Especial Copa do Mundo
Fazendo as malas
O dono de padaria Rodrigo Moura, duas copas nas costas, é categórico quanto ao que levar para o mundial: "Camisas". Do Brasil, é claro, e no caso dele, do Santos Futebol Clube. Deixando a rixa de lado, ele recomenda levar muitas camisas de times do Brasil. Afinal, quando o assunto é bola - hoje em dia, mesmo quando não é - qualquer brasileiro é autoridade. E Moura pode atestar por exeperiência própria: todo gringo que põe os pés numa Copa do Mundo quer sair de lá com uma amarelinha na mala. Os mais empolgados estampam o Brasil no peito. Portanto, quando estiver fazendo as malas, certifique-se de que há predominância de amarelo e azul entre suas camisetas. Mesmo que na ida pareça monocromática, na volta, sua mala certamente estará colorida de uniformes do mundo todo. "Basta ser camisa do Brasil que os caras ficam loucos", lembra Moura, que esteve nos mundiais de 1994 (Estados Unidos) e 1998 (França). "Não importa nem se é verdadeira ou falsa".
Para clubes, idem. Como todos os brasileiros terão suas amarelinhas em riste - e na Copa do Mundo, todo mundo é mais patriota, mais ostensivo e mais espalhafatoso - a camisa do seu time do coração pode ser um diferencial na hora das trocas. Numa dessas, aquela piratona que você comprou na porta do estádio por dez contos vira uma histórica oficial da Holanda de 1974 (do carrossel holandês) ou da Argentina de 1986. Não, da Argentina de 86, não. Se um argentino tem uma camisa da seleção que foi campeã honestamente (1978 foi brincadeira), ele não troca nem pela chuteira com que Pelé jogou a final de 70 - muito mais do que Maradona a carreira inteira, diga-se de passagem.
Na hora do jogo, vale tudo. À exceção, é claro, de bombas, objetos contundentes e outras esquisitices que mentes criativas possam transformar em armas. "No jogo é aquela coisa", diz Moura. "Bandeira, corneta, o que você puder levar de artigo verde e amarelo ou que faça barulho, tá valendo". E vá bem munido porque você terá de fazer o papel de uns dez torcedores - falta brasileiro. "Acho que por causa do (baixo) poder aquisitivo, não tem muito brasileiro". O pouco que vai tem que fazer uma festa enorme. Afinal, no Brasil ou fora, temos que fazer jus à fama de País do Carnaval e do Futebol. O quê? Você não é adepto dos estereótipos? Então, você nunca foi a uma Copa do Mundo. Em jogo da Copa, Brasil é confete, serpentina, apito, pandeiro, tamborim. Lá, até roqueiro canta iskindô-lelê, de dedinho levantado e tudo.
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