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Por: Manuela Rahal

Parece que foi um sonho, mas aconteceu. Sábado era o dia, o verão estava começando, mais precisamente dia 26 de novembro de 2005. Aquele friozinho na barriga antes de um grande evento e chegamos: Claro que é Rock, Chácara do Jockey. Era a primeira vez que um festival daquele porte acontecia por lá, um lugar incrível, que parece alheio à paisagem cinzenta de São Paulo. Até hoje não consigo entender – inclusive, tentei conversar com o responsável pelo marketing na Claro, mas ele estava viajando – como os organizadores desse festival conseguiram trazer Fantômas, Nine Inch Nails, Sonic Youth, The Flaming Lips e Iggy Pop AND the Stooges, cobrando a bagatela de R$ 50 por cabeça.
 
Dois palcos, um de cada lado, uma paulada atrás da outra, um espetáculo atrás do outro. The Flaming Lips surpreenderam de tal forma que eu me senti como se paricipasse de um filme do Tim Burton; Sonic Youth é Sonic Youth; Iggy Pop, monstro, com uma apresentação digna do comentário “depois dessa, eu posso morrer em paz”; Nine Inch Nails levaram as pessoas ao delírio com um show de luzes e aquele industrial que faz você sentir o coração pulsando. Sem falar de Fantômas, Nação Zumbi... Que festival! Que organização ímpar! Banheiros funcionando, bares sem fila e estacionamento dentro da própria Chácara do Jockey.
 
Quem foi deve concordar que aquele foi um dos melhores festivais dos últimos anos. Não entendi até hoje por que outras edições não aconteceram. A verdade é que os eventos desse porte no Brasil são muito instáveis, diferentemente dos gringos, que se tornaram tradição e ganharam lugar cativo no calendário, como Coachella, Glastonbury, Reading e Boom.
 
O que aconteceu com o Monsters of Rock, Free Jazz Festival, Live & Louder, Ruffles Reggae e Hollywood Rock, por exemplo? Com exceção do Free, que se tornou Chivas Festival e depois TIM Festival, não encontrei uma resposta para o término dos demais. Sondando o mercado, ouvi muito: “ah, apenas corte de verbas” ou “as demandas vão mudando e os eventos também”.
 
Mesmo festivais que foram criados há pouco tempo estão desaparecendo, como o TIM Festival. Segundo a assessoria da TIM, o evento não acontece mais sob a marca da operadora. O Skol Beats,  pioneiro e mais democrático festival de música eletrônica que já rolou no país, foi substituído pelo Skol Sensation, uma grande festa de elite. O Nokia Trends, que trouxe músicos incríveis também parece ter desaparecido, pois até o fechamento desta edição não obtive resposta da empresa. Pelo menos existem rumores de que o gigante Rock in Rio, que já está confirmado em Lisboa, Portugal, também deve continuar aqui no Brasil...Que assim seja.    
 
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