Especial São Paulo Restaurant Week
Entrevista: Marina Moraes
Aos 21 anos de idade, Marina Moraes cursava gastronomia, pensava trabalhar para grandes chefs e algum dia ter seu restaurante. Mas seu pai atravessou o caminho e jogou em seu colo - e em sua responsa - o Gardênia Café, uma casinha simpática em Pinheiros, que a família costumava frequentar. A moça, que à época atendia pelo singelo apelido "Nini", virou gente grande da noite pro dia. Trancou a faculdade e tratou de trabalhar. Estudou, viajou, conheceu grandes chefs e desponta como uma das (se não “a”) maiores promessas da gastronomia nacional.
Agora, passados quatro anos da estreia do Gardênia Restô - nova alcunha e novo estilo do velho café -, Marina tem uma filial na Gabriel Monteiro da Silva, no nobilíssimo bairro do Jardim Paulistano (São Paulo) e sonha voos ainda mais altos. Pretende abrir um restaurante com o marido, o espanhol - e também chef - Raúl Florenza Fuertes e promete um programa de televisão para o fim deste ano. “Ainda não fechei. Mas, até o final do ano vai rolar!”, ela assegurou em entrevista ao !ObaOba. Confira os melhores momentos da conversa:
!ObaOba: Quando você resolveu que trabalharia com gastronomia?
Marina Moraes: Desde criança. Eu sempre gostei, foi um caminho natural. Mas eu nunca pensei em realizar esse sonho tão cedo, assim. Abri o restaurante com 21 pra 22 anos...
!ObaOba: Como isso aconteceu?
Marina Moraes: Eu sempre gostei de ir no Gardênia Café ali na praça com meus pais. Um dia meu pai viu que estava à venda e comprou. Chegou pra mim e falou: “você que vai cuidar.”; “Eu?!”. E aí, tranquei a faculdade e fui trabalhar no restaurante.
!ObaOba: Você costuma inventar muitos pratos?
Marina Moraes: Claro, todo o cardápio é criação minha.
!ObaOba: Como você bola as combinações?
Marina Moraes: Eu penso nas coisas que gosto de comer. Aquela coisa de comida de casa... E eu uso muito as minhas memórias. Lembro dos sabores, das coisas que minha avó fazia e vou criando.
!ObaOba: Você viaja atrás de novos sabores?
Marina Moraes: Agora tenho viajado menos, já que tem o Gardênia da Gabriel também. Mas eu passei muito tempo na Espanha, casei com um espanhol inclusive.
!ObaOba: Ele também cozinha?
Marina Moraes: Ele cozinha também. Ele trabalhava com um chef espanhol super bacana, o Sergi Arola. Mas ele largou tudo e veio morar aqui comigo. Agora a gente ta cozinhando junto. Eu estou pensando em abrir um terceiro (restaurante), meu e dele. Daqui a pouco, a gente abre um terceirinho.
!ObaOba: Você se arriscaria na comida espanhola?
Marina Moraes: Seria uma misturinha, né? A minha cozinha com a dele. Porque a cozinha dele é bem diferente da minha. A gente teria que chegar a um consenso. Talvez usando técnicas espanholas e ingredientes brasileiros.
!ObaOba: Hoje, você diria que o Gardênia deu certo? Você chegou onde queria chegar?
Marina Moraes: Cheguei. Nem tenho mais espaço pro Gardeninha ali na (Omaguás, praça da) FNAC. Eu to muito feliz. Não acho que foi sorte porque eu trabalhei muito pra conseguir, né? Mas as pessoas me ajudaram muito, meus amigos, minha família... O mais legal é chegar hoje no restaurante e não conhecer ninguém porque antes tinha aquele público, eram sempre os meus amigos. Hoje em dia eu chego lá e ninguém me reconhece. Acho isso o máximo! É sinal que o restaurante já anda sozinho, não depende mais de mim.
!ObaOba: Quais as maiores dificuldades de tocar um restaurante?
Marina Moraes: Todas (risos)! É complicado porque são 24 horas por dia – de manhã, à tarde e à noite. Minha vida pessoal, se meu marido não fosse cozinheiro também, não sei como ia ser porque você vive em função, não tem tempo. Feriado, final de semana, você ta sempre aqui. No Carnaval eu fiquei aqui em São Paulo, sempre lá, cuidando dos meus negócios. Meu marido foi pro Rio e eu fiquei aqui, deprimida. Mas é um sonho também, gosto muito do que eu faço.
!ObaOba: Como você define a cozinha do Gardenia?
Marina Moraes: Cozinha da alma. Acho que ela é uma comidinha que dá desejo de comer, sabe? Que nem comida da casa da avó.
!ObaOba: Como pintou o lance de participar do São Paulo Restaurant Week?
Marina Moraes: Essa é a terceira vez que eu participo. Mas teve uma Restaurant Week em Nova York que eu fui uma vez e achei o máximo! Aqui no Brasil não era aquela euforia que nem é lá fora, que as pessoas lutavam pelos lugares. Agora é. Essa é a primeira edição que está sendo bem reconhecida, porque agora entraram grandes nomes. Agora estão começando a olhar pra semana. Eu acho super legal, sou super a favor. Leva muita gente que não tem a oportunidade de conhecer meu restaurante pelo preço. Com isso (a SPRW), eles conhecem um pouquinho do meu trabalho – não é muito. Mas abre portas.
!ObaOba: O Gardênia terá almoço e jantar este ano?
Marina Moraes: No ano passado, a gente fez só jantar no Gardênia da praça e no outro almoço e jantar. Esse ano também.
!ObaOba: Por quê?
Marina Moraes: Porque o outro é um pouquinho maior, tem mais espaço. O da praça é muito pequeno, então é complicado fazer almoço e jantar ali.
!ObaOba: O que você muda no cardápio pro Restaurant Week?
Marina Moraes: Vou no que eu tenho forte, que é o cordeiro. Meu pai queria que eu fizesse cordeiro, então eu quero também fazer uma propaganda do cordeiro. Esse ano, eu peguei um pratinho que já tem no cardápio, modifiquei um pouco, pra fazer uma divulgação dele. É uma boa saída, até porque, se a pessoa gostar, pode voltar e encontrar o prato no cardápio também. Senão, você dá um gostinho e deixa todo mundo no desejo.
!ObaOba: O SPRW é lucrativo pra casa?
Marina Moraes: É lucrativo. É bem bacana. Pra mim, foi boa a experiência. Eu aconselho todos os meus amigos a participar também.
!ObaOba: Quem são seus chefs preferidos hoje?
Marina Moraes: Gosto muito do Alex (Atala), que é pai da gastronomia brasileira; gosto muito da Andrea Kaufman e vários gringos também. É difícil falar. Tem o Fi (Felipe Ribemboin, sócio do restaurante Dois Cozinha Contemporânea), né? Acho que esses meninos vão longe, viu?
!ObaOba: Qual seu sonho profissional?
Marina Moraes: Quero fazer um programa de televisão no Brasil. Passa muito programa gringo e tem muita gente e produto. A gente devia exportar programa ao invés de importar. Estou trabalhando nisso, conversando com algumas produtoras, mas ainda não fechei. Mas, até o final do ano vai rolar!
!ObaOba: Já?!
Marina Moraes: Me aguarde, querido! Vai rolar já, time is money!
