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Cultura por Isabella Lessa

Por: Isabella Lessa


Sábado um tanto ensolarado esse, do dia 12 de abril. Não era nem meio-dia, mas o sol já estava a pino. Comecei pelo lado centro da Augusta, o lado B, o mais autêntico e democrático da famosa rua. É o lado onde está concentrado o maior número de bares e baladas, e em volta deles, os boêmios – ou não. Mas lá estava eu, não para explorar esta faceta da longa rua, e sim para desbravar o que há de cultural nela.

Pois bem, comecei minha caminhada em meio ao bom movimento daquele sábado. Pude observar que as mesas de todos os bares e restaurantes estavam ocupadas por pessoas de todos os tipos: grupos de amigos, famílias, jovens. Enfim, todo mundo tomando aquela gelada esperta pra relaxar. Tentei não me desviar do objetivo (trabalho!) e fui em frente.
 
A primeira parada cultural foi o Teatro Augusta (nº 943), fundado nos anos 70 pelo cineasta Sérgio Person com o nome de “Auditório Augusta”. Foi reinaugurado em 1999, totalmente reformado, e hoje é freqüentado por um público bem misto, do mais humilde até o de classe média alta, porém todos com grande interesse em teatro.
 
Prosseguindo com a minha subida, fui interrompida subitamente por um pé d’água daqueles, que por sorte durou poucos minutos e logo o sol ressurgiu sem dó. Passei pelo Centro Cultural Árabe Sírio (nº1053), porém, estava fechado. O local promove manifestações artísticas da cultura típica, ensina o idioma árabe e possui um grupo de danças folclóricas que se apresenta gratuitamente. Achei bem interessante.
 
Espaço Unibanco de CinemaE eis que cheguei ao antro sagrado dos cinéfilos paulistanos: o Espaço Unibanco de Cinema (nº 1475). Eu mesma adoro esse lugar, é um cinema que tem salas dos dois lados da rua e a programação foge dos “blockbusters”, atraindo freqüentadores assíduos. Conversei com pessoas que estavam zanzando por ali, esperando seus filmes começarem, e sem nenhuma exceção, todos me contaram que o fato de o espaço ser um circuito alternativo de filmes, é a razão para gostarem tanto de lá. A livraria do espaço também é muito bacana. Bati um papo com o atendente Junior. Ele contou que o acervo muda de acordo com o filme que está passando, e é especialmente direcionada a cinéfilos e cineastas, que, segundo ele, são figurinhas carimbadas no cine, assim como atores. Aliás, quando fui conferir “Má Educação”, do Almodóvar, vi a Camila Pitanga saindo de uma das salas!
 
Mas voltando ao assunto, andei mais um pouco e já estava pisando na Paulista. Agora, do outro lado da avenida, me esperava o Lado A, o sentido Jardins da Augusta. Querendo ou não, o lado mais elitista e esnobe. Quanto mais desce, mais chique fica!
 
Logo me deparei com outro ponto obrigatório para os amantes da sétima arte: o CinesescCinesesc (nº 2075). Os filmes em cartaz também não são convencionais, e é bastante freqüentado por estudantes, idosos, alternativos e, lógico, cinéfilos. Estava acontecendo o 34º Festival Sesc dos Melhores Filmes, e isso tende a atrair um público maior conforme o filme. A cada mês, o Cinesesc oferece um curso de cinema, fica a dica para quem quer se aprofundar.
 
Mais abaixo tem o Espaço de Cultura Contemporânea (nº 2239) da Escola São Paulo, onde são oferecidos cursos de design e moda, cultura e humanidades, artes e arquitetura, palestras de relatos profissionais e workshops. Os cursos são profissionalizantes e pagos, mas até que o preço tá em conta. Vale a pena dar uma conferida nas opções de curso, que não são poucas.
 
A tarde ia avançando e o calor não dava trégua, muito menos a transição das pessoas. Começo a notar a presença de mais famílias acompanhadas de crianças.
 
O Canto das Letras (nº2244) é um sebo maravilhoso que desconhecia até então. É um desses lugares que convidam você a entrar, me senti ainda mais atraída, porque parecia estar bem fresquinho lá dentro. Tem cara de livraria normal, bonita, chão de madeira. Quase perdi a noção do tempo, pois fiquei vasculhando o ótimo acervo.
 
A última parada foi no Teatro Procópio Ferreira (nº 2823). Construído em 1948 e também restaurado, o teatro tem programação eclética, peças infantis e adultas, espetáculos de música popular e erudita. Na fila, havia algumas famílias. O Café Teatro, localizado no interior, estava cheio, quem mais freqüenta são as pessoas que moram na região.
 
Andando mais alguns metros, cheguei ao fim da Augusta. Assim, bem de repente. Era fim de tarde, e a cerveja me esperava pra celebrarmos juntas o merecido descanso.
 
 
 
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