Especial Festivais internacionais 2010
Quando grandes músicos vêm ao Brasil e ficam extasiados com o carinho e calor do público, e afirmam isso durante o show, muitos pensam que não passa de uma ação de marketing. Depois de assistir a uma série de shows fora do país, entendi que quando ícones como Bruce Dickinson, do Iron Maiden, Roger Waters, ex-Pink Floyd, Ozzy Osbourne e até a diva Beyoncé, dizem que nunca viram uma energia como nos concertos no Brasil, eles estão sendo super sinceros.
Em 2008, fui ao Leeds Festival, no interior de Londres. Comprei o ingresso com seis meses de antecedência, pois não seria apenas mais um festival e sim a realização de um sonho de adolescência: assistir ao Rage Against the Machine. O Leeds tem o mesmo line up do Reading Festival, a diferença é que um acontece em Londres e outro na cidade de Leeds.
E a saga começou. Três horas de trem mais duas de busão e o clima de festa, fora a ansiedade, que não deixava qualquer tipo de alimento parar no estômago. Chegamos a uma cidadezinha que pode ser considerada a “Campos de Jordão” londrina, mais perto da fazenda onde acontecia o evento, um clima semi-árido misturado com umidade. Simplesmente uma grande festa a céu aberto, com um parque de diversões dentro... Acredito que quem teve a ideia de fazer o Planeta Terra no Playcenter em 2009, já passou pelo Leeds. Voltando, a cena era a seguinte: um vale lotado de gente de galochas, pois a lama dominava, cerca de 300 mil pessoas reunidas por uma causa: a música. Olhei para minha dupla e disse: conseguimos, chegamos ao Woodstock da nossa geração!
Entre uma bagunça generalizada, pessoas rolando na grama, centenas de atrações se revezavam nas diferentes tendas e palcos. Mas eu só tinha olhos para o main stage, onde vibrei, pulei, gritei ao som de Queens of the Stone Age e Rage Against the Machine. Enquanto nós representávamos a macaquice brasileira em um concerto de rock, os gringos não se mexiam, pareciam um bando de estátuas admirando uma exposição cult. Tudo bem, garanto que nós fizemos a festa no lugar de todos eles. No fim da noite, éramos praticamente meninas de rua, sujas, com lama em tudo quanto é lugar, mas com um sorriso de fazer inveja em qualquer um.
Essa pose toda de gringos tensos se repetiu em outros shows, como no The Gossip e Iggy Pop no festival Get Loaded in Park e o espetáculo John Spencer the Blues Explosion, em Amsterdam. Só posso concluir que o calor é nosso, aqui e em qualquer lugar do mundo. Brasileiro se acaba de gritar, dançar, cantar – ainda que seja no embromation -, faz fila na porta do hotel e até acampa no local do evento uma semana antes! Viva o Brasil, o carnaval e o jeitinho nosso de foliar, isso não existe em outros lugares. No entanto, os melhores e mais parrudos festivais de música e artes ainda acontecem por lá e sobre isso que vamos falar nesse especial.
Navegue por este especial
