cerveja. O publicitário paulista Gustavo Rinco, de 26 anos, é um deles. Corinthiano roxo, de 4 em 4 anos reúne os amigos no boteco para tentar reproduzir a sensação de estar no estádio, já que ainda não conseguiu assistir a nenhuma Copa “ao vivo”. Ele não se contenta com apenas um telão, é preciso ter 2 ou 3 para garantir que nenhum lance seja perdido. Se estiver muito barulho ou gente em pé, não pensa duas vezes e procura outro lugar para ver a partida: “Quando não dá para ver o jogo direito, aí eu saio fora, prefiro até ver num boteco vazio, do que ficar num ambiente desconfortável. Prefiro estar com uma galera, mas num negócio mais organizado”.

Falando em organização, Gustavo é um dos adeptos ao esquema de fechar um pacote para todos os jogos. “O bom é que aí você não precisa se preocupar em chegar muito cedo, a mesa já fica reservada e alguns já incluem cerveja.” Mas como no Mundial da África do Sul os jogos do Brasil vão acontecer perto da hora do almoço, o publicitário dá uma dica: “Se for voltar para o trabalho, melhor nem pensar em bebida e escolher um lugar mais tranquilo, que sirva um bom almoço.”

Para o carioca Pedro Ramos, 28 anos, outro botequeiro assíduo, assistir aos jogos da Copa do Mundo no bar já faz parte de um ritual: “É como ir ao Maracanã no domingo”. Na hora de ver o Brasil em ação, o administrador troca a camisa do Fluminense pela da seleção, pinta o rosto com tinta e segue 3 pontos básicos: “Uma boa televisão, amigos e chopp gelado.” Esse último quesito é fundamental. “Não sou muito supersticioso, só faço questão de vestir a camisa amarela. Agora, se o chopp estiver malhado, quente ou sem pressão, ihhhh isso sim é azar”, completa.

Já na regressiva para a Copa da África do Sul, em junho, Pedro espera poder assistir no Maracanã o Mundial de 2014. O Rio de Janeiro, é uma das 12 cidades-sede. Enquanto a data não chega, aproveita para relembrar bons momentos vividos no último Mundial, disputado na Alemanha. “Na Copa de 2006 fui ver as quartas de final num bar na Lagoa Rodrigo de Freitas, uma super produção com telão e área vip, cheio de mulheres bonitas. O Brasil perdeu da França de 1 a 0, mas eu conheci uma linda doutora que veio a ser minha namorada. Foi um dia de pouco futebol, de eliminação, mas não foi tão triste assim.”

 

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