Especial Dia dos Pais
Entrevista - Simoninha
O cantor Simoninha, filho de um dos mais importantes artistas da década de 60, Wilson Simonal, deu uma entrevista para o nosso especial Dia dos Pais e nos contou sobre sua relação com Simonal, com a fama e com o fato de ter sido pai recentemente.
Há pouco, Wilson Simoninha compôs a canção 26 de dezembro que, além de citar fatos de sua infância e de seu pai, homenageia seus filhos, falando sobre os sentimentos que possui hoje. “Traduzi nessa música algumas das lembranças que tenho como filho e qual é minha visão atual sobre ser pai”, explica.
!ObaOba: Ser filho de alguém tão conhecido pela mídia, em alguns momentos, não deve ser sido muito fácil... Quando era mais novo, na época do colégio, o que mais lhe incomodava nesse sentido?Simoninha: Era muito ruim não podermos ir a “lugares comuns” em “horários comuns” por causa do assédio dos fãs. Por exemplo, não podíamos nem ir até um parque sem que as pessoas viessem falar com ele, pedir autógrafo etc. Com o tempo, nos acostumamos e acabamos nos habituando com essa situação, mas isso não era bom.
!ObaOba: E o que mais te agradava?
Simoninha: Naturalmente, toda criança tem um certo tipo de vaidade; eu gostava de saber que as pessoas conheciam meu pai, sabiam quem ele era, o que ele fazia... Pais costumam ser super-heróis para os filhos e isso com certeza tornava nossa relação mais especial.
!ObaOba: Como a questão “fama” era abordada em sua casa? Seus pais conversavam sobre isso com você?
Simoninha: Desde criança a fama foi tratada de forma natural em minha casa. Foi tudo muito efêmero e passageiro, porém meu pai sempre nos passou idéias do quanto era importante ter carinho e respeito pelos fãs, sem se tornar prisioneiro disso. Meus pais sempre deixaram muito claro que a gente não era diferente de ninguém. Ser famoso ou não, na realidade, não muda nada. Todo mundo é igual!
!ObaOba: O que você mais admira no seu pai?
Simoninha: Muitas coisas... nossa! Eu nem sei dizer assim... Tem muitas coisas que eu admiro nele! Quem eu sou hoje é fruto da educação que recebi dos meus pais. Ele me passou muitas coisas importantes e, além do mais, me ensinou algo super importante que é o amor pela música.
!ObaOba: Então é claro que você teve seu pai como principal referência quando decidiu se dedicar à música...
Simoninha: É, sem dúvidas! Se não fossem as influências dele, as coisas provavelmente não seriam como são hoje.
!ObaOba: No que você se acha mais parecido com ele?
Simoninha: Creio que fisicamente haja uma certa lembrança, mas a personalidade dele não tinha a ver com a minha. São tipos de personalidades completamente diferentes!
Ah! Mas tem uma coisa: nossas mãos são praticamente iguais. (risos)
!ObaOba: Você se lembra de ter passado vergonha por alguma coisa que seu pai fez ou falou?
Simoninha: Nossa... ah, é normal... isso é muito comum, né? (Risos) Ele adorava jogar bola, gostava muito mesmo e achava que era um super craque, mas na verdade, era um “perneta”. Um dia, fui assistir a um jogo e não sei por que, colocaram meu pai para bater um pênalti. Na hora eu pensei: fodeu! (Risos) E é lógico que não deu outra: ele não fez o gol e na hora senti a maior vergonha!
!ObaOba: Você se tornou pai há pouco tempo, existem algumas lições que você tem certeza que passará aos seus filhos exatamente como seu pai fez com vocês?
Simoninha: Sim! Acho que os valores que pretendo passar como pai são praticamente iguais aos que recebi. Meu pai foi rígido nisso, não rígido de modo ruim, mas rígido em fazer questão de deixar bem claro que um dia você pode estar numa festa em uma mansão no Morumbi e outro numa reunião na periferia na casa de um amigo. As duas coisas podem ser legais e divertidas da mesma maneira.
